Técnica: Entalhamento na madeira e aplicação de uma velatura
Dimensões (cm): Alt. 245 x Larg. 45 x Diâm. 45
Descrição: Peça cilíndrica com o fuste em espiral subdividida em 7 espiras e base com moldura composta de astrágalo seguido de quarto de círculo concavo-reverso; recamo de elementos entalhados em forma de folhas de parra, cachos de uvas e aves fénix. O fuste da coluna é entalhado em 3/4 da sua superfície ficando uma parte na vertical, correspondente a 1/4 da superfície de revolução, lisa e concavada; remata com moldura composta segundo elemento em colarete com perfuração ao centro e/ou um prumo cilíndrico encaixado nesta perfuração.
O capitel (29a/M) com quem faz conjunto tem secção circular com entalhamento de folhagem de acanto em dois níveis e com quatro volutas nos cantos; o capitel é entalhado em 3/4 do volume total, sendo a rectaguarda lisa e côncava
Origem/Historial: A Capela de São João do Rossio foi demolida em 1910; ver actas da Cãmara Municipal de Aveiro, 1910 a 1920, pág.11 e 12.
Um corpo único e três tramos: corresponde a esta tipologia o retábulo mor; este retábulo seria de maior escala que os colaterais situados na nave da Igreja, com planta reentrante ou côncava, fechando a composição tripartida em arco de volta perfeita composto por três arcos de fuste espiralado e sobrepostos, cobertos de folhagens, com uvas, onde se vêm aves debicando cachos de uvas por entre folhas de parra e anjos; os arcos são presos em três pontos radiais e a eixo segundo três aduelas: uma ao centro e duas laterias” ;
Neste conjunto retabular integra-se um sacrário poiado sobre o basamento e “embutido na parte inferior” da estrutura retabular; a divisão superior completa com um nicho onde se expõe a escultura votiva da Senhora da Conceição, constante da lista arrolada pela Fazenda Pública em 1885 . Foi descrito ainda por Rangel de Quadros que “por detraz e sobre o arco, de que fallei, elevava-se o throno, cujos degraus eram de variado feitio e enfeitados com talha simples” . Confirma-se a tipologia dos três tramos pelo facto de Rangel de Quadros reforçar que “entre duas das columnas salomónicas, em que assentavam aquelles tres arcos e um pouco mais abaixo, ficava, do lado do Evangelho, a imagem de São Pedro, a que fazia symetria a de São Paulo.”
Concluindo, o retábulo mor teria uma composição central na cabeceira da Igreja de Sá enquadrando um vão de generosas dimensões, em cujo interior surge um sacrário monumental e de caráter individualizado; a composição arquitetónica final recorre à tipologia dos três tramos e um corpo único o que implica colunas de generosas dimensões para suporte do ático em arcos de volta plena e fuste espiralado.
Incorporação: Mandato legal ; termo de Verificação e Inventário dos Bens Pertencentes ao Suprimido Convento de Sá, de Aveiro, em 27/3/1885/H.H.M.F./ Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Transferência dos bens da Igreja para o Estado segundo o Dec. de 1910 (que retoma os de 1834), da Capela de São João do Rossio para o Museu de Aveiro quando da sua constituição.
Centro de Fabrico: escola portuguesa
Bibliografia
ALVES, Natália Marinho Ferreira - A Arte da Talha no Porto na Época Barroca. Porto: Câmara Municipal do Porto, 1989
Catálogo da Exposição "Robert C. Smith, 1912-1975 - A Investigação na História de Arte". Lisboa: Fundação Caloust Gulbenkian, Serviço de Belas Artes, Arquivo, 2000
Inventário das Imagens, paramentos, alfaias e outros móveis, pertencentes ao Convento de Jesus de Aveiro. Fotocópiado do manuscrito: 04/03/1874
ROCHA, Hugo Cálão - O Convento da Madre de Deus de Sá em Aveiro: Dos objectos às devoções - um espólio do Museu de Aveiro, (relatório final de estágio do Mestrado em História e Património (ramo de especialização em Mediação Patrimonial) da Fac. Letras da U.P.. Porto: Fac. Letras U.P. (policopiado), 2009
Cardoso, Maria da Luz Nolasco (2019). "O Retábulo do Convento da Madre de Deus de Sá- Conjunto de retábulo e sacrário em Exposição Permanente, Museu de Aveiro, Santa Joana", Revista de História da Sociedade e da Cultura - nº 19, https://doi.org/10.14195/1645-2259_19_33
Exposições
A Investigação na História de Arte
Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Belas Artes, Lisboa