Descrição: Espaldar inclinado e moldurado com cachaço alteado em arco de círculo, cantos arredondados e lados que estreitam e se afastam no sentido da altura. Tabela lisa, recortada e vazada, na forma de um feixe de vazamentos que se abrem em leque na metade superior, do tipo designado "molho de trigo"; na base, três vazamentos polilobados.
Assento de forma trapezoidal com coxim móvel, constituído por um caixilho de madeira aparente e palhinha. As ilhargas e a aba, de perfil ondulado, apresentam-se recortadas inferiormente, possuíndo um singelo motivo floral no centro da aba.
Pernas dianteiras galbadas, lisas e moldurads. Pés em cachimbo. Pernas traseiras de secção retangular recuadas. Travejamento reduzido às travessas laterais.
(Bastos e Proença, 1999)
Origem/Historial: O espaldar desta cadeira reproduz um modelo largamente divulgado em Inglaterra a partir de meados do século XVIII, o qual teve grande aceitação e divulgação em Portugal, sobretudo no Porto.
Sobre o hibridismo deste tipo de cadeiras, escreveu Cardoso Pinto: "(...) a este modelo despretensioso e singelo, que em Inglaterra era usado pelas classes médias, procurou-se em Portugal dar expressão artística, adaptando-o às formas curvilíneas pela substituição das pernas direitas por pernas "en cabriole" com pés Luís XV e embelezando-o de talha na aba, nas joelheiras e no cachaço; a própria travassão passou a ser torneada..."
Em 1821 são raros os móveis de assento "de palhinha" entre os que nessa data decoravam o Paço Episcopal. Contudo, cinco anos depois o inventário menciona cerca de quarenta exemplares, distribuídos por diversas divisões do Paço: quarto, gabinete e sala imediata à capela do bispo, sala de visitas e quarto de hóspedes. Este número elevado de peças introduzidas num período relativamente curto, demonsttra a aceitação de um gosto que se generalizou no reinado de D. Maria: o uso da palhinha nos móveis de assento.
Este exemplar é muito semelhante à cadeira do Museu com o inv. 430. trata-se aqui de um exemplar mais singelo, com variações apenas ao nível da aba, pés e travação.
No MNAA guardam-se quatro cadeiras idênticas às do Museu (Inv. 67 Mov a 70 Mov) as quais, apesar de executads em nogueira, apresentam coxins amovíveis revestidos de couro lavrado. Integravam o recheio do extinto Convento de Lorvão (Coimbra). (Bastos e Proença, 1999)
Incorporação: antigo Paço Episcopal de Lamego
Bibliografia
BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
PINTO, Augusto Cardoso - Cadeiras Portuguesas. Lisboa: ed. do autor, 1952
RIBEIRO, Agostinho - Mobiliário do Museu de Lamego (catálogo). Lamego: Museu de Lamego, 1997