Leito

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 483
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1675/1750
  • Dimensões (cm): Alt. 165 x Larg. 92 x Prof. 188
  • Descrição: Cabeceira dividida em dois registos, com coroamento. O primeiro registo é constituído por uma barra horizontal entalhada e vazada, ornamentada com "putti" e enrolamentos de folhagem estilizada com remates em cabeça de pássaro (jatuyu?). O remate, ligeiramente alteado, apresenta bilros dispostos no recorte superior. É composto por idênticos enrolamentos, alinhados no sentido vertical, tendo ao centro uma forma estilizada. Bilros de forma idêntica, mas de menores dimensões, dispõem-se no sentido descedente, intercalados com balústres torneados que fazem a ligação ao andar inferior. Este apresenta balaústres de forma idêntica, dispostos no alinhamento dos anteriores. Pernas torneadas em troços de bolachas equidistantes, entre elementos esféricos, prolongadas por colunas torneadas com secções de torneado em espiral entre bolachas e discos. Quadras e ilhargueiros lisos, com parafusos nas uniões. Pés em forma de bolacha achatada. (Bastos, 1999).
  • Origem/Historial: Para Robert Smith, as pequenas peças torneadas, origem da designação "cama de bilros", colocadas verticalmente nos dois sentidos, transmitiam a ilusão de movimento contínuo, acentuado pelo torneado das colunas e pernas, o que agradava ao gosto barroco de então. O torneado tipicamente português, com estrangulamentos violentos, permite-nos uma aproximação a outras tipologias de mobiliário civil, como os bufetes e contadores (trempe), bem como ao mobiliário litúrgico, nomeadamente as grades e púlpitos de muitas igrejas, sobretudo no norte do País, as quais poderão ajudar a classificar este exemplar. Segundo este autor, a coluna torsa impôs-se entre nós na década de 1680/90, tendo então decorado as grades e os púlpitos das igrejas, o que, como notou Bernardo Ferrão, obriga a situar o fabrico de mobiliário com elementos torneados em espiral no último quartel do século XVII e primeira metade do século XVIII. Os enrolamentos terminados em cabeça de pássaro, presente neste exemplar, são igualmente observáveis noutras tipologias, nomeadamente na talha que orna o avental de alguns contadores. Nas travessas de um tamborete seiscentista pertencente ao acervo do MNAA (inv.992), Maria Helena Mendes Pinto encontrou claras influências da arte indo-portuguesa. Aliás, para muitos autores, a talha que orna a cabeceira deste tipo de leito denota idêntica filiação. No entanto, elementos tipicamente europeus, como aves, querubins, emblemas religiosos e conchas barrocas invadiram progressivamente a cabeceira destes leitos, esbatendo ou apagando os vestígios dessa arte. (BASTOS, 1999) No "Cadastro dos Bens do Domínio Público" do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego (Museu de Lamego), de 1942, a cama é referida: "315. Uma formosissíma cama de pau preto, de bilros, tipo peninsular, com colchão e colcha de damasco vermelho de fina qualidade, medindo de altura, na cabeceira, 1,m65; de comprimento 1,83 m e de largura 0,92. 5.000$00"
  • Incorporação: Fausto Guedes Teixeira (Proc. 1-A.1/Oft.)

Bibliografia

  • AML Mns. "Cadastro dos Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego": 1940
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
  • RIBEIRO, Agostinho - Mobiliário do Museu de Lamego (catálogo). Lamego: Museu de Lamego, 1997

Exposições

  • Mobiliário do Museu de Lamego

    • Lamego
    • Exposição Física

Multimédia

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