Salva de pé alto

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 4815
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Autor: Autor desconhecido (Ourives)
  • Datação: Século 16/18
  • Técnica: Prata cinzelada, repuxada e dourada
  • Dimensões (cm): Alt. 18,9 x Diâm. 34,7
  • Descrição: Salva de pé alto em prata dourada, gravada, repuxada e cinzelada, com decoração organizada em círculos concêntricos representando provavelmente a conquista de Arzila no norte de África. O centro, alteado, apresenta um medalhão com as armas plenas dos Sá, usadas pelos chefes desta família, Condes de Penaguião, mais tarde Marqueses de Fontes e Abrantes, a quem terá pertencido esta peça. O medalhão é moldurado por um friso canelado. A primeira faixa apresenta uma temática que nada tem a ver com o episódio referenciado. Nela figura uma fortificação hexagonal, com uma torre ao centro que se desenvolve em vários andares piramidais, sendo a mesma flanqueada por duas torres direitas com portas em arco. Destas portas saem, de gatas, meninos que se enrolam e encavalitam uns nos outros, brincando no meio da vegetação. Estão nus e alguns apresentam cordas atadas nos tornozelos, ligadas a fitas que outros seguram e puxam. Esta primeira faixa é delimitada por friso canelado. Na segunda faixa decorativa, antecedida por um sulco côncavo liso, figuram várias cenas alusivas ao mencionado episódio, e que são as seguintes: 1) Uma cena de batalha com cavaleiros de armadura e capacete empunhando espadas, lanças e escudos, dominando o inimigo - homens de etnia moura ostentando grandes turbantes. À direita são acompanhados por dois corneteiros. 2) Segue-se uma composição de arvoredo onde figuram alguns animais selvagens - um veado, um lagarto e uma lebre - perfeitamente integrados no habitat florestal em que vivem. 3) Três homens cativos de pulsos atados com cordas à frente do corpo, caminham sob a escolta de cavaleiros com lanças que os conduzem em direcção a um acampamento de tendas de pano, observando-se para lá das mesmas várias flâmulas sacudidas pelo vento. Sob a tenda central, entreaberta, é representado um cão deitado. 4) Seguidamente representam-se três soldados caminhando em direcção à cidade fortificada, o primeiro dos quais segura uma bandeira desfraldada com o escudo de cinco quinas coroado. À sua frente outros soldados combatem um grupo de indígenas de aspecto primitivo, vestindo apenas uns panos à volta do corpo e defendendo-se com cajados. 5) Por fim representa-se a cidade fortificada por muralhas de ameias e torres com portas em arco. Esta segunda faixa é delimitada em ambas as margens por friso canelado. Bordo recortado, decorado com faixa de óvulos e entrelaços, circundada por concheados, intercalando corolas de flor molduradas por volutas. O reverso do prato apresenta decoração de teor vegetalista, organizada em dois círculos concêntricos, separados por faixa de óvulos e entrelaços. O círculo exterior apresenta três composições de grandes volutas afrontadas, ao centro das quais pende uma corola de flor flanqueada por festões de folhas. São intercaladas por profusa decoração de folhagem, outras volutas, corolas de flores e pequenos segmentos de perlado, sobre campo puncionado. Faixa com recticulado de quadrículas no contorno exterior. O círculo interior apresenta a mesma temática decorativa, destacando-se igualmente três pares de volutas afrontadas, intercaladas por outras volutas mais pequenas e profusa folhagem sobre campo puncionado. Pé circular com molduramento côncavo liso e decoração cinzelada em dois registos de bandas entrelaçadas e volutas, intercaladas por folhagens e corolas de flor pendentes. Haste com pequeno friso canelado e nó em forma de urna decorado com friso de godrões, corolas no interior de arcaturas e quadrifólios com entrelaços. A secção superior da haste apresenta faixa com folhas de acanto intercaladas por ornato vegetalista estilizado.
  • Origem/Historial: O prato superior, datado da primeira metade do século XVI, assenta numa outra salva com bordo recortado e pé alto, adaptados na primeira metade do século XVIII. O medalhão central com as armas plenas dos Sá, é também de aplicação posterior, possivelmente contemporâneo da época do arranjo do reverso e do pé. Os vários componentes da peça são unidos no interior por meio de rosca. Muito embora não se encontrem marcas em nenhum dos componentes adaptados ao prato primitivo, é de supor que este trabalho tenha sido realizado pelo ourives lisboeta António Martins de Almeida (citado entre 1699 e 1794), já que são efectivamente de sua autoria as adaptações de semelhantes pés em quatro outras peças formalmente idênticas a esta e nas quais o ourives deixou a sua marca (vd. PNA, inv. 4808, 4813, 4802 e 4801). A julgar pelas duas marcas patentes nos referidos exemplares, (AM) de finais do século XVII a c.1750 (L-122, M.A.) e (A.M.) datável de c.1720 – c.1750 (L-124, M.A.), poderemos supor que a adaptação na salva em apreço tenha sido executada no arco temporal compreendido entre finais do século XVII e 1750. Esta peça pertenceu à família dos Sá e mais tarde veio a integrar os bens da Casa Real portuguesa passando a fazer parte do vasto conjunto da prata de aparato. Foi inventariada no “Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades”, vol. 7, 1910-1912, sob a verba “16940” e em 1929 foi transferida para o Palácio Nacional da Ajuda.
  • Incorporação: Casa Real
  • Centro de Fabrico: Portugal

Bibliografia

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  • APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades, vol. 7, Casa Forte, 1910-1912
  • BEUQUE, Emile - Dictionnaire des Poinçons officiels français & étrangers (...), Tome II. Paris: F. de Nobele, 1984
  • CAETANO, Joaquim Oliveira - Função, Decoração e Iconografia das Salvas, in Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. A Colecção de Ourivesaria. 1º Vol.: do românico ao manuelino. Lisboa: IPM, 1995
  • COUTO, João; GONÇALVES, A. Manuel - Ourivesaria em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1960
  • TARDY - Les Poinçons de Garantie Internationaux pour l'Argent. Paris, 15ème ed.: Tardy, 1984
  • XAVIER, Hugo - O Museu de Antiguidades da Ajuda: Numismática e Ourivesaria das colecções reais ao tempo de D. Luís. Revista Museus e Investigação, n.º 8. Lisboa: Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2011
  • JARDIM, Maria do Rosário; MONTEIRO, Inês Líbano - A Prata do solene aparato da Coroa portuguesa a partir da segunda metade do século XVIII. Identificação de um conjunto de 23 obras dos sécs. XVI a XVIII. Revista de Artes Decorativas, n.º 4. Porto: CITAR / UCP, 2010
  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - Artes da Mesa e Cerimoniais Régios na Corte do século XVI. Uma viagem através de obras de arte da ourivesaria nacional. A Mesa dos Reis de Portugal (coord. Ana Isabel Buscu e David Felismino). Lisboa: Círculo de Leitores, 2011
  • JARDIM, Maria do Rosário; MONTEIRO, Inês Líbano - A Prata de Aparato das Cerimónias Régias (a partir da 2.ª metade do século XVIII) in Actas do III Colóquio Português de Ourivesaria (UCP, 18 e 19 de Novembro 2011). Porto: Universidade Católica Portuguesa, 2012
  • SILVA, Nuno Vassallo e - Ourivesaria Portuguesa de Aparato, séculos XV e XVI. Lisboa: Scribe, 2012
  • MONTEIRO, Inês Líbano - "A Prata das Cerimónias Solenes". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023
  • CRESPO, Hugo Miguel - "As dez salvas do real aparato e a ourivesaria do seu tempo". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023
  • ANDRADE, Maria do Carmo Rebello de - "Istorias, Bastiães e Figuras. Na origem da ourivesaria de tradição narrativa". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023

Exposições

  • D. Luís I, Duque do Porto e Rei de Portugal

    • Palácio Nacional da Ajuda - Museu
    • 1/1/1990 a 31/7/1990
    • Exposição Física
  • Tesouros Reais

    • Palácio Nacional da Ajuda - Museu
    • 15/7/1991 a 15/10/1992
    • Exposição Física
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    • Palácio Nacional da Ajuda
    • Exposição Física
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    • Royal Academy of Arts; London
    • 29/10/1955 a 19/2/1956
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  • Documentos e Obras de Arte relativos à História de Lisboa

    • Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
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  • Museu Tesouro Real

    • Palácio Nacional da Ajuda
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