Canapé/conjunto

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 355
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: 1750/1800
  • Dimensões (cm): Alt. 89 x Larg. 233 x Prof. 70
  • Descrição: Canapé de quatro lugares com espaldar individualizado, composto por quatro espaldares do tipo "violonné", côncavo e moldurado, unidos entre si por peça entalhada. Cachaço recortado, vazado e entalhado, rematado por um motivo concheado. Apoios curvos, igualmente moldurados. Decoração entalhada composta por concheados, volutas em C e folhagem. Tabela central recortada, entalhada e vazada tendo, ao centro, dois oitos entrelaçados, que se desenvolvem inferiormente numa sugestão de fitas entrelaçadas. Braços curvos acompanhando a curvatura das ilhargas e da cintura, inserindo-se diretamente nos apoios recuados; estes são igualmente curvos com folhagem estilizada entalhada na base. Apresenta ao nível da cintura quatro lugares marcados na frente. De frente ondulada, apresenta pequenos aventais entalhados com concheados, CC e folhagem estilizada formando uma composição assimétrica. Coxim amovível estofado e revestido de damasco. Pernas dianteiras galbadas, ornadas por cartela "rocaille" junto à cintura, da qual pendem cálices florais imbricados. Pés dianteiros em cachimbo, ornados de folhagem estilizada. Pernas traseiras galbadas e lisas, terminando em tacão. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Filiando-se diretamente nos modelos franceses, nomeadamente no "Fautil en cabriolet", estes exemplares ostentam a forma côncava do espaldar que caracterizou este assento, ao qual os nossos artífices acrescentaram uma tabela ao gosto inglês. O "cabrilolé" ou "cadeira acabriolada", terá surgido em meados do século XVIII, como resposta às novas exigências, nomeadamente de conforto, tendo tido "uma difusão social bastante restrita". Distribuídos pelos aposentos em grupos de seis ou mais exemplares, eram por vezes acompanhados por um ou dois canapés. De acordo com as descrições dadas nos inventários, grande parte, senão a maioria, possuía assentos de damasco carmesim, pés de influência francesa e espaldares desprovidos de estofo (habitual nos modelos franceses). Estes terão sido certamente substituídos por tabelas como as que ornam os espaldares dos exemplares do Museu. Este conjunto numeroso da colecção do Museu parece ser o que em 1821 mobilava a sala de visitas do Paço, juntamente com quatro mesas de jogo e duas papeleiras. Foi descrito no inventário desse ano como "Hum canapé e vinte e quatro cadeiras, com Almofada de Cabello, coberta de encarnado huma das Cadeiras com Accento de palhinha, avaliado tudo em oitenta e oito mil, e Oitocentos reis". Em 1826, encontramo-lo disperso por várias dependências de menor importância, para aí relegado em virtude da nova moda que então se impunha: a palhinha aplicada a exemplares de linhas direitas. Entre 1821 e 1826, as cadeiras de palhinha invadiram o Paço e na sala de visitas são já em número de dezanove em 1826. Mais tarde, este conjunto parece ter regressado à primeira dependência, pois é mencionado no inventário de 1860 a par das já referidas mesas de jogo: "hum canapé de quatro encostos com assento de pita, madeira de nogueira=vinte e trez cadeiras de nogueira com braços e assentos de pita em bom uzo". Em 1908, este jogo encontrava-se no salão de audiências usuais, disposto ao longo das paredes, encontrando-se ainda "armadas" com algumas das tapeçarias que hoje se expõem no Museu. Apresenta grandes semelhanças com um conjunto de catorze cadeiras do antigo Paço (Inv. 463-475) as quais, segundo Alfredo Guimarães e Albano Sardoeira, terão sido realizadas pelo mesmo artífice, pois as analogias estendem-se à própria obra de talha, de uma delicadeza muito próxima da ourivesaria, sobretudo a que orna os joelhos e o remate do cachaço. No Museu de Grão Vasco (Viseu) conserva-se um conjunto cuja estrutura repete a destes exemplares. Composto por um canapé de três lugares e seis cadeiras de braços (Inv. 1920-1926) é executado em nogueira e as suas tabelas são idênticas às das cadeiras atrás referidas. (Bastos, 1999).
  • Incorporação: antigo Paço Epsicopal de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º50, Inventário de todos os moveis da Mitra de Lamego feito por ordem do Governo de Sua Majestade. Lamego: 1860
  • RODRIGUES, José Júlio - O Paço Episcopal de Lamego. Porto: 1908

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