Cadeira/conjunto

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 476
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1775
  • Dimensões (cm): Alt. 108 x Larg. 58,5 x Prof. 51,5
  • Descrição: Espaldar formado por duas peças de seção retangular, que estreitam e se afastam ligeiramente no sentido da altura. Cachaço ondulado com extremidades salientes em forma de pequenas orelhas. Tabela central lisa, recortada e vazada, que encaixa numa travessa horizontal colocada acima do aro do assento; apresentando uma série de vazados com forma de volutas enterlaçadas na metade superior, e um típico feixe de vazamentos abertos ao alto ("molho de trigo") na metade inferior. Assento de forma trapezoidal revestido de couro lavrado. Cintura reta e lisa. Pernas dianteiras galbadas em aresta viva e joelhos com recorte lateral. Pés de garra e bola. Pernas traseiras recuadas, terminando numa forma alargada e geometrizada. Trempe em H, torneada e com quadras nas ligações. Decoração do couro: moldura composta por largas volutas ora de acanto estilizado, ora preenchidas por gomos, com florão marcando os cantos; ao centro, ocupando quase todo o campo, observa-se uma larga cartela estilizada em torno de uma pequena flor de oito pétalas ao centro. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Apesar da nítida filiação destes exemplares nas formas propostas pelo "Director" de Thomas Chippendale, este modelo de tabela não corresponde a nenhum dos padrões publicados à época, antes repetindo uma forma que encontramos tanto no seu país de origem, como em Portugal e nas colónias inglesas da América. Exemplares mais acessíveis, quase sempre fabricados em madeira "da terra" (nogueira), parecem ter tido grande aceitação por parte dos marceneiros locais. Foram executados para uma clientela que incluía algumas comunidades religiosas, à volta das quais, segundo alguns autores, muitos destes artífices se fixaram. Segundo Alfredo Guimarães e Albano Sardoiera, este modelo de tabela terá conhecido uma larga divulgação na região de Lamego, tal como a estrutura, por vezes enriquecida por uma decoração entalhada. Ambas as formas repetem-se num conjunto de seis cadeiras e um canapé do acervo do Museu, aqui numa interpretação mais cuidada e rica (Inv. 398-404). Este móvel integra um conjunto de sete cadeiras do Museu (Inv. 476-482), número originalmente mais elevado, como se pode constatar pela adaptação de parte da estrutura (tabela e cachaço) de dois destes exemplares a duas cadeiras do Museu (inv. 353 e 354). O padrão do assento corresponde à produção de uma oficina, identificada por Franklin Pereira, ativa desde os finais do século XVII até ao terceiro quartel do século XVIII, a qual terá usado este padrão nos assentos, repetindo-se parte dos seus elementos nos espaldares das cadeiras, nomeadamente a cercadura com gomos. Ainda segundo F. Pereira, a técnica usada no trabalho do couro, designadamente os filetes traçados com goiva, o trabalho do cinzel e rebaixamento das linhas exteriores, é típica dessa oficina.(Bastos, 1999)
  • Incorporação: antigo Paço Episcopal de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
  • RIBEIRO, Agostinho - Mobiliário do Museu de Lamego (catálogo). Lamego: Museu de Lamego, 1997

Exposições

  • Mobiliário do Museu de Lamego

    • Lamego
    • Exposição Física

Obras relacionadas

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