Técnica: Ouro fundido, cinzelado e recortado; esmaltagem "champlevé"
Dimensões (cm): Alt. 5,8 x Larg. 1,8 x Esp. 0,5
Descrição: Insígnia miniatura das Três Ordens Militares Portuguesas em ouro e esmalte com respetiva banda. O distintivo é formado por medalha de dupla face em formato oval, encimada por coroa real e crucífero e contornada por moldura com folhagem cinzelada. Em campo de esmalte branco opaco os símbolos das três ordens monástico militares portuguesas, Cristo, Santiago da Espada e Avis em esmaltes translúcidos, encimados pelo Sagrado Coração em resplendor. Argola elíptica para suspensão na fita. Banda tricolor: vermelho para Cristo, verde para Avis e roxo para Santiago da Espada.
Origem/Historial: Por ocasião do primeiro aniversário natalício do príncipe herdeiro D. Carlos (1863-1908), o rei D. Luís nomeou-o Comendador das Três Ordens Militares Portuguesas, oficializando o acto através de uma carta, redigida no Paço da Ajuda e publicada nos periódicos nacionais, nos seguintes termos: "Desejando patentear do modo mais grato e aprazível ao meu coração a intima satisfação de que me sinto possuido no dia de hoje, em que a nação portuguesa celebra o primeiro anniversário do vosso nascimento, conferindo-vos um publico e solemne testemunho do paternal amor (...) hei por bem, em conformidade com a carta de lei de 19 de Junho de 1780, nomear-vos commendador mór das tres reaes ordens militares - de Nosso Senhor Jesus Christo, S. Bento de Aviz e S. Thiago do muito scientifico, litterario e artistico, cujas insígnias vos serão apresentadas com esta minha carta (cf. Revolução de Setembro, 30.09.1864, n.º 6707; GUEDES, 2004). A insígnia em apreço e a banda tricolor que a acompanha (PNA, inv. 56762) corresponderão à mencionada agraciação de D. Luís levada a cabo em 1864.
Quando da instauração do novo regime republicano e o consequente arrolamento dos bens da família real, a referida insígnia encontrava-se guardada na casa forte do Palácio das Necessidades junto das demais joias do Tesouro Real. Foi descrita nesse inventário como "Um hábito, em miniatura, d'ouro e esmalte, das tres ordens militares portuguesas, pesa onze grammas e oito decigramas." (APNA, DGFP, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades, vol. 7, fls. 2576v. a 2577v.). Segundo anotação tomada no anterior registo, após emissão de despacho ministerial, foi transferida para o Banco de Portugal, a 7 de abril de 1941, em consonância com o parecer emitido por José Rosas Jr. (1885-1958) ourives da prata e conservador-auxiliar do Museu Nacional de Soares dos Reis. O seu parecer recomendava a transferência daquele acervo para local de reserva que oferecesse maiores garantias de segurança. É possível que a referida insígnia tenha acompanhado a subsequente transferência para as instalações da Casa da Moeda, em novembro de 1944, quando José Rosas foi incumbido pelo Estado português de restaurar e planear a exposição das Joias da Coroa e de D. Miguel, bem como de efetuar a sua catalogação e estudo. Certo é que não figura no elenco de obras selecionadas por si para o "Catálogo das Joias e Pratas da Coroa" publicação que acompanhou a primeira exposição do acervo no Palácio Nacional da Ajuda, em 1954 (MARANHAS, 2023).
Incorporação: Casa Real
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades, vol. 7, Casa Forte, 1910-1912
ESTRELA, Paulo Jorge - Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824. Lisboa: Tribuna da História, 2009
GUEDES, Carmina Correia, A Educação dos Principes no Paço da Ajuda (1863-1884), coord. Isabel Silveira Godinho, IPPAR / PNA, Lisboa, 2004
MARANHAS, Teresa - "Campanha de restauro das joias do Tesouro Real no século XX". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023
Dicionário Histórico das Ordens e instituições afins em Portugal (dir. FRANCO, José Eduardo; MOURÃO, José Augusto; GOMES, Ana Cristina da Costa). Lisboa: Gradiva, 2010