Técnica: Nó assimétrico; densidade dos nós: 7550 nós/dm2
Dimensões (cm): Comp. 176 x Larg. 106
Descrição: "Tapete de oração, com campo composto por um nicho delimitado por uma barra com inscrições do Alcorão. O fundo do nicho é vermelho decorado com enrolamentos executados em ponto de tapeçaria com fio laminado; a completar esta decoração apresenta motivos vegetalistas, florais e nuvens chinesas donde resulta uma composição muito rica e densa. A zona exterior ao nicho é dividida em áreas policromadas, também, decoradas com inscrições alusivas ao Alcorão e invocações do pensamento divino. A cercadura de fundo bege é decorada com cartelas: na zona inferior são de fundo vermelho decoradas com nuvens chinesas tecidas em ponto de tapeçaria com fio laminado; na zona superior, as cartelas são de fundo verde, também, com inscrições do Alcorão. A ligação entre as cartelas é feita com pequenos medalhões decorados com motivos geometrizantes executados em ponto de tapeçaria com fio laminado" (descrição de Paula Cruz / Laboratório José de Figueiredo. DGPC).
"Este tapete relaciona-se estilisticamente com seis outros à guarda do Museu Topkapi Saray (Istambul), e com cinco em coleção privada de proveniência desconhecida" (descrição de Ana Raquel Martins dos Santos - The discovery of three 'Salting' carpets: science as a tool for revealing their history. Tese de mestrado. Universidade Nova de Lisboa, 2010). (ver documentação associada)
Origem/Historial: "Em Setembro de 2007 três tapetes ‘Salting’ foram identificados no Paço dos Duques de Bragança por dois especialistas em tapetes islâmicos, Michael Franses e John Mills. A passagem destes por Portugal pretendia seguir a pista dada pelo antiquário parisiense, Armand Deroyan, que, alguns anos antes, os havia reconhecido durante uma visita a Guimarães. Os ‘Saltings’ estão actualmente entre os tapetes mais caros e cobiçados pelos coleccionadores mundiais, e as peças do Paço dos Duques constituem o maior conjunto documentado fora do palácio Topkapi em Istambul. Estes tapetes, como muitos outros objectos, foram adquiridos no âmbito do programa de reestruturação do Paço pelo Departamento dos Monumentos (Comissão para Aquisição de Mobiliário), no final da década de cinquenta. Os três foram comprados aos proeminentes negociantes de têxteis em Londres, Mssrs Perez, que já haviam estado envolvidos na venda de importantes tapetes de colecções portuguesas ao mercado internacional. O conhecimento destes tapetes enquanto peças de grande valor histórico acabou por ser perdido ao longo dos anos com a integração dos três no recheio deste monumento dedicado a história nacional.
A sua redescoberta veio a desencadear um ambicioso projecto de investigação, o qual reuniu uma equipa interdisciplinar composta por historiadores de arte, cientistas da conservação e conservadores-restauradores de têxteis, tendo como principal objectivo o estudo, análise e preservação dos tapetes. Este trabalho de conjunto enriqueceu o entendimento destes objectos e permitiu uma melhor compreensão do seu lugar na História de Arte, contribuindo para o debate que existe em torno dos ‘Saltings’ desde o final do século XIX.
Os tapetes ‘Salting’
A designação ‘Salting’ deriva do nome do famoso colecionador de arte australiano, George Salting (1835-1909) que, em 1909, doou um exemplar particularmente emblemático ao Victoria and Albert Museum em Londres. Até hoje mais que cem tapetes ‘Salting’ têm sidos identificados por Franses e Mills, e outros historiadores, em colecções que se encontram distribuídas desde Teerão, Istambul e Beirute até Paris, Estocolmo e Nova Iorque. Definir o grupo ‘Salting’ tem se revelado uma tarefa bastante complexa, mas em geral a sua caracterização é baseada principalmente na presença de teia e trama de seda, pêlo de lã, na elevada densidade de nós, cores vivas e ornamentos em fio metálico, além de inscrições religiosas" (descrição de Raquel Santos e Jessica Hallett, in Tesouros Tecidos: três tapetes 'Salting' descobertos no Paço dos Duques).
Este tapete, adquirido em 17 de Março de 1959, à firma «Antiquália, Ldª», para o Paço dos Duques, "também conhecido como 'Tapete de oração Benguiat', fazia inicialmente parte da colecção de famoso antiquário Vital Benguiat, antes de passar para Mssrs Perez. (...) O tapete de Benguiat é estilisticamente associado a seis tapetes preservados actualmente no Museu Topkapi Saray (Istambul), e a outros cinco pertencentes a colecções particulares ou cuja proveniência actual se desconhece" (descrição de Raquel Santos e Jessica Hallett, in Tesouros Tecidos: três tapetes 'Salting' descobertos no Paço dos Duques). (ver documentação associada)
Incorporação: Adquirido a "Antiquália,Ldª" (ver documentação associada).
Centro de Fabrico: Irão
Bibliografia
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