Eira e Espigueiro

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AO.403
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes plásticas
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 55 x Alt. 41 x Larg. 29
  • Descrição: Eira e espigueiro em barro policromado. A peça, assente sobre uma base plana rectangular de tonalidade cinzenta e verde, é composta por três elementos centrais: um alpendre que alberga uma figura antropomórfica feminina, disposto numa extremidade, o espigueiro que se ergue na extremidade oposta e, ao centro, a eira com dois grupos de figuras antropomórficas masculinas e femininas (malhadores), junto de uma terceira figura que representa o patrão, malhando um monte de espigas. O alpendre é constituído por duas paredes rectangulares cinzentas, encimadas por um telheiro cor de laranja de configuração similar. A figura feminina que se encontra sob o alpendre é constituída pelos membros inferiores cilíndricos, parcialmente cobertos por uma saia de forma tronco-cónica, e o tronco cilindriforme. Os membros superiores encontram-se arqueados e erguidos à altura dos ombros com as mãos segurando uma vassoura amarela de forma oblonga. A cabeça apresenta dois pontos negros delimitados por elipses incisas que figuram os olhos, uma boca vermelha saliente, nariz proeminente e duas incisões laterais que representam as orelhas, de onde pendem brincos dourados. A cabeça apresenta, ainda, o cabelo pintado a negro. Sobre esta é disposto um chapéu cónico amarelo, de aba circular larga, decorado com linhas incisas que figuram a palha. Na extremidade oposta erguem-se quatro colunas cinzentas, de formato cilíndrico, encimadas por uma plataforma cinzenta, de formato rectangular, disposta transversalmente sobre as mesmas. Sobre esta é visível um espigueiro paralelipipédico de paredes amarelas ripadas, rematado por um telhado de duas águas ornado com uma cruz dourada no topo. Sob o espigueiro são visíveis duas cestas, uma amarela com incisões que figuram a palha e outra cor de laranja. Na eira, entre o alpendre e o espigueiro, são dispostas frente a frente duas filas de trabalhadores compostas por duas figuras antropomórficas masculinas e duas femininas, e entre estes um amontoado de espigas de milho. Na fila que se encontra voltada de costas para o alpendre, as figuras femininas de postura inclinada, são constituídas pelos membros inferiores cilíndricos, parcialmente cobertos por uma saia tronco-cónica, e o tronco cilindriforme. Os membros superiores encontram-se flectidos com as mãos segurando uma vara em arame de extremidade enrolada e fechada em "o", assente sobre as espigas. Da extremidade da vara pende, através de um gancho em arame, um segmento cilindriforme amarelo que representa uma espiga de milho. A cabeça apresenta dois pontos negros delimitados por elipses incisas, figurando os olhos, uma boca vermelha saliente, nariz proeminente e duas incisões laterais que representam as orelhas de onde pende dois brincos dourados. A cabeça apresenta, ainda, o cabelo pintado a negro. Sobre esta é disposto um chapéu cónico de aba circular larga, pintado de amarelo e decorado com linhas incisas que figuram a palha. As figuras masculinas, de postura idêntica às anteriores, são compostas pelos membros inferiores e o tronco cilindriformes. Os membros superiores encontram-se flectidos com as mãos segurando uma vara semelhante à das figuras femininas. A cabeça apresenta dois pontos negros delimitados por elipses incisas, figurando os olhos, uma boca vermelha saliente, nariz proeminente e duas incisões laterais que representam as orelhas. A cabeça apresenta, ainda, o cabelo pintado de negro. Sobre esta é disposto um chapéu similar ao das restantes figuras. Na fila que se encontra de frente para o alpendre, as figuras femininas e masculinas, de configuração semelhante às anteriores, apresentam os membros superiores arqueados e erguidos à altura dos ombros com as mãos segurando a vara disposta longitudinalmente junto ao tronco. Junto a esta fila é visível uma quinta figura feminina, de configuração similar às restantes, com as mãos segurando um engaço amarelo, revestido a pregos, com o cabo em arame. Atrás desta fila é visível uma quinta figura masculina, que representa o patrão. A figura é constituída pelos membros inferiores e o tronco cilindriformes. Os membros superiores encontram-se arqueados, com a mão esquerda segurando um jarro e a mão oposta uma caneca. A cabeça apresenta dois pontos negros delimitados por elipses incisas, figurando os olhos, boca vermelha saliente, nariz e queixo proeminentes, um bigode negro em relevo e orelhas semicirculares. A cabeça apresenta, ainda, o cabelo negro. Sobre esta é disposto um chapéu azul de aba circular revirada. As paredes do alpendre são decoradas com linhas incisas pintadas a branco que representam tijolos. O telhado do alpendre e do espigueiro apresentam incisões que figuram as telhas. As figuras femininas envergam saias com avental e camisolas pintadas em tonalidades multicolores (azul, castanho, vermelho, negro, roxo e cor de rosa). As saias são decoradas com incisões e riscas longitudinais multicolores e as camisolas são ornamentadas com manchas pintadas em tons de branco, rosa, vermelho e verde. As figuras masculinas exibem calças de tonalidades multicolores (negras, castanhas, roxas) e vestem camisas brancas, decoradas com manchas de cor verde e vermelha, com coletes coloridos em tons de roxo, vermelho, castanho e azul.
  • Origem/Historial: Na ficha manual a peça tem a designação "Figurado de barro". No entanto, optei por utilizar a denominação "Eira e Espigueiro" na medida em que identifica à priori a temática da figura. A designação "Eira e espigueiro" consta na ficha manual como o nome local. Pelas similaridades existentes com outras figuras, é possível que esta peça seja da autoria de Domingos Gonçalves Lima, de alcunha "Mistério".
  • Incorporação: Anterior proprietário: Comissão Municipal de Turismo de Barcelos
  • Centro de Fabrico: Barcelos

Bibliografia

  • BARRETO, Maria Angélica Abreu L. Cruz - Figurado de Barcelos - Investigação realizada para a conclusão de Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa. Universidade Nova de Lisboa - F.C.S.H -: Policopiado, 1990
  • CARNEIRO, Eugénio Lapa - Donde vem a confusão entre louças do Prado e louças de Barcelos. Barcelos: 1962
  • CARNEIRO, Eugénio Lapa - São de barro, não pecam - D. Frei Bartolomeu dos mártires e a antiguidade da indústria dos bonecos de Barcelos, in Separata da Revista de Barcelos, 2ª série. Barcelos: 1998/1999
  • CLÁUDIO, Mário - Rosa. Porto: Imprensa Nacional da Casa da Moeda, 1988
  • IEFP, Feira Internacional das Indústrias da Cultura - Figuras e Figurados - O culto, a festa e o quotidiano, FIL, 5 a 9 de Novembro de 1997: 1997
  • IEFP, Ministério da Segurança Social e do Trabalho - Mestres Artesãos do Século - Artefactos do mundo por mãos portuguesas, Feira Internacional do Artesanato, FIL, 29 de Junho a 7 de Julho de 2002
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de (*) - Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/Museu Nacional de Etnologia, 2000
  • PEIXOTO, Rocha - As Olarias de Prado: Museu Regional de Cerâmica, Cadernos de Etnografia, nº 7, 1966
  • SEIXAS, Paulo Castro; Providência, Paulo - Figurado uma visão do mundo, Exposição. Barcelos: Câmara Municipal de Barcelos, Museu de Olaria, 2002
  • VILLAS BOAS, Joaquim Selles Paes - Um Capítulo da Etnografia Barcelense, as Olarias: Companhia Editora do Minho, 1951

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