Tresmalho
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: BG.278
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Pesca
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 21
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Dimensões (cm): Comp. 5000 x Alt. 100
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Descrição: Tresmalho, rede de secção rectangular quando lançada e pronta para pescar, constituída por três panos de diferente malhagem, mantido em posição vertical devido a forças opostas produzidas pelo cabo de flutuação (ou de bóias) e o cabo de lastros (ou de chumbos). De acordo com esta técnica, apresenta no topo de cima uma linha com bóias e no topo inferior uma linha com pesos de chumbo. Como auxiliar de sustentação apresenta também duas varas de madeira cilindriformes dispostas na vertical.
É uma peça constituída por três redes sobrepostas, em fio de jarda, a do meio com a malhagem mais curta do que as duas exteriores. As duas redes de malhagem maior (chamadas albitanas) encontram-se muito danificadas e medem de nó a nó, na vertical, 57 centímetros. A rede do meio apresenta uma malhagem de nó a nó, na vertical, de 7 centímetros.
Tem de comprimento 50 metros medidos pelo início do entralhamento da rede no cabo. A altura da rede é de 1 metro, fixada com as duas varas que se encontram entralhadas nos dois cabos da rede.
A "tralha das bóias" tem 25 bóias cilindriformes de plástico laranja, perfuradas no centro e fixas com cordel no meio de dois nós acoplados à linha da tralha. Quando o nó do entralhe é distante as bóias fixam-se desta forma. A distância das bóias é de 1,60 metros.
A "tralha dos chumbos" apresenta 146 chumbos dispostos irregularmente ao longo da tralha. Os chumbos são feitos de chapas de chumbo de cerca de 5 centímetros de comprimento, enrolados em torno da tralha.
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Origem/Historial: A colecção já existente no MNE de Pesca Artesanal Portuguesa é constituída por objectos colectados nos anos sessenta e setenta do século XX por Lino da Silva (97 registos), Ernesto Veiga de Oliveira e Sebastião Pessanha (33 registos cada um) - tendo também colaborado Carlos Medeiros, Rafael Rúdio, Margarida Ribeiro, Lapa Carneiro e Margot Dias.
O conjunto de artes de pesca reunido na campanha etnográfica sistematizada pelo Doutor Luís Martins, iniciou-se em 2004, resultou inserida no projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com bolsa de Pós Doutoramento em Antropologia. Propunha, como núcleos de pesquisa, a constituição de uma nova colecção etnográfica e a estruturação de uma exposição no MNE. Ao longo da pesquisa pretendeu-se analisar e dar conta das transformações tecnológicas no sector resultantes da integração de Portugal na União Europeia. Nesta acção agregou-se 327 peças, uma parte das quais, (170 registos) são artes apreendidas pelas capitanias marítimas, porque consideradas em situação ilegal: utilização em época não autorizada, ou num local não permitido, ou por o tipo de aparelho não ser licenciado. A recolha foi efectuada, na sua maioria, por Luís Martins (233 registos) tendo também colaborado Cláudia Freire, Joaquim Pais de Brito, João André, João Coimbra e Marta Pita.
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Incorporação: Anterior proprietário: Capitania Marítima de Lisboa
Anterior proprietário: Capitania Marítima da Póvoa de Varzim
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Bibliografia
- BRANDÃO, Raúl - Os Pescadores. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1923
- FRANCA, Maria de Lurdes Paes da - A pesca artesanal local na costa continental portuguesa. Lisboa: Instituto de Investigação das Pescas e do Mar, 2001
- REBORDÃO, Fernando Rui - Classificação de artes e métodos de pesca. Lisboa: Instituto de Investigação das Pescas e do Mar, 2000
- RODRIGUEZ, Benigno Santamaria - Diccionario de artes de pesca de España y sus posesiones. Galicia: Conselleria de Pesca, Marisqueo de la Xunta de Galicia, 1923
- SILVA, A. A. Baldaque da - Estado actual das pescas em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889