Atafona
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AR.944
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Sistemas de moagem
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Autor:
Autor desconhecido (Desconhecido)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Alt. 249
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Descrição: Atafona de transmissão directa, de roda motriz ao raso do solo.
A atafona é constituída por um pilar de madeira, paralelepipédico. Próximo da extremidade superior e inferior, o pilar está revestido, em toda a sua volta, por uma tira fina de metal. Na face superior e inferior possui, respectivamente, um aguilhão em metal: no topo, um destaque cilindriforme; na base, um destaque fusiforme. O aguilhão de cima gira sob uma peça pequena de madeira rectangular - a chumaceira. O aguilhão de baixo gira sobre uma rela de metal, de formato paralelepipédico, que está cravada numa tábua pequena - o urreiro.
A cerca de um terço da sua altura, o pilar possui encaixado perpendicularmente, um tronco de madeira encurvado (para baixo) - a almanjara - que se afasta do pilar em cerca de 202 cm. Na outra extremidade, a almanjara tem uma canga que se destina a um só animal.
A metade da sua altura, o pilar apresenta ainda embutido um outro tronco de madeira, disposto na diagonal, no qual se apoia a almanjara.
A cerca de 43 cm de altura, o pilar tem uma roda motora de madeira, disposta na horizontal. Em todo o seu perímetro, a roda está cravada com oitenta e quatro dentes - pequenas peças em madeira, de formato cilindriforme, dispostas na horizontal. O interior da roda é constituído pelo cruzamento de dois pares de barrotes, paralelepipédicos, dispostos na horizontal. O cruzamento destes dois pares de barrotes forma ao centro uma abertura quadrada, na qual encaixa o pilar central.
O sistema de moenda localiza-se ao lado da roda motora. É composto por duas pedras cilindriformes sobrepostas, dispostas na horizontal: o pé ou pouso (a de baixo, fixa); e a andadeira (a de cima, móvel). O pouso apresenta encaixado ao centro uma bucha circular, de madeira, por onde passa um veio de metal, disposto na vertical, sobre o qual encaixa e gira a segurelha. A segurelha consiste numa barra de metal, rectangular, disposta na horizontal, presa à extremidade inferior da andadeira. A andadeira é vazada no centro - o olho.
As mós estão montadas sobre uma bancada. O estrado da bancada é rectangular, formado por duas tábuas de madeira, dispostas paralelamente, e estende-se para a frente, para além das mós, servindo de tremonhado (para onde cai a farinha). A bancada está assente em quatro pés de madeira, cilíndricos, dispostos na vertical.
O estrado da bancada é balizado em cada um dos lados por um barrote de madeira (ao nível do pouso). Sobre estes dois barrotes, assenta outra estrutura em madeira, em forma de U (que está quase ao nível da face superior da andadeira). Sobre esta estrutura em forma de U, existe pregado (ao nível da andadeira) em cada um dos lados um barrote semi-circular que funcionam como cambeiros. Na parte detrás, o barrote em forma de U está escavado, encaixando aí uma cunha de madeira.
Na parte debaixo da bancada encontra-se o sistema de engrenagem da atafona.
O veio de metal do pouso (que se eleva até à segurelha da andadeira, e que a faz girar) prolonga-se também para baixo e atravessa, na sua extremidade inferior, um carrete de madeira.
O carrete tem um formato cilíndrico, é composto por quatro fuselos, e engrena por sua vez, na roda motora horizontal (encaixada no pilar da atafona), fazendo girar a mó andadeira.
O veio possui na extremidade inferior um aguilhão em metal: um destaque fusiforme. O aguilhão gira sobre uma rela de ferro, de formato paralelepipédico, que está cravada num barrote de madeira, de formato paralelepipédico - o urreiro (que acompanha quase a totalidade do comprimento da bancada). O urreiro diminui de espessura nas extremidades para encaixar em dois pés, de formato cilindriforme, que o apoiam.
Ainda na parte detrás da bancada, existe uma tábua de madeira, rectangular, disposta na horizontal e assente sobre os dois barrotes que balizam o estrado. Esta tábua possui também um orifício, no qual passa um veio em metal que se prolonga para baixo, encaixando no urreiro (comum ao veio do carrete). Na parte de cima da tábua, o veio é ajustado por uma espécie de rosca, funcionando como aliviadouro (que serve para regular o afastamento entre as pedras).
(Como objecto solto) A atafona tem ainda um carrete suplementar, de formato cilindriforme, de madeira, composto por quatro fuselos.
(Como objecto solto) A atafona tem ainda "uma tábua de suporte da boneca", um segmento de madeira rectangular, com um recorte curvilíneo numa das extremidades. A boneca é o elemento que faz vibrar a quelha (por onde cai o grão para o olho da andadeira).
Pilar
Altura (cm): 249
Almanjara
Comprimento (cm): 296,5
Tronco de madeira
Comprimento (cm): 124
Roda motora horizontal
Diâmetro (cm): 163,5
Barrotes que balizam o pouso (na bancada)
Comprimento (cm): 125
Comprimento (cm): 216,5
Andadeira
Diâmetro (cm): 68,5
Altura (cm): 7,5
Diâmetro do olho (cm): 11,5
Pouso
Diâmetro (cm): 69
Altura (cm): 12
Cunha
Comprimento (cm): 52
Carrete suplementar
Altura (cm): 31
Tábua de suporte da "boneca"
Altura (cm): 20
Largura (cm): 8,8
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Origem/Historial:
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- DIAS, Jorge; Oliveira, Ernesto Veiga; Galhano, Fernando - Sistemas Primitivos de Moagem em Portugal - Moinhos, Azenhas e Atafonas: I - Moinhos de Água e Azenhas. Porto: Instituto de Alta Cultura/Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, 1959
- GALHANO, Fernando - Desenho Etnográfico de Fernando Galhano I - Portugal. Lisboa: IICT/INIC/CEE, 1985
- GALHANO, Fernando - Moinhos e Azenhas de Portugal. Lisboa: Associação Portuguesa dos Amigos dos Moinhos, 1978
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; Galhano, Fernando, Pereira, Benjamim (*) - Tecnologia Tradicional Portuguesa - Sistemas de Moagem. Lisboa: INIC/Centro de Estudos de Etnologia, 1983