Camponeses comendo de um tarro
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AQ.795
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Artes plásticas
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
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Dimensões (cm): Alt. 13 x Larg. 9
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Descrição: Camponeses em barro policromado, representando dois homens de joelhos comendo de um tarro com colheres e acompanhados com um cão.
As figuras assentam numa base plana oval de tonalidade verde com pintas amarelas, laranja e brancas e bordo igualmente laranja.
Os camponeses encontram-se frente a frente sendo o da direita maior do que o da esquerda.
A figura da direita apresenta, dois sapatos, dois membros inferiores flectidos com o joelho direit...
Ver maiso apoiado no chão e o esquerdo elevado, e o tronco cilindriforme. O membro superior direito encontra-se esticado para baixo com a mão segurando uma colher castanha com cabo em arame que se encontra assente sobre no tarro. O braço direito apresentam-se arqueado para dentro. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. O pescoço é de formato cilíndrico. A cabeça apresenta dois pontos negros que figuram os olhos, encimados por dois traços e duas sobrancelhas de cor castanha. O nariz é triangular em relevo e a boca apresenta lábios delineados e enchidos com cor vermelha. De cada lado da face é visível uma rosácea alaranjada. Na cabeça figura ainda, cabelo e patilhas de tonalidade castanha, encimado por um chapéu negro com aba circular larga, ligeiramente revirada e com copa de formato cilíndrico. O camponês apresenta sapatos castanhos, calças da mesma cor cobertas por safões igualmente de cor castanha com contornos interiores pintados de cinzento e decorados com doze pontos amarelos dispostos longitudinalmente, figurando botões. Os safões apresentam pontos incisos que representam o pelo. Exibe também, uma camisola azul de contornos castanhos e dois botões de punho da mesma cor junto a cada uma das mãos. A camisola ostenta uma gola com colarinhos revirados de cor branca com dois destaques semi-esféricos de tonalidade amarela, representando botões.
Apresenta ainda, um pelico alentejano que exibe uma cauda de formato rectangular de cantos inferiores arredondados, caíndo sobre as pernas na parte traseira. Este, encontra-se picotado para figurar o pelo e exibe mangas de formato circular. O pelico ostenta a cor castanha com contornos cinzentos, e ainda oito pontos amarelos, dispostos longitudinalmente em grupos de quatro na parte frontal do tronco, figurando botões.
A figura da esquerda apresenta, dois sapatos, dois membros inferiores flectidos com o joelho direito apoiado no chão e o esquerdo elevado, e o tronco cilindriforme. Os membros superiores encontram-se arqueados para dentro com a mão esquerda apoiada na perna e a direita segurando uma colher amarela com cabo em arame. As mãos apresentam linhas incisas representando os dedos. O pescoço é de formato cilíndrico. A cabeça apresenta dois pontos negros que figuram os olhos, encimados por dois traços e duas sobrancelhas de cor castanha. O nariz triangular apresenta-se em relevo e a boca exibe lábios delineados e enchidos com cor vermelha. De cada lado da face é visível uma rosácea alaranjada. Na cabeça figura ainda, cabelo de tonalidade castanha, encimado por um chapéu negro com aba circular larga, ligeiramente revirada e com copa de formato cilíndrico. O camponês apresenta sapatos castanhos, calças de cor castanha e uma camisola azul de contornos igualmente castanhos e dois botões de punho da mesma cor junto a cada uma das mãos. A camisola ostenta uma gola alta de cor branca com linhas incisas e dois destaques circulares em relevo, representando botões.
Apresenta ainda, um pelico alentejano que se encontra picotado para figurar o pelo e exibe mangas de formato circular. O pelico ostenta a cor castanha com contornos cinzentos, e ainda oito pontos amarelos, dispostos longitudinalmente em grupos de quatro na parte frontal do tronco, figurando botões.
Frontalmente aos dois camponeses, encontra-se um tarro de forma cilíndrica com uma pega disposta em arco da mesma cor. O seu interior exibe destaques de forma circular amarelos figurando alimentos.
A lado das figuras encontra-se um cão constituído por membros cilindriformes, sendo que, os dianteiros apresentam-se esticados para a frente e os traseiros flectidos por baixo do corpo do animal. Apresenta ainda, corpo cilindriforme, uma cauda comprida e pescoço de formato cilíndrico. A sua cabeça apresenta um focinho alongado de forma cilíndrica, no qual são visíveis dois olhos, uma linha recta incisa de cor vermelha que representa a boca e dois pontos incisos que figuram as narinas. Na cabeça figuram ainda, duas orelhas.
O animal ostenta a cor castanha com manchas pintadas da mesma cor.
Na base é visível uma inscrição aplicada por pressão (carimbo): "Estremoz Portugal".
Dimensões da Base:
Comp: 19 Cm;
Larg: 9 Cm.
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Origem/Historial: Na ficha de inventário dactilografada e no Livro de Tombo a peça tem a designação "Boneco de Barro". No entanto, optei por utilizar a denominação "Camponeses comendo de um tarro", na medida em que identifica à priori a temática da peça.
Técnica:
Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior esp...
Ver maisessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura.
Um dos aspectos que mais caracteriza os bonecos de Estremoz, e diferencia este figurado do restante, é o facto destes nascerem nus e serem posteriormente vestidos.
Um boneco de Estremoz é constituído por diversas partes que são unidas entre si. Assim, a primeira peça a ser realizada é a base, que é feita através de um pedaço de barro espalmado por intermédio de uma palmatória. A próxima tarefa consiste em fazer as pernas ou saias e seguidamente o tronco. Com uma bola de barro, e um molde, segue-se a face e depois o pescoço. Os rostos são, na maior parte dos casos, feitos por meio dum molde e colados à bola de barro que constitui a cabeça. Com a ajuda dum teque ou teco (palheta na gíria dos artesãos) modela-se o cabelo. Coloca-se o boneco na base, previamente feita e com furos no local onde este vai assentar, colando-o com barbutina ou lamugem na gíria bonequeira.
De seguida, passa-se para a elaboração dos braços que é realizada através de um rolinho. Corta-se a extremidade que liga ao ombro e faz-se em seguida as mãos. Estas são feitas espalmando-se a extremidade do braço menos grossa, e depois, por intermédio de uma série de incisões com a ajuda dos já mencionados teques criam-se os dedos. Unem-se os braços ao tronco com lamugem.
É altura então, de vestir os bonecos e colocar todos os adornos referentes ao modelo representado, como chailes, lenços, brincos, chapéus e um número infindável de enfeites saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990).
Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco.
Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento.
Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto.
As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
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Incorporação: Anterior Proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
- BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
- CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
- CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
- CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
- FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
- PARVAUX, Solange - La Céramique du Hault-Alentejo. Paris, Lisboa: Puf, Gulbenkian, 1968
- PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
- VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
- VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
- VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
- VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990