Suporte: Madeira de castanho na armação e retábulo, tribuna, tecto e ilhargas da capela- mor
Técnica: Madeira entalhada, dourada e policromada;
Dimensões (cm): Alt. 7000 x Larg. 5000 x Prof. xxx
Descrição: Retábulo que preenche a totalidade da parede testeira da capela-mor. O risco foi executado pelos mestres entalhadores António Gomes e José Correia; obra c/ contrato escriturado em Fevereiro de 1725.
Retábulo in situ, de marcenaria lavrada e dourada, tem planta de perfil côncavo, organizado em um só tramo central; integra no primeiro corpo três nichos de secção semi-circular, um axial e de maior dimensão, dois laterais, menores e simetricamente iguais, apresentam remate em concha; no segundo corpo um vão central tem uma ampla tribuna c/integração do respectivo trono de cinco degraus e instalação no topo de um crucifixo c/ Cristo (em vulto perfeito) c/ nº.inv.º312/B. À rectaguarda, estruturam o fundo da tribuna, conjunto de quatro edículas planas com moldura entalhada, fundos pintados, dispostas em dois andares e laterais ao vão central; no andar superior enquadra-se uma edícula em arco pleno, de maior dimensão e fundo liso com pintura a vermelho.
Nas ilhargas foi enquadrada uma terceira coluna, colocada em plano avançado, intermédia relactivamente aos dois pares de colunas existentes à rectaguarda; apresentam estrutura reentrante; decoração do fuste com grinaldas de flores entrelaçadas sobre estriado vertical; assentam sobre pedestais paralelepipédicos apoiados no banco retabular. Adossa na parte frontal uma mesa de altar de secção rectangular com frontal entalhado imitando um tecido bordado com folhagem e flores em arabescos de médio relevo.
O ático desenvolve-se a partir do segundo entablamento e é composto por três arquivoltas concêntricas, escalonadas e em arco de volta inteira; apresentam fuste estriado com decoração de grinaldas entrelaçadas; a arquivolta fronteira é intersectada por um escudo (armas reais), colocado na mediana do fecho; lateralmente um par de aduelas ou travessas radiais c/ recamo de folhagem de acanto e "bambinos".
NOTA: No retábulo dedicado a Santa Joana (inv. nº. 163/M) terá sido acrescentado um par de colunas com arco trilobado que avança sobre a estrutura retabular à retaguarda, ficando em pano de fundo um outro par de colunas com arco de volta perfeira com recamo entalhado na talha de igual motivo decorativo aos colocados no Retábulo da Capela-mor. Confirmamos terem existido acrescentos que são coevos do do Retábulo da Capela-mor.
Origem/Historial: Programa decorativo de origem, proveniente da Igreja de Jesus das Dominicanas de Aveiro, in situ.
Culto: Os esforços das monjas iam no sentido de enaltecer a sua Princesa Santa, entrando em vastos programas decorativos a ela dedicados, que embelezavam e engrandeciam o convento ao mesmo tempo que punham em evidência o seu modelo de virtude.
Inserem-se nesta dinâmica de programas decorativos, para além da encomenda do grande retábulo da Capela-mor e revestimento parietal da mesma no contrato de 1724-28 (in Domingos Pinho Brandão, 1982), o novo túmulo de embrechados marmóreos, que D. Pedro II concede para receber condignamente as ossadas da agora Beata Joana, entregue pelo monarca ao arquiteto régio João Antunes.
Os programas da capela mor da igreja, o retábulo de altar de Santa Joana, em frente à porta de entrada no templo, a conversão da Sala de Lavor em capela- relicário, etc., correspondem ao período de D. João V.
No período Joanino será ainda tentada a canonização, através do Processo
Apostólico, corrido em Coimbra, de 1749 a 1752, o qual não teve êxito por desinteresse dos
requerentes. (SANTOS, 1963, p. 224-246)
Culto: Logo em 1694, após a betificação da Princesa, no priorado de D. Lourença da Silva, se leva à rua uma magnífica procissão, integrando diversos andores com figuras alegóricas, desenhadas por Sebastião Pacheco Varela, em que a primeira imagem da Princesa é levada sobre um carro dourado,integrando ainda o cortejo várias encenações da sua vida. A imagem representando a Santa Joana, esculpida em madeira e com n. inv. 195/B, seria então colocada no altar da igreja que lhe é
dedicado (c. nº. inv. 163/M), e no qual permanece. Neste retábulo dedicado a Santa Joana terá sido acrescentado um par de colunas com arco trilobadoque avança sobre a estrutura retabular ficando em pano de fundo um outro par de colunas com arco de volta perfeira com recamo entalhado na talha de igual motivo decorativo aos colocados no Retábulo da Capela-mor.
Incorporação: Transferência / Disposição Legal
O Museu de Aveiro foi fundado a 7 de Junho de 1912, por Decreto publicado no Diário do Governo, n.º 135, de 11-06-1912, p. 2075, no seguimento da classificação da igreja de Jesus, compreendendo o túmulo de Santa Joana, como Monumento Nacional, por Decreto de 16-06-1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23-06-1910, e do Decreto dos ministros Afonso Costa e José Relvas, de 23-08-1911.
Centro de Fabrico: Porto: Rua do Paraíso, extramuros do Porto
Bibliografia
"Cópia da relação da doação feita pelo Exmo. Sr. Dr. António Nascimento Leitão ao Museu de Aveiro". Aveiro, Documentação inédita: texto policopiado, 22 de Maio, 1953
ALVES, Natália Marinho Ferreira - A Arte da Talha no Porto na Época Barroca. Porto: Câmara Municipal do Porto, 1989
BRANDÃO, Domingos de Pinho - Obra de Talha Dourad, Ensamblagem e Pintura. Porto: Diocese do Porto, 1984, Vol.II,
GONÇALVES, Flávio - "A Talha da Capela da Árvore de Jessé". Porto: Igreja de São Francisco do Porto e seus Autores, 1971
Guedes, Gracinda Maria Ferreira e Freitas, Maria Cristina Vieira de (2015) "O fundo do Mosteiro de Jesus de Aveiro (1338-1873) incorporado no Arquivo da Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316/28142