Murejona

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BG.236
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Pesca
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: Século 21
  • Dimensões (cm): Alt. 25 x Larg. 53,5 x Diâm. 52,5 x Prof. 23
  • Descrição: Murejona de formato esférico achatada nos dois pólos e provido de duas entradas no eixo vertical, feito de malha de arame. A malha de arame exibe uma trama triangular. Os elementos que constituem a trama são unidos, entre si, por cordão de nylon de cor laranja, através de nós. Estes cordões, que reforçam a estrutura da peça, formam linhas circulares concêntricas. O objecto é provido, na extremidade inferior, de uma entrada cilindriforme, por onde, em contexto de uso, o peixe entra. A entrada oposta, que constitui a abertura da peça, é envolvida por cordão de nylon de cor verde e laranja, de forma a reforçar e rematar a técnica. A abertura é, ainda, composta por uma porta circular, feita através de um aro de arame, cujo interior é preenchido por uma rede de cordão de nylon de cor verde. A porta é unida à peça, de um dos lados, com um cordão de nylon de cor amarela, que se prolonga para além desta. Este cordão é fixado a uma alça, também em cordão, disposta frontalmente, em relação ao primeiro, cujos pontos de fixação se encontram próximo da abertura da peça. A alça e o cordão unidos servem para conter a porta e para transportar a peça. O objecto apresenta no interior, na extremidade inferior, cinco anzóis equidistantes fixados com de cordão de nylon de cor verde, que em contexto de uso ficam suspensos. A extremidade inferior da peça exibe um cabo de nylon de cor verde que tem a designação de chicote. Este serve para suspender a peça à madre, tornando-a um elemento de conjunto, ao qual se designa caça, caçada, ou caceia. Entrada do peixe, diâmetro (cm):11,5 Entrada por onde é retirado o peixe, diâmetro (cm): 4
  • Origem/Historial: Armadilha de gaiola para a captura de peixes. A colecção já existente no MNE de Pesca Artesanal Portuguesa é constituída por objectos colectados nos anos sessenta e setenta do século XX por Lino da Silva (97 registos), Ernesto Veiga de Oliveira e Sebastião Pessanha (33 registos cada um) - tendo também colaborado Carlos Medeiros, Rafael Rúdio, Margarida Ribeiro, Lapa Carneiro e Margot Dias. O conjunto de artes de pesca reunido na campanha etnográfica sistematizada pelo Doutor Luís Martins, iniciou-se em 2004, resultou inserida no projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com bolsa de Pós Doutoramento em Antropologia. Propunha, como núcleos de pesquisa, a constituição de uma nova colecção etnográfica e a estruturação de uma exposição no MNE. Ao longo da pesquisa pretendeu-se analisar e dar conta das transformações tecnológicas no sector resultantes da integração de Portugal na União Europeia. Nesta acção agregou-se 327 peças, uma parte das quais, (170 registos) são artes apreendidas pelas capitanias marítimas, porque consideradas em situação ilegal: utilização em época não autorizada, ou num local não permitido, ou por o tipo de aparelho não ser licenciado. A recolha foi efectuada, na sua maioria, por Luís Martins (233 registos) tendo também colaborado Cláudia Freire, Joaquim Pais de Brito, João André, João Coimbra e Marta Pita.

Bibliografia

  • BRANDÃO, Raúl - Os Pescadores. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1923
  • FRANCA, Maria de Lurdes Paes da - A pesca artesanal local na costa continental portuguesa. Lisboa: Instituto de Investigação das Pescas e do Mar, 2001
  • REBORDÃO, Fernando Rui - Classificação de artes e métodos de pesca. Lisboa: Instituto de Investigação das Pescas e do Mar, 2000
  • RODRIGUEZ, Benigno Santamaria - Diccionario de artes de pesca de España y sus posesiones. Galicia: Conselleria de Pesca, Marisqueo de la Xunta de Galicia, 1923
  • SILVA, A. A. Baldaque da - Estado actual das pescas em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889

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