Contador

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 502
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 19
  • Dimensões (cm): Alt. 28 x Larg. 32,5 x Prof. 21
  • Descrição: Caixa de forma paralelepipédica, com tampo saliente e duas meias portas na frente. Interior com sete gavetas - a ordem inferior corresponde a uma gaveta - dispostas em torno de um compartimento central com porta. Base saliente e moldurada. Pés recortados em esquadro com ângulos internos recortados. A peça é executada em casquinha e faixeada a ébano com placas de marfim gravado. Decoração: geométrica e simétrica, recorre a filetes e a placas quadradas, retangulares ou elípticas em marfim, com decoração floral ou geométrica; no interior das portas, decoração do tipo neo-renascentista. No tampo, ao centro, escudo moderno ou de orelhas com coroa de três pontas; a partir da orla desenvolvem-se enrolamentos vegetalistas. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Executado na tradição revivalista do século XIX, este exemplar recria a forma e a decoração dos pequenos escritórios executados na Alemanha, Paíse Baixos e Nápoles cerca e 1600. Exportados para toda a Europa, estas pequenas peças portáteis possuíam frentes com portas que tapavam um interior com pequenas gavetas agrupadas em torno de um compartimento central, ocupado por uma gaveta ou por um pequeno armário com porta. A substituição do tampo frontal por duas portas que abriam ao centro acentuou a sua função de guarda de pequenos objetos. Na realidade, tratava-se originalmente de um móvel ligado à escrita (o tampo formava uma superfície para escrever). A produção de mobiliário com ébano e marfim revestindo carcaças de madeiras menos nobres parece ter-se desenvolvido na Itália do século XVI, para onde foi levada pelos artífices alemães e dos Países Baixos. Daí terá passado rapidamente a outros centros europeus. Caraterístico da produção de Antuérpia, porto especializado no comércio de luxo, foram os pequenos contadores de portas, decorados por placas geométricas de marfim alternando com bandas de ébano, as primeiras gravadas com um repertório ornamental de teor naturalista que incluía flores e frutos, paisagens e figuras alegóricas, traçadas a tinta. A combinação do negro do ébano com o marfim permitia um austero contraste cromático, refletindo o gosto europeu pelo vestuário de corte espanhol, rapidamente transporto para o mobiliário. Aliás, a produção de Nápoles, que rivalizou com a produção de contadores de ébano de Augsburg, destinava-se inicialmente ao mercado espanhol, refletindo, como não podia deixar de ser, o gosto da clientela a que se dirigia. Daí também a forma da caixa, diferente da restante produção italiana muito próxima de formas arquitetónicas, e a ausência da forma piramidal do topo, usada quer na produção italiana, quer na alemã. (Bastos, 1999) No Cadastro de Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueoliga de Lamego, enviado ao Ministério da Educação em 1942, o contador é mencionado no n.º 328: "Um pequeno contador de madeira escura, com preciosas encrustrações de marfim(...) 1.500$00."
  • Incorporação: Fausto Guedes Teixeira (proc. 1-A. 1/oft.)

Bibliografia

  • AML Mns. Cadastro dos Bens do Domínio Público do Museu Regional de Arte e Arqueologia de Lamego: 1942
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999

Exposições

  • Tesouros (reserva)dos 02

    • Museu de Lamego
    • 1/2/2012 a 29/2/2012
    • Exposição Física

Multimédia

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