Santa Ana com Maria

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AT.592
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
  • Dimensões (cm): Alt. 33 x Larg. 19
  • Descrição: Santa Ana e Maria em barro policromado, representando as duas figuras lado a lado, com a Santa envolvendo Maria com o seu braço, e ensinando-a a ler. As figuras assentam numa base cilíndrica com alguns estrangulamentos e de tonalidade castanha. A Santa Ana apresenta-se envolta num manto que acompanha os contornos da figura, pendendo da cabeça e preso ao seu braço esquerdo. O membro superior esquerdo apresenta-se arqueado para dentro, com a mão segurando um livro de formato paralelipipédico decorado com linhas incisas e com pequenos pontos negros que figuram as letras. O braço direito apresenta-se esticado e apoiado no ombro de Maria. As mãos apresentam linhas incisas figurando os dedos. Na cabeça figuram dois olhos negros com as pálpebras salientes, encimados por dois traços de tonalidade castanha, figurando as sobrancelhas. O nariz em relevo é de formato triangular, apresentando dois pontos incisos que figuram as narinas. A boca é saliente e é representada por uma linha incisa de cor castanha. O queixo é saliente e de cada lado da face é visível uma rosácea rosada. A cabeça exibe ainda, cabelo de cor castanha, encimado por um véu de cor amarela que apresenta um laço disposto junto ao pescoço na parte frontal da figura. A figura da Santa ostenta um vestido grená com contornos amarelos e decorado com linhas incisas, que figuram pregas. Apresenta-se também, envolta num manto com pregas na parte frontal e traseira, exebindo a cor azul no seu exterior e a tonalidade vermelha no seu interior. As extremidades do manto são decoradas com motivos de tonalidade amarela. Maria apresenta-se envolta num manto que acompanha os contornos da figura, pendendo da cintura em pregas e preso ao seu braço esquerdo. O membro superior esquerdo apresenta-se esticado, com a mão apoiando o livro. O braço direito apresenta-se esticado para a frente com o dedo indicador esticado e igualmente apoiado no livro. As mãos apresentam linhas incisas figurando os dedos. Na cabeça figuram dois olhos negros com as pálpebras salientes, encimados por dois traços de cor castanha que figuram as sobrancelhas. O nariz em relevo é de formato triangular, apresentando dois pontos incisos que figuram as narinas. A boca é saliente e é representada por uma linha incisa de tonalidade castanha. De cada lado da face é visível uma rosácea rosada. A cabeça exibe ainda, cabelo comprido de cor castanha, encimado por um véu de cor amarela que apresenta pregas. A figura de Maria ostenta um vestido amarelo decorado com linhas incisas, que figuram pregas e mangas largas que se sobrepõem a outras mangas de tonalidade grená. Apresenta-se também, envolta num manto com pregas na parte frontal e traseira, exebindo a cor azul e extremidades decoradas com motivos decorativos de tonalidade amarela. Dimensões da Base: Diâmetro: 17 Cm.
  • Origem/Historial: Na ficha de inventário dactilografada e no Livro de Tombo a peça tem a designação "Imagem Religiosa". No entanto, optei por utilizar a denominação "Santa Ana com Maria", na medida em que identifica à priori a temática da peça. Na ficha de inventário dactilografada não refere o Local de Fabrico. Na ficha de inventário dactilografada refere que a Santa Ana encontra-se com o Menino, no entanto, com base ....... esta representação refere-se a Santa Ana ensinando Maria a ler. Técnica: Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura. É altura então, de colocar todos os adornos referentes ao modelo representado saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990). Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco. Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento. Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto. As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
  • Incorporação: Anterior Proprietário: Rafael Rúdio

Bibliografia

  • AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
  • BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
  • CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
  • CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
  • CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
  • PARVAUX, Solange - La Céramique du Hault-Alentejo. Paris, Lisboa: Puf, Gulbenkian, 1968
  • PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
  • VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
  • VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
  • VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
  • VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990

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