Leito
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 4637
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Mobiliário
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1750/1799
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Técnica: Forjado e policromado
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Dimensões (cm): Alt. 219 x Larg. 131 x Prof. 201
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Descrição: Cabeceira recortada, vazada e alteada, composta por um registo com coroamento. Este é composto por pares de volutas afrontadas dispostas entre réguas horizontais. O remate desenvolve-se em torno de uma cartela central, apresentando uma composição de volutas desenvolvidas a partir de palmetas, com flores de oito pétalas nas extremidades. Lateralmente, elevam-se numa voluta aberta, rematada numa pequena palmeta encimada por uma vírgula. A cartela central, rematada superiormente por uma cruz latina de extremidades em forma de trevo, apresenta, ao centro, uma flor de oito pétalas, e assenta sobre lambrequim (incompleto). É decorada com um monograma pintado (JMA) entre uma coroa de flores e dois raminhos cruzados.
As colunas afuniladas de sustentação do dossel (armação) apresentam secção circular na metade superior e quadrada na metade inferior, separadas por anel ou nó.
Assenta em dois cavaletes ("bancos") formados por uma barra horizontal com pernas transversais verticalizadas, terminadas em U invertido. Estes "bancos" unem-se através de dois ilhargueiros, com uma perna central com idêntica forma e colocada no mesmo sentido do ilhargueiro. (Bastos, 1999)
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Origem/Historial: Parece ser esta estrutura a origem da designação "cama de bancos" -sobre ela assentavam as tábuas sobre as quais se montava a cama propriamente dita-, aplicável quer a exemplares de ferro, quer de madeira, dos quais o antigo Paço possuía inúmeros exemplares entre os seus trastes. Em 1821, mobilava o quarto do Bispo "Huma barra de ferro para Cama com Cortinado de tafetá azul claro, avaliada em dezanove mil e duzentos reis". No mesmo ano, encontrava-se num dos quartos do corredor "Huma cama de bancos de ferro Cabeceira pintada, avaliada em tres mil e duzentos reis" (Doc. I). Também no extinto Convento das Chagas de Lamego existiam leitos de ferro, nomeadamente na cela da abadessa, possivelmente exemplares modestos vulgarizados no séc. XIX.
Este repertório ornamental repete-se nas grades de ferro da capela do Santíssimo Sacramento da Sé colocadas em 1761 (actualmente colocadas num dos extremos da fachada do Museu, ao lado da capela da Estação do Senhor dos Passos). Nela, as flores de oito pétalas características das oficinas de Entre-Douro e Minho foram substituídas por florões e as volutas, por sua vez, dispõem-se numa composição mais elaborada. Nas escadas de acesso (pela nave) ao Coro Alto da Sé de Lamego conservam-se umas portas de ferro pintado. Nelas se observam volutas com folhagem, flores de oito pétalas e palmetas, distribuídas pelos dois registos que formam o coroamento. Ao centro, uma cartela com as armas episcopais do bispo D. Frei Feliciano de Nossa Senhora (1742-1771) sobre um lambrequim recorda a que orna a cabeceira do leito do Museu. As semelhanças encontrados entre estas grades do terceiro quartel do século XVIII e o exemplar do Museu remetem para uma mesma oficina, provavelmente do norte de Portugal, senão da cidade de Lamego.
Silva Nascimento data esta peça do século XVIII. Saliente-se a raridade desta estrutura, uma vez que apenas se conhecem "camas de bancos" na Enfermaria do Convento de Mafra, onde se conservam vários exemplares do séc. XVIII, estes combinam uma cabeceira e armação de dossel de carvalho com bancos de ferro. (Bastos, 1999)
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Incorporação: Transferência: antigo Paço Episcopal de Lamego
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Bibliografia
- BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
- IAN/TT, Mitra de Lamego, Livro 42, Livro para as despezas das obras da Sé que houverão seu principio em 18 de Fevereiro de 1746
- IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
- NASCIMENTO, J.F. da Silva - Leitos e Camilhas Portugueses. Lisboa: ed. do autor, 1950