Santo António

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AT.462
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
  • Dimensões (cm): Alt. 28,4 x Larg. 12,8
  • Descrição: Santo António em barro policromado, representando uma figura masculina em pé segurando um livro. A figura assenta numa peanha tronco-cónica de base semi-rectangular, de lados arredondados e alguns estrangulamentos. A peanha apresenta a tonalidade verde com as extremidades superior e inferior pintadas de amarelo com linhas laranja. Santo António apresenta dois pés com incisões, figurando os dedos. Enverga um hábito da ordem dos Franciscanos, de formato tronco-cónico e apresenta um tronco cilindriforme. Exibe ainda dois membros superiores, dobrados e erguidos à altura da cintura com a mão esquerda segurando um destaque de formato paralelipipédico de tonalidade vermelha e dourada, figurando um livro. Neste livro está aplicado um segmento recto em arame onde estaria colocado o Menino Jesus. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. Na cabeça figuram dois pontos negros que representam os olhos, encimados por dois traços e duas sobrancelhas de cor castanha. O nariz em relevo é de formato triangular e a boca apresenta lábios delineados e enchidos com cor vermelha. De cada lado da face é visível uma rosácea alaranjada. A cabeça exibe, ainda, cabelo de cor castanha, e apresenta no seu topo uma zona calva em formato circular. A figura ostenta um hábito castanho com punhos pintados de dourado e decorado com pregas. Á volta da cintura exibe um cordão igualmente dourado com incisões e com as extremidades pendentes. Santo António apresenta-se envolto numa capa que lhe cobre os ombros e aperta junto ao pescoço. A capa exibe pregas e está pintada de castanho com contornos dourados, apresentando na parte traseira um destaque de formato triangular, figurando um capuz. No topo da cabeça é visível um ponto inciso, podendo servir para colocar o resplendor. Dimensões da Base: Comp: 7,4 Cm; Larg: 12,8 Cm.
  • Origem/Historial: Na ficha de inventário dactilografada e no Livro de Tombo a peça tem a designação "Imagem Religiosa". No entanto, optei por utilizar a denominação "Santo António", na medida em que identifica à priori a temática da peça. Na ficha de inventário dactilografada não refere o Local de Fabrico. No Livro de Tombo e na ficha dactilografada refere esta firgura como sendo de cunho popular. Na ficha de inventário dactilografada refere que a mão direita de Sto. António parece segurar qualquer coisa (falta a peça). Na ficha de inventário dactilografada refere com incerteza que o livro que o Santo transporta é o símbolo dos doutores. Técnica: Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura. Um dos aspectos que mais caracteriza os bonecos de Estremoz, e diferencia este figurado do restante, é o facto destes nascerem nus e serem posteriormente vestidos. Um boneco de Estremoz é constituído por diversas partes que são unidas entre si. Assim, a primeira peça a ser realizada é a base, que é feita através de um pedaço de barro espalmado por intermédio de uma palmatória. A próxima tarefa consiste em fazer as pernas ou saias e seguidamente o tronco. Com uma bola de barro, e um molde, segue-se a face e depois o pescoço. Os rostos são, na maior parte dos casos, feitos por meio dum molde e colados à bola de barro que constitui a cabeça. Com a ajuda dum teque ou teco (palheta na gíria dos artesãos) modela-se o cabelo. Coloca-se o boneco na base, previamente feita e com furos no local onde este vai assentar, colando-o com barbutina ou lamugem na gíria bonequeira. De seguida, passa-se para a elaboração dos braços que é realizada através de um rolinho. Corta-se a extremidade que liga ao ombro e faz-se em seguida as mãos. Estas são feitas espalmando-se a extremidade do braço menos grossa, e depois, por intermédio de uma série de incisões com a ajuda dos já mencionados teques criam-se os dedos. Unem-se os braços ao tronco com lamugem. É altura então, de vestir os bonecos e colocar todos os adornos referentes ao modelo representado, como chailes, lenços, brincos, chapéus e um número infindável de enfeites saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990). Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco. Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento. Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto. As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Rafael Rúdio

Bibliografia

  • AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
  • BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
  • CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
  • CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
  • CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
  • MOITA, Irisalva - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 30 de Junho a 8 de Julho de 2001, 2001
  • PARVAUX, Solange - La Céramique du Hault-Alentejo. Paris, Lisboa: Puf, Gulbenkian, 1968
  • PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • PESSOA, Fernando - Os Santos Populares, Ilustrações de Almada Negreiros e Eduardo Viana. Casa Fernando Pessoa, CM Lisboa: Edições Salamandra, 1994
  • PINTO, Silva - Santos Portuguezes. Lisboa: Livraria de António Maria Pereira, 1895
  • VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
  • VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
  • VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
  • VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990

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