Descrição: Tampo de forma retangular, moldurado, com lados e frente recortados, acompanhando o movimento da caixa, e cantos dianteiros arredondados.
Na frente do aro, uma gaveta ocupa toda a largura da frente, sob a qual se desenvolve um pequeno avental recortado. Pernas delgadas e galbadas.
O tampo e o aro são decorados por um marchetado formado por uma faixa periférica, constituída por veios colocados transversalmente, enquadrada por filetes, delimitan... Ver maisdo um campo preenchido por um espinhado disposto em quadrado. No tampo, possui uma larga cartela recortada, moldurada por uma série de volutas contrapostas, envolvendo um campo enxaquetado. Na frente, painéis de idêntica solução de espinhado simulam duas gavetas, separadas por uma pequena reserva rectangular, na qual se inscrevia a entrada de fechadura, atualmente tapada. As pernas são executadas em madeira maciça.
Possui puxadores de argola lisa com espelhos recortados e vazados.
(Bastos e Proença, 1999)
Origem/Historial: Nesta mesa manteve-se a decoração em painéis geométricos usados em França desde o início do século XVIII, e que pouca aceitação teve, de início, entre os nossos marceneiros. Estes preferiram trabalhar a madeira maciça tendo, para tal recorrido a madeiras exóticas como o pau-santo, ou a madeiras locais, como a nogueira e o castanho.
Os painéis retangulares, aqui sublinhados por faixas definidas por finos filetes embutidos, são forma... Ver maisdos por quatro placas dispostas em oposição umas às outras, criando um efeito de divergência do veio da madeira. Revestindo uma estrutura de casquinha forneciam, deste modo, cambiantes de luz à superfície das peças.
Em Lamego, no Paço Episcopal, para além das duas papeleiras da sala de visitas (Inv. 348), apenas figuram peças com este tipo de decoração no levantamento de 1860. Na relação desse ano são referidas três mesas marchetadas, duas delas formando certamente um par. Mobilavam a sala de visitas e forma descritas como "De pau de Cerdeira marchetads de páu preto com gavetas em bom uso". na realidade, é apenas no último quartel do século XVIII e nos primeiros anos do século XIX que os folheados com marchetados se impõem entre nós.
(Bastos e Proença, 1999)