Cómoda-papeleira (par)

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 343a
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1800
  • Dimensões (cm): Alt. 126 x Larg. 120 x Prof. 64,5
  • Descrição: Topo, ilhargas e tampo planos, sendo este de rebater. A frente é ligeiramente ondulada no plano horizontal, com duas gavetas ladeadas por dois estiradores e três gavetões de tamanho crescente em direcção à base, fazendo-se a transição do encurvado da frente para o plano inclinado do tampo ao nível da primeira ordem de gavetas. A base é moldurada. Assenta em pernas curvas, curtas, ornadas de folhagem entalhada. Os pés são em garra e bola. O tampo, quando aberto, revela um interior com um nicho central com porta (falta a fechadura), gavetas e escaninhos, sendo aquele formado por um módulo independente com "segredo": quando retirado, revela um compartimento independente e amovível. Este módulo central é ladeado por dois compartimentos verticais (amovíveis) cujas frentes onduladas acompanham o recorte dos entrepanos verticais, e por seis escaninhos, três de cada lado, separados por idênticos entrepanos, sendo os das extremidades rematados superiormente por uma gavetinha de frente recortada e, inferiormente, por uma gaveta; os interiores apresentam, no remate superior, uma frente de gaveta fixa. Na base, corre uma ordem de gavetas cujas frentes onduladas acompanham o recorte do entrepano horizontal. Na gaveta da esquerda conserva-se o "segredo" na forma de um pequeno compartimento escondido por detrás da traseira da gaveta e acopulado a um fundo falso, ao qual se tem acesso retirando a gaveta. No tampo, a entrada da fechadura é constituída por um losango de madeira embutido. Ferragens: são constituídas por espelhos de fechadura recortados e vazados numa composição assimétrica de volutas, concheados estilizados, flores, flores, folhagem e cacho de uvas, forma que se repete nos espelhos dos puxadores. Nas gavetas da fábrica, observam-se pequenos puxadores de metal e, na porta do nicho, um pequeno escudete oval decorado por rmoldura perlada (executado em latão). (Bastos e Proença, 1999)
  • Origem/Historial: As "papeleiras" portugueseas eram habitualemnte executadas em madeira maciça (pau-santo ou nogueira), ornando-se de talha nos ângulos e nos saiais dos exempalres mais ricos. Por vezes, como no par do Museu, seguiram as linhas direitas que dominaram os modelos ingleses dos primeiros anos do século XVIII, formas simples despojadas de ornamentação entalhada que se encontram em alguns exemplares executados por marceneiros de província, como parecem ter sido os que foram aqui substituídos por uma curtíssima perna rematando em garra e bola, forma que, como se viu, teimava em permanecer, sobretudo no mobiliário de assento. As ferragens de gosto "rocaille" que a ornam estão presentes em muitos dos melhores exemplares da nossa marcenaria do 3º quartel do século XVIII, quase sempres executados no tão apreciado pau-santo. Modelo muito divulgado na época, está por fazer o estudo que permita identificar a oficina e/ou o seu centro de fabrico uma vez que quer Lisboa, no centro do país, quer, Porto, Braga e Guimarães, no Norte, funcionaram como centros de fabrico e "exportação". Esta era dirigida não só ao mercado interno, competindo com os artigos que vinham de fora, sobretudo de Inglaterra (em quantidades verdadeiramente impressionantes e sem possibilidade de controle alfandegário por entrarem nos nossos portos sob a designação de "quinquilharia"), como para o Brasil, para onde seguiram também em grandes quantidades e onde ainda hoje se observam em muitas peças de mobiliário. No antigo Paço dos Bispos de Lamego não poderia faltar este móvel o qual, juntamente com a cómoda, constituiu a grande novidade da segunda metade do século XVIII. Em 1821, de acordo com o inventário desse ano, exemplares desta tipoloigia distribuiam-se pelas salas e pelos aposentos privados. No quarto do bispo guardava-se "Huma Papelleira de pau preto, ferrage amarella, em bom uzo, avaliada em vinte e oito mil e oitocentos reis" e num dos quartos da frente destinado a hóspedes "Huã Papeleira, de pau preto com cinco gavetas, em bom uzo, avaliada em vinte e oito mil e oitocentos reis". Cinco anos depois permanecem nos mesmos aposentos. Na Fundação Medeiros e Almeida (Lisboa) expõe-se uma papeleira idêntica. Executada em pau-santo e classificada como um exemplar do terceiro quartel do século XVIII, apresenta, no entanto, um avental entalhado que percorre a base (Inv. 4104). (Bastos e Proença, 1999)
  • Incorporação: antigo Paço Episcopal de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821

Obras relacionadas

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