Cadeira de braços
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 529
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Mobiliário
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 18/19
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Dimensões (cm): Alt. 93 x Larg. 56 x Prof. 54,5
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Descrição: Espaldar ligeiramente trapezoidal, com grade composta por três peças verticais, recortadas e entalhadas em forma de colunelos assentes em base, com fuste estriado e capitel estilizado em flor de lótus.
Os braços são horizontais, ondulados e moldurados, apresentando um estrangulamento central a partir do qual se desenvolvem numa curvatura suave, abrindo ligeiramente para fora. Terminam em extremidades boleadas que se inserem diretamente nos apoios. Estes são recuados, encurvados e boleados, alargando na base e adossando ao aro do assento.
O assento é trapezoidal, com caixilho fixo de madeira aparente e palhinha. A cintura é constituída por peças rectas e lisas.
As pernas dianteiras são de secção quadrangular, ligeiramente afuniladas, sendo as pernas traseiras recuadas. A trempe é em H descentrado, constituída por bilharda e travessas lisas de secção retangular, e travessa idêntica, colocada a maior altura.
(Bastos, 1999)
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Origem/Historial: Este exemplar segue o modelo de fig. 36 da estampa XXIV do "Drawing-book" de Thomas Sheraton, remetendo igualmente para um desenho de uma cadeira de braços no "Guide" de George Hepplewhite. Encontramo-la num desenho datado de 1789 pertencente ao arquivo da firma Gillows. Estabelecida em 1732 no Norte de Inglaterra (Lancaster) e em Londres em 1769, detinha uma vasta clientela na Irlanda e Escócia, sobretudo entre famílias católicas, que contava ainda com vários negociantes e exportadores de mobiliário.
Se o modelo é de clara inspiração inglesa, também o material em que foi executada obedece a idêntica filiação, tendo-se preferido o mogno a qualquer outra madeira, quer do reino, como a nogueira, quer de fora, como o pau-santo, o que aliás aconteceu desde o final do século XVIII. Já para o assento o material escolhido foi a palhinha, em detrimento de qualquer outro indicado nos álbuns ingleses que serviram de inspiração ao marceneiro.
Entre os exemplares de cadeiras ditas "modernas" e de "palhinha" mencionadas nos inventários do Paço, encontrar-se-iam certamente exemplares de linhas direitas, próximos desta cadeira de braços.
(Bastos, 1999)
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Incorporação: Fausto Guedes Teixeira (proc. n.º 1-A.1/oft.)
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Bibliografia
- BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999