Cadeira/conjunto

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 498
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 19
  • Dimensões (cm): Alt. 124 x Larg. 49 x Prof. 47
  • Descrição: Espaldar alto, de forma retangular, encurvado em "cabo de colher". Constituído por moldura de madeira aparente, é revestido por couro lavrado fixado por pregaria miúda de latão. O remate superior, recortado em arcos de círculo, apresenta um cachaço que se desenvolve numa forma que recorda um frontão quebrado, decorado por volutas em CC com folhagem de acanto; ao centro, apresenta um motivo em feixe de plumas. Assento revestido de couro lavrado, fixado por pregaria miúda de latão. Cintura lisa com frente e ilhargas onduladas e cantos dianteiros arredondados. Na frente, pequeno avental com motivo concheado entalhado. Pernas dianteiras galbadas, com joelhos volumosos recortados e entalhados com motivo concheado. Pés de sapata com folhagem estilizada entalhada. Pernas traseiras recuadas de secção quadrada, interrompida por troço torneado. Trempe torneada, em H descentrado, com bilharda de secção retangular; travessa traseira torneada colocada a maior altura. Decoração do couro: moldura de filete e perlado e orla interna com enrolamentos de folhagem, definindo um campo enxaquetado; um lambrequim de forma estilizada marca o remate superior do espaldar. (Bastos e Proença, 1999)
  • Origem/Historial: Esta cadeira filia-se numa vasta tipologia resultante da evolução da típica cadeira de sola portuguesa. Na primeira metade do século XVIII, esta consolidou-se numa forma que, segundo Cardoso Pinto, reuniu em si o melhor que na época se fazia: "A esbelta cadeira sem braços e de espaldar esguio, airosamente lançado, que na parte superior alarga em curvatura, para rematar por um cachaço recortado em arcos de círculo, esculturado de volutas afrontadas e finos concheados. O suave encurvamento do perfil do recosto, quebrando-lhe a rigidez, acresce a elegância do modelo, para cuja factura se preferia a nogueira" (Augusto Cardoso Pinto, "Cadeiras Portuguesas", Lisboa, 1952, p. 81). Nelas se usou diversos tipos de pé - garra e bola, bolacha e sapata, como neste exemplar- e trempes em X e em H. Contudo, o presente exemplar afasta-se destes modelos quer pela forma do espaldar, quer pelas suas proporções. As linhas retas que predominam no primeiro encontram-se ainda muito próximas dos modelos ingleses de finais do século XVII quando, na realidade, deveria seguir a orientação geral da estrutura, a qual adoptou já a linha curva. Apesar do remate do cachaço seguir a forma usual neste tipo de exemplares, a sua forma algo estranha obriga-nos a colocar a hipótese de se tratar de um dos muitos exempalres que na 2ª metade do século XIX retomaram os estilos usados em Portugal na 2ª metade do século XVII e na 1ª metade do século XVIII, numa orientação do gosto pelo antigo ditado pelo gosto revivalista de então, a que o rei D. Fernando II e o rei D. Carlos claramente aderiram. Poderá ainda tratar-se de uma peça refeita, em que a cintura parace ser o que restou de um exemplar do século XVIII, aqui aproveitada. Guardam-se no Museu mais dois exemplares idênticos (inv. 499 e 500). (Bastos e Proença, 1999) No inventário dos Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego, enviado ao Ministério da Educação em 1942, o conjunto é referido no n.º 325: "Três cadeiras de nogueira, entalhadas e forradas no assento e espaldar a couro lavrado, que pertenceram ao actor Eduardo Brasão. 1.500$00".
  • Incorporação: Fausto Guedes Teixeira (proc. 1-A.1/oft.)

Bibliografia

  • AML Mns. Cadastro dos Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego: 1942
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999

Obras relacionadas

Multimédia

  • 3375.jpg

    Imagem