Técnica: talha e ensamblagem de elementos; pintura sobre aparelho ou gessada
Dimensões (cm): Comp. 11520 mm x Alt. 920 mm x Larg. 550 mm assento ind. x Esp. 50 mm tábua do braço x Prof. 180 mm assento 390 mm
Descrição: Cadeiral organizado em duas ordens ou bancadas de cadeiras, as de trás em plano mais elevado, e dispostas em "U" no coro-alto, ficando este espaço situado na retaguarda da nave central da Igreja de Jesus, separado desta por grades.
O cadeiral é composto por fileiras de cadeiras de braços com assentos móveis e articulados por dobradiças metálicas que, quando levantam mostram em evidência um apoio em mísula, elemento entalhado e recortado com perfil em duplo "S" colocado no reverso do assento, denominado de "misericórdia"; a fila da frente tem espaldares baixos, à altura da ilharga e tem estante para livros no reverso a toda a largura do cadeiral.
A ilharga das cadeiras tem perfil curvilíneo, recortado em duplo "S". As ilhargas de remate, nos extremos de cada uma das fileiras do cadeiral, têm pintura de inspiração vegetalista, ramos de flores em vaso bojudo, numa composição policromada sobre fundo escuro.
A fileira de cadeiras que constam da parte da frente, em plano mais baixo, correspondente à primeira ordem do cadeiral, e formam um conjunto de 32 cadeiras, dispostas em duas alas fronteiras, simétricas e colocadas longitudinalmente.
As cadeiras estão dispostas em grupos de quatro, deixando um espaço de permeio que permite o acesso à segunda ordem do cadeiral. A fila de trás possui altos espaldares adossados à parede do coro-alto e constitue a segunda ordem do cadeiral, com um conjunto de 45 cadeiras, distribuidas em duas alas fronteiras e contínuas; correspondem à ala norte as 22 cadeiras; na ala fronteira, lado sul, as 23 cadeiras; fecha no topo (a Poente) com quatro cadeiras, formando dois pares separados, colocados no remate do cadeiral.
Origem/Historial: O cadeiral era destinado a religiosas e coristas e no dizer de Domingos Maurício (ver bibliografia) este conjunto deverá ser dos princípios do século XVII.
Este espaço do Coro-alto é do tamanho do coro-baixo, mas de teto mais elevado e com iluminação proveniente de três janelas "termais" rasgadas a poente, sobre a entrada principal junto ao ante-coro, e fronteira às grades que dividem este coro-alto na empena do corpo da Igreja de Jesus.
O conjunto dos elementos deste espaço pertencem a várias épocas; desde o cadeiral ao revestimento das paredes, vidraças e pinturas - cinco telas de cada um dos lados representando os Santos da Ordem e que não estão colocadas nas respetivas molduras em talha pois foram retiradas devido ao seu estado de conservação (na década de 1950?) são um conjunto que inicia no século XV (a empena terminal do corpo da Igreja é vertamente desse período);
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Incorporação: Transferência por Disposição Legal
Centro de Fabrico: Desconhecido
Bibliografia
GOMES, Marques - Estudos Históricos
SANDÃO, Artur de - O Móvel pintado em Portugal. Barcelos: Editora do Minho, 15 de Dezembro 1966
SANTOS, Domingos Maurício Gomes dos - O Mosteiro de Jesus - Estudos de História (Ultramarina e Continental), vol. II /1. Lisboa: 1967
SMITH, Robert C. - Cadeirais de Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1968
BRANDÃO, D. Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto, Porto, 1986.