Mulher com lenço na cabeça
-
Museu: Museu Nacional de Etnologia
-
Nº de Inventário: AR.102
-
Super Categoria:
Etnologia
-
Categoria: Artes plásticas
-
Autor:
Autor desconhecido (-)
-
Datação: Século 20
-
-
Técnica: A especificação da técnica encontra-se no campo do Historial.
-
Dimensões (cm): Alt. 10,8 x Larg. 4
-
Descrição: Mulher em barro policromado, representando uma figura antropomórfica feminina em pé.
A figura assenta numa base de contornos irregulares de tonalidade castanha.
A Mulher apresenta dois sapatos e uma saia de formato tronco-cónico decorada com pregas. Os membros superiores apresentam-se arqueados para dentro. A cabeça apresenta dois pontos negros que representam os olhos, encimados por dois traços de tonalidade castanha que figuram as sopbrancelhas. O nariz é triangular em relevo e a boca é representada por uma linha recta de cor vermelha. O queixo é saliente e de cada lado da face é visível uma rosácea cor de rosa. Na cabeça figura também, cabelo castanho encimado por um lenço de tonalidade branca que forma um triângulo nas costas e apresenta na parte frontal do tronco duas pontas que se cruzam junto ao pescoço.
A figura ostenta sapatos negros, uma saia negra e um corpete de tonalidade azul. Apresenta ainda, uma camisola branca com as mangas arregaçadas exibindo pregas e na cintura encontra-se uma faixa de tonalidade amarela que apresenta na parte traseira pontas pendentes que se cruzam.
-
-
Origem/Historial: Na ficha de inventário dactilografada e no Livro de Tombo a peça tem a designação "Boneco de Barro". No entanto, optei por utilizar a denominação "Mulher com lenço na cabeça", na medida em que identifica à priori a temática da peça.
No Livro de Tombo é referido que este objecto não apresenta o carácter do boneco de Estremoz.
Técnica:
Os métodos utilizados na barrística são, os de rolo, da bola e da lastra, esta última, na elaboração de vestuário e bases. As partes constituintes dos bonecos, que apresentam maior espessura e volume são previamente picadas por meio de uma agulha ou arame e depois corrigidos com os dedos. Este procedimento permite uma maior secagem no interior do boneco evitando assim, quebradura e fendilhagem no acto da cozedura.
É altura então, de colocar todos os adornos referentes ao modelo representado saídos da imaginação do artista, empregando-lhes assim, "movimento, vida, alma" (Vermelho, Joaquim, Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística, página 76, Limiar, 1990).
Deixa-se o boneco secar e vai ao forno ou à mufla a 800 cº ou 850 cº, no entanto, é importante referir que durante a modelação do boneco convém deixar secar a peça durante as fases da união das várias partes constituintes do boneco.
Os bonecos são peças muito frágeis e portanto, são necessários muitos cuidados no processo de enfornamento.
Finalmente, o boneco passa pelo processo de pintura onde prevalecem o verde, o azul, o vermelho, o zarcão, o amarelo, o branco, o roxo, o laranja e o preto.
As tintas utilizadas são os óxidos que são dissolvidos em água e misturados com grude previamente derretido. Contudo, foram introduzidos recentemente, por questões comerciais e técnicas, têmperas, ou seja tintas a água ou plásticas que são misturadas com colas resinosas para madeira. Estas colas proporcionam ao boneco, resistência à luz e à humidade, sem no entanto, prejudicar a cor. Sobre a pintura seca é colocado um verniz que, nos séculos passados, era fabricado pelos próprios barristas através de processos que se perderam. Foram posteriormente substituídos por vernizes industriais.
-
Incorporação: Anterior Proprietário: Ester de Matos Endereço: Estremoz
-
Bibliografia
- AZINHAL, Abelho - Memória sobre os barros de Estremoz. Lisboa: Panorama, 1964
- BORRALHO, Álvaro António Gancho - As Artes do Barro. Contribuição para o estudo dos Bonecos de Estremoz, Dissertação de Tese de Licenciatura em Sociologia vertente de Sociologia da Cultura. ISCTE, Lisboa: 1993
- CHAVES, Luís - Os Barristas Portugueses: nas escolas e no povo.. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1925
- CONDE, António Fialho - "A Olaria Alfacinha e o Contributo dos Mestres", "Mestres Oleiros no Alentejo" in Mestres Artesãos do Século: artefactos do mundo por mãos portuguesas. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação: FIL, 2002
- CORREIA, Virgílio - "Brinquedos na Louça de Estremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
- FERRO, António - "Bonecos de Barro" in Vida e Arte do Povo Português. Lisboa: 1940
- PARVAUX, Solange - La Céramique du Hault-Alentejo. Paris, Lisboa: Puf, Gulbenkian, 1968
- PESSANHA, D. Sebastião - "Bonecos de Extremoz" in Revista Terra Portuguesa - Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia, Volume 1. Lisboa: 1916
- VERMELHO, Joaquim - "Mobilidade e Influências nos bonecos de Estremoz" in Conversas à volta da Olaria. Oficinas do Convento: Associação Cultural de Arte e Comunicação, Dezembro 1998
- VERMELHO, Joaquim - "O Culto do Figurado de Estremoz" in Cultus: o mistério e o maravilhoso nos artefactos portugueses. Lisboa, IEFP: FIL, 2001
- VERMELHO, Joaquim - "Olaria e Barrística de Estremoz" in Artesanato da Região do Alentejo. Évora: IEFP, 2000
- VERMELHO, Joaquim - Barros de Estremoz: Contributo Monográfico para o Estudo da Olaria e da Barrística: Limiar, 1990