Humpen

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 3715
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Vidros
  • Autor: Autor desconhecido (Vidreiro / Gravador.)
  • Datação: 1701/1750
  • Técnica: Vidro soprado; pintura a esmalte
  • Dimensões (cm): Alt. 20,5 x Diâm. 10,5
  • Descrição: Copo alto de forma cilindrica; fundo ligeiramente côncavo. Decoração esmaltada polícromada (verde, amarelo, azul, creme, branco e tons de castanho), alusiva a cena de caça onde se observam caçadores e animais como javalis, cães, coelhos e veados. Decoração delimitada por filete de cor amarela e acastanhada. Apresenta as incrições: "J.H.E. FAGEN UND VIEL FANGEN. DARNACHT ACHT MEIN VERLANGEN" e "VIVANT/ GÄGEREY"
  • Origem/Historial: Segundo o inventário judicial do PNA, a peça encontrava-se na denominada Sala Contigua ao Atelier, Andar Nobre, “sobre o tampo superior de uma estante, aberta, em madeira de carvalho”. Está descrita como: "Copo de vidro, tendo em volta uma caçada ao javali, e outra aos veados e lebres, e uma grade em espiral d'um lado, e a menos de meio do bojo, d'um lado, a seguinte legenda:"Vivant Jageÿ, e, em voltado bordo, a seguinte legenda:"J.H.E. FAGEN UND VIEL FANGEN. DARNACHT ACHT MEIN VERLANGEN"; toda a decoração a esmaltes de differentes côres." Interpretação das inscrições: "J.H.E. FAGEN UND VIEL FANGEN. DARNACHT ACHT MEIN VERLANGEN” Tradução literal: "Caçar e muito caçar, depois atenda às minhas necessidades" Significado: Caçar e caçar muito e depois atender à necessidade (de beber, saciar a sede, refrescar) "VIVANT/ GÄGEREY" Significado: provavelmente um grupo de caça A peça está referida na "Relação de Objectos Pertencentes ao Palácio e à Rainha D. Maria Pia” datada de 10 de Julho de 1891" Contextualização histórica: As manufaturas vidreiras alemã e checa tiveram grande desenvolvimento sobretudo a partir da Idade Média. Algumas estabeleceram-se principalmente nas regiões de floresta e montanhosas que separam a Boémia da Baviera, da Saxónia e da Silésia, áreas onde existiam as matérias-primas como a madeira, para fornecimento de energia, e os minerais para a sua execução. Originária da Itália, a pintura a esmalte foi uma técnica que se difundiu pela Europa Central em meados dos séculos XVI ganhando em cada local as suas próprias características e especificidades plásticas e artísticas. (Petrova e Olivié 1989) Foi por influência dos vidreiros checos que a pintura sobre vidro se expandiu por toda a Europa Central, não só o Brandeburgo, Saxónia e Silésia, mas também na Turíngia, Francónia e Hesse. Nos séculos XVII e XVIII a Alemanha estava dividida em pequenos eleitorados, estados e pequenas cidades imperiais cujo desenvolvimento cultural e económico foi possível graças à proteção dos seus governantes. Nuremberga era o principal centro vidreiro na primeira metade do século XVII, onde se destacou nesta arte, a familia Schwarnhardt. George Schwarnhard (1601-1657) discípulo de Lehman, activo em Praga, na Boémia, especializou-se nas representações de cenas de caça em gravação. Outros vidreiros de Nuremberga,como Johann Wolfgang Schmidt e Georg Friedrich Killinger virão a reproduzir os mesmos temas decorativos nas suas peças, assim como temas de guerra e urbanos. Nas vidrarias da região de Fichtelgebirge, no seculo XVIII fabricaram-se modelos com motivos de caça.(Strasser 2002) Os motivos heráldicos como por exemplo a águia imperial bicéfala, e o motivo do imperador com os sete eleitores prevaleceram na época das disputas entre os Estados Gerais e os Habsburgos como forma alegórica de afirmação do Sacro Império Romano germânico. (Vondruska 1997). Como a partir de meados do século XVI os imperadores Habsburgo eram também reis da Boémia, a maior parte dos artigos com este tipo de representação provinham das vidrarias checas. No século XVI destacou-se a vidraria da corporação de Chribska, na Boémia do Norte, e entre os séculos XVI e XVII, sobressaíram as vidrarias dos Preussler, família com numerosos ateliês com especialidade na pintura a esmalte Entre os séculos XVI e XVIII os mestres alemães, principalmente nas regiões do Tirol e Saxónia também produziram objetos adornados com temas de caça, heráldicos, temas mitológicos, religiosos e alegorias. Estas grandes canecas destinadas aos bebedores de cerveja, também muito populares na região da Boémia, poderiam conter por vezes quatro litros de bebida e atingir dimensões como os 60 cm. Ainda denominadas de taças de "boas vindas ou "Vilkum", só mais tardiamente vieram a ser chamadas de "Humpen". Num período em que se dava muita importância à sociabilidade na mesa, os “Humpen” ganharam grande relevo na Alemanha e na Boémia também nas ocasiões em que se reuniam as grandes confrarias de apreciadores de bebida. Um dos costumes era passar a grande caneca de mão em mão, à volta da mesa, bebendo cada um o que lhe aprouvesse. Noutras alturas cada comensal tinha que ingerir a quantidade de bebida combinada entre todos. Muito utilizada a partir do Renascimento, a técnica de pintura a esmalte, ganhou formas de expressão particulares, sobretudo nas ocasiões em que os artistas podiam dar asas à sua criatividade em objetos de grande superfície, como era o caso destas peças. Apesar de não terem chegado à perfeição dos pintores venezianos, os artistas checos e alemães revelavam na sua obra o gosto e os hábitos das várias camadas sociais inspirando-se por vezes em determinados aspetos da arte popular, numa pintura de género. A Real Vidraria estabelecida em Dresden a fim de fornecer com os seus artigos de luxo a corte da Saxónia recebeu influência das manufaturas da Boémia, de Potsdam e dos Países Baixos. (Szkurlat 2008) Poderá ter sido adquirido pela rainha D. Maria Pia em Viena, na casa J. & L. Lobmeyr, de acordo com nota de encomenda realizada em 25 de Outubro de 1888, onde está descrito um" Grand verre vert Romer ancien genre allemand, Fête de chasse."
  • Incorporação: Casa Real
  • Centro de Fabrico: Alemanha? Boémia?

Bibliografia

  • APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional da Ajuda, vol. 8, 1912.
  • MEHLMAN, Felice - "Phaidon Guide to Glass", Oxford: Phaidon Press Ltd, 1982
  • PETROVÁ, Sylvia; Olivié, Jean-Luc - "Verres de Bohême: 1400-1989". Paris: Flammarion, 1989
  • Szkurlat, Anna; "Glass. The Royal Castle in Warsaw and the Foundation of the Ciechanowiecki Family Collection". Collection catalogue. The Royal Castle in Warsaw. Warzawa. 2008
  • Yates, Sarah, "Collecting Glass. The facts at your fingertips", Miller's, Octopus publishing group, London. 2000.
  • Vondruska, Vlastimil; Langhamer, Antonin; "Cristal da Boémia", Bohemia Collection, Ediclube, Alfragide, 1997.
  • Strasser, Rudolf Von; Baumgärtner, Sabine; "Licht und Farbe. Dekoriertes Glas-Renaissance, Barok, Biedermeier Die Sammlung Rudolf von Strasser", Kunsthistoriches Museum Wien, Skira, Wien 2002.

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