Cadeira de braços

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 429
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 19
  • Dimensões (cm): Alt. 143,5 x Larg. 169 x Prof. 59,5
  • Descrição: Espaldar elevado, retangular, de lados direitos e cantos retos com coxim e almofada do encosto amovíveis. Cachaço rematado por concha e folhagem. Remate inferior do espaldar ondulado, e apoios de secção quadrada. Braços encurvados e recuados, de extremidades enroladas abrindo ligeiramente para fora e decoradas por concha, volutas entrelaçadas e cálices florais imbricados. Apoios igualmente curvos, embebendo nas ilhargas, e decorados junto à base por folhagem de acanto. Assento de forma ligeiramente trapezoidal, moldurado no recorte superior, e aro com aba ondulada, traseira e ilhargas retas. Cintura recortada inferiormente em curvas e contracurvas; na aba e nas ilhargas, repetindo-se o motivo do cachaço. Pernas curvas, as dianteiras com joelhos decorados por uma cartela que repete a composição das extremidades dos braços. Pés enrolados, os dianteiros decorados com folhagem de acanto, apoiados em socos elevados. Trempe em X ondulado, moldurada, com roseta entalhada ao centro. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Segundo o cadastro do Museu de 1940, esta era a cadeira da abadessa do extinto Convento das Chagas de Lamego. No entanto, ela figura nos inventários desse Convento como "Uma cadeira episcopal forrada de veludilho" avaliada em 2000 reis. Ora esta cadeira ostenta, nas costas do espaldar, entre outros números, uma etiqueta com o nº. 5, que poderá corresponder a este inventário. Em 1897 encontrava-se na sala de entrada, tendo sido avaliada por dois artífices de Lamego - Jacinto Duarte Triandade, mestre carpinteiro e Manuel da Silva Sampaio, entalhador. A sala de entrada do convento era, nessa época, decorada por uma mesa de castanho com pés torneados, certamente um bufete executado na região (avaliada em 1000 reis), outra mesa de castanho (600 reis), um armário de pinho (avaliado em 500 resi), um canapé de palhinha (avaliado em 800 reis), nove cadeiras de palhinha (1400 reis) e uma cómoda de castanho (avaliada em 3000 reis). Fica por esclarecer a quem servia esta cadeira - se à abadessa, se ao prelado de Lamego. Fundado pelo Bispo D. António Teles de Meneses no final do século XVI, o convento permaneceu ligado ao prelado de Lamego, sob cuja jurisdição se encontrava, e dele partiram vários bispos para a entrada solene na cidade. Não é, pois, de estranhar a permanência do seu "assento" no Mosteiro ao qual se encontravam ligados, não sendo de excluir a hipótese de ter sido um móvel que os acompanhava nas visitas ao Convento, onde terá permanecido até à morte da última freira. Parece tratar-se de uma peça executada dentro do espírito revivalista do século XIX, o que explica a ausência deste móvel nos inventários de bens do Convento de meados do século passado (1844 e 1858), surgindo apenas em relações de bens de 1897 e 1906. Por morte da última abadessa, Ana Casimira do Sagrado Coração de Jesus, ocorrida em 10 de Maio de 1906, os bens do convento foram entregues em depósito ao bispo de Lamego, vindo posteriormente a integrar o acervo do Museu. (Bastos, 1999)
  • Incorporação: (conventos extintos) Convento das Chagas de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • SILVA, José Sidónio Meneses da - "O Mosteiro das Chagas de Lamego. Vivências, espaços e espólio litúrgico. 1588-1906" Dissertação de Mestrado de História da Arte em Portugal apresentada à F.L.U.P.. Porto,: texto policopiado, 1998

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