Dimensões (cm): Comp. Base e capitel: 27 x Alt. Total: 247; coluna: 134; haste: 113 x Larg. Base e capitel: 27 ; braços da cruz: 85 x Diâm. fuste: 13.5
Descrição: Cruzeiro constituido por uma coluna de fuste monolítico, sobrepujada por cruz latina esculturada nas duas faces, assente sobre um pedestal escalonado em dois registos quadrangulares. A base da coluna, de perfil troncopiramidal, apresenta-se alteada, com um registo inferior de perímetro quadrangular e molduração compósita, seguido de dois ramos secos enredados e de um anel toredado no ponto de intersecção do fuste. Este apresenta-se, a meia altura, envolto por quatro quadrifólios formados por folhas pontiagudas, colocadas em diagonal e sulcadas por pequenas pétalas de formato idêntico. Nos lonsangos criados pelos espaços de tangência, repetiu-se, em miniatura, o mesmo motivo quadrifólio. O capitel, de escócia lisa, exibe decoração fitomórfica e, brotando dos ângulos, três máscaras de tratamento individualizado. O ábaco apresenta perfil e molduração idênticos aos do registo inferior da base. A rematar o cunjunto, uma cruz latina de base prismática octogonal, haste e braços canelados, decorados com meias esferas, e de extremidades florenciadas, exibe em cada uma das faces, respectivamente, as imagems de Cristo crucificado e da Virgem coroada, envergando túnica e manto, com indícios de ter originalmente, sobre o seu braço esquerdo, a imagem do menino, hoje desaparecida. Apresenta vestígios de policromia a verde, azul, vermelho e dourado.
Origem/Historial: Transcrevendo uma passagem de F.J. Cordeiro Laranjo, baseada num artigo de João Amaral ( 1990), " segundo uma velha tradição, certa jovem enamorada e fidalga, que vivia num Paço em Alvoraçães, por decisão paterna foi obrigada a mudar para uma casa igualmente nobre, junto à igreja de Santa Maria de Alamacave, onde ficou em clausura. Havia perto um tosco cruzeiro, conhecido por Senhor do Bom Despacho. A fidalguinha orava a Deus e a Sua Mãe para que lhe desse bom despacho ao seu projecto de casamento, prometendo que o noivo mandaria erguer novo e rico cruzeiro, se o Senhor Crucificado e Nossa Senhora a ouvissem. Um dia faleceu, de morte natural, o zeloso pai; realizou-se o casamento e o cruzeiro foi erguido. Estávamos, então, no séc. XV " ( Laranjo, 1991, pp. 77-78 ).
O cruzeiro do Senhor do Bom Despacho encontrava-se na rua do mesmo nome que, com a rua da Misericórdia e a de São Francisco, depois de Maio de 1874, tomou o nome de rua de Almacave.
Em 10 de junho de 1950, o então Diretor do Museu de Lamego, João Amaral, num ofício endereçado ao Director Geral do Ensino Superior de das Belas Artes, informa que " (...) nesta região não existe qualquer cruzeiro manuelino e gótico, do século XV, apenas existe o que adquiri para este Museu" (Arquivo do Museu de Lamego, Registo de Correspondência, I, ofº. 1098, p.267)
Em 05/07/1962 é classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto nº 44452.
Incorporação: Desconhecido; originalmente erigido sob um alpendre suportado por quatro colunas, na rua do Bom Despacho, hoje rua de Almacave, em Lamego.
Bibliografia
AMARAL, João - " Dos Velhos Tempos " in Jornal Notícias de Lamego. Lamego: 19/09/1980
AMARAL, João - " O Cruzeiro do Senhor dos Perseguidos ", in Boletim da Casa Regional da Beira-Douro: Setembro, 1961
AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
RIBEIRO, Agostinho - "Arqueologia" in Museu de Lamego. Roteiro. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1998
FALCÃO, Alexandra Isabel (2015) - In Sebastian, Luís (direção)."A Glorificação do Divino. Escultura Barroca do Museu de Lamego". Museu de Lamego/DRCN, pp. [em linha: http://issuu.com/066239/docs/aglorificacaododivino_catalogo]