Suporte: madeira de castanho c/ armação em pinho no tardoz
Técnica: talha e ensamblagem
Dimensões (cm): Alt. 274 x Larg. 223 x Prof. 54
Descrição: Descrição: retábulo in situm, de madeira entalhada e dourada, apresenta estrutura arquitectónica maneirista, encontrando-se bastante alterado na sua estrutura original, sendo de referir como acrescentos da 1ª metade do século XVIII, as colunas espiraladas [pseudo-salomónicas] e o pedestal de suporte com respectivo frontal de altar.
Estrutura retabular: retábulo de planta recta com um só corpo e modelação vertical tripartida segundo três tram... Ver maisos separados por colunas (num total de quatro colunas) assentes sobre predela. A predela está, na sequência desta modelação, compartimentada em três partes rectangulares preenchidas com pinturas sobre madeira de António André (1612/1654); estes peineis/fundos pintados são intercalados por quatro plintos paralelepipédicos sobre os quais assentam as colunas referidas.
No tramo central é feita a abertura de um nicho de pequena profundidade, com interior entalhado e dourado definindo uma composição de faixas longitudinais que se intercalam/alternam de acordo com os motivos decorativos usados. Ás faixas com entrelaçados de folhagem de acanto sucedem as faixas com perolados. O nicho termina em meia calote. No seu interior estava exposta a escultura de madeira estofada do padroeiro referida no inventário de 1874 com o nº 10 (esta foi retirada em 1993 por razões de conservação).
Em cada tramo lateral sobressaem fiadas verticais de pinturas sobre madeira (no total de quatro pinturas), da autoria de António André.
O corpo retabular descrito assenta sobre base (sotobanco) de secção rectangular elevado a 85cm do nível do chão da capela; esta base apresenta os extremos avançados e um campo central recuado onde adossa frontal de altar em madeira entalhada e dourada.
Categoria formal / Ordem arquitectónica: no corpo do retábulo e em plano mais avançado são colocadas quatro colunas de fuste espiralado (com sete espirais cada), e com recamo de parras/pâmpanos, cachos de uvas e aves. Têem no remate capiteis coríntios sobre os quais apoia o entablamento. Os pedestais da banqueta servem-lhes de suporte e reforçam a verticalidade destes elementos arquitectónicos.
Gramática decorativa: apresenta estrutura arquitectonica caraterizadamente maneirista com "acrescentos" da 1ª metade do século XVIII que correspondem às quatro colunas pseudo salomónicas que subdivem os tramos verticais do retábulo.
Origem/Historial: O retábulo encomendado por Soror Isabel Padilha em 1623, sofreu alterações no século XVIII como são exemplo a inclusão de colunas salomónicas. As pinturas são originais do retábulo da autoria de António André; ver Domingos Maurício em "O Mosteiro de Jesus", 1967, p. 27 : "O retábulo era de talha dourada. No centro, S. João Baptista, ladeado de seis colunas dóricas, três por banda. Por baixo da imagem, esta inscrição: Lux / Propheta... Ver mais/ rum Mi / cans. Do lado do Evangelho uma imagem do Menino Jesus com a inscrição: Doctorum /Lux Spl/ ende / ns.; do lado da Epístola entre duas colunas a imagem de S.Tomás com a inscrição : "Splend/ ior Lux Amborum Luce.
Ver ainda Rangel de Quadros (p.XII e XIII), que refere ter havido troca das imagens do Menino Jesus e de S. Tomás de acordo com as referidas inscrições e a sua correspondência.
Houve reparações várias no interior do Convento em 1853; recorrente destas obras poderão ter havido intervenções nesta Capela e no tecto em madeira o qual formava desenho ortogonal com 12 rectângulos e quatro secções de três rectângulos cada, a partir do arco da Capela até ao Altar. Estas alterações forçaram a um ligeiro abatimento do entablamento do retábulo de São João Baptista visível no friso da arquitrave.
A Capela de São João Baptista do Convento de Jesus de Aveiro ostenta portal neo-manuelino de 1925; este acrescento reporta-se à data inscrita na pedra de armas (n.º inv.º /B) colocada no portal;
A data de 1925 coincide com o trabalho de restauro efectuado nesta capela;
Marques Gomes na sua obra "Apontamentos Históricos", vol.II, página 51 escreve acerca desta Capela: "tem tribuna de talha com colunas salomónicas. As paredes forradas de azulejos. São riquíssimos os adornos desta capela, especialmente os quatro reposteiros com que em dias festivos se revestem as paredes. Parece que tudo isto foi comprado por Soror Maria de Jesus, filha de uma família abastada de Coimbra";
Fr. Lucas de Santa Catharina, na quarta parte da História de São Domingos, 1767, pág. 731, escreve, referindo-se à Madre Sor Maria de Jesus, o seguinte: "Tão pobre de espírito, que podendo por morte de seus pais recolher huma grande herança, tudo deixou, (...) ficando-lhe só huma moderada tença, que lhe tinhão feito em sua vida, e ella aplicado ao ornato, e decencia do culto Divino, dispondo-a com tal governo, como mostrão ainda hoje as melhores alfayas da Sacristia, e da Capella de São João Bautista, de que era devota".
Incorporação: Transferência / Disposição Legal do Convento de Jesus de Aveiro
Bibliografia
GONÇALVES, António Manuel - Roteiro do Museu de Aveiro. Aveiro: 1960
MADAÍL, Rocha - Breve notícia da crónica da fundação do Mosteiro de Jesus de Aveiro e da Infanta Santa Joana, filha del Rei D. Afonso V, in Arquivo Distrital de Aveiro, vol III. Aveiro: 1937