Cómoda (par)

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 427b
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1800
  • Dimensões (cm): Alt. 92 x Larg. 125 x Prof. 72
  • Descrição: O tampo, liso e recortado, apresenta cantos dianteiros com acentuada projeção sobre os ângulos da caixa. Esta é constituída por três gavetões, o superior de menor tamanho, apresentando frentes e ilhargas onduladas nos planos horizontal e vertical e aventais de perfil convexo, profusamente recortados em curva e contracurva. Assenta em pernas baixas, curvas e os pés são em garra e bola. Toda a superfície da peça é pintada em fingimento de veios de madeiras exóticas (pau-rosa e pau-violeta). Assim, se no tampo apenas se reproduziu os veios da madeira maciça, nas frentes dos gavetãoes simulou-se uma técnica, o folheado, reproduzindo-se os característicos espinhados, os enquadramentos do veio vertical e horizontal e os filetes de madeira mais clara das peças com decoração marchetada. Nas ilhargas, repete o enquadramento tendo ao centro uma estrela de quatro pontas. Possui fechaduras do tipo usado no século XVII, observando-se os característicos gravados em X nas fechaduras dos gavetãoes superiores. (Bastos e Proença, 1999)
  • Origem/Historial: A pintura era habitualmente aplicada em móveis construídos em madeira da terra (carvalho, castanho, nogueira ou pinho), quer se tratasse da tão apreciada pintura acharoada, quer da pintura de fingimento. Esta imitava os veios de outras madeiras, como neste exemplar, no qual se simularam veios de madeira mais nobres que a do pinho da estrutura que lhe serve de base, ou os veios do mármore como na pintura marmoreada. Diz-nos Artur de Sandão ter sido esta pintura de fingimento da madeira, a óleo, largamente usada nos móveis ditos "rústicos". Assim se criava uma imagem de certa sumtuosidade com materiais de baixo custo. Este par apresenta marcadas analogias com outra cómoda do acervo do Museu, de idêntica proveniência (Inv. 426). Apesar de seguir a mesma solução decorativa, a caixa desta última desenvolve um movimento mais contido, repetindo-se de novo a forma do avental - recortado e de perfil convexo - e os pés de garra e bola que aproximam estes exempalres de uma secretária proveniente do antigo Paço (Inv. 346). O inventário de 1821 menciona três cómodas pintadas. Um destes exemplares encontrava-se no gabinete do Bispo, juntamente com um par de cómodas de nogueira e uma papeleira: "Outra Comoda de feitio torto e com tres gavetoens, avaliada em nove mil e seiscentos rs. e he pintada de Cores". No quarto imediato existia um exemplar em pinho; possuía gavetas e era pintado de amarelo. Na sacristia da capela é referida um acómoda de gavetas pintada e usada avaliada em 12$000 reis. Já em 1860 figuram no inventário "Huma cómoda de pau de castanho pintada a olio, ferragem amarela com tres gavetões em bom estado". (Bastos e Proença, 1999)
  • Incorporação: antigo Paço Episcopal de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º50, Inventário de todos os moveis da Mitra de Lamego feito por ordem do Governo de Sua Majestade. Lamego: 1860

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