Técnica: Ouro cinzelado e gravado, 250 diamantes lapidados em talhe rosa, de contorno triangular (excepto na argola onde a forma é predominantemente ovalóide), esmalte translúcido e esmalte opaco policromado
Dimensões (cm): Alt. 4 x Larg. 1,6 x Esp. 0,5
Descrição: Hábito da Ordem de D. Carlos III de Espanha em ouro, prata, diamantes rosa e esmalte.
É constituído por um medalhão oval em esmalte azul translúcido, ao qual se sobrepõe uma pequenina placa de esmalte de configuração igualmente oval e convexa, na qual figura a imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o crescente e envergando um manto azul. A mesma placa é moldurada por uma faixa de diamantes rosa e uma cruz de quatro braços bipartidos raiados de ouro, intercalados por igual número de flores de lis, ambos os motivos inteiramente cravejados de diamantes rosa. O conjunto é rematado por um delicado filete de ouro e, na orla exterior, pela aplicação de uma faixa de diamantes. É encimada por uma coroa de louros atada com laçaria e uma argola de suspensão, tudo cravejado de diamantes.
O reverso é em ouro cinzelado e gravado, ostentando ao centro as iniciais do seu fundador, dois "CC" afrontados e, no seu interior "III", circundada pela divisa da ordem "VIRTUTI ET MERITO" (Valentia e Mérito).
Origem/Historial: Ordem fundada por Carlos III de Espanha, avô de D. Carlota Joaquina, em 19 de Setembro de 1771, para comemorar o nascimento do seu neto, o príncipe das Astúrias, Carlos Clemente. A nova ordem foi colocada "sob a protecção da Virgem no seu mistério da Imaculada Conceição, de que Carlos III era especialíssimo devoto - depois de, em 1760, ter proposto às Cortes Gerais, reunidas em Buen Retiro, que o Reino recebesse por sua única e especial patrona a Puríssima Conceição, o que veio efectivamente a suceder por decreto de 16 de Janeiro de 1761". (cf. António Filipe Pimentel, A Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição [...], in Actas do II Encontro sobre Ordens Militares, Palmela, 1992, p. 481). A ordem foi extinta durante a ocupação napoleónica (1809) e restaurada por Fernando VIII em 22 de Março de 1814. Em 1931 foi de novo extinta pela República tendo sido restabelecida pelo Generalíssimo Franco em 1942.
Esta ordem terá sido atribuída a D. João VI em 26 de Janeiro de 1796, no Paço Ducal de Vila Viçosa (cf. AN/TT, Espólio de D. João VI, C.F., 109, doc. 1).
Por ocasião do arrolamento dos bens da Casa Real, este Hábito encontrava-se na Casa Forte do Palácio das Necessidades, onde foi arrolado sob a verba "17194".
Integra o vasto conjunto de jóias de aparato proveniente dos bens da Casa Real portuguesa.
Incorporação: Casa Real
Bibliografia
APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional das Necessidades, vol. 7, Casa Forte, 1910-1912
DORLING, H. Taprell - Ribons and Medals. London: Osprey, 1983
PIMENTEL, António Filipe - A Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa: origens, significado, iconografia, in As Ordens Militares em Portugal e no Sul da Europa. Actas do II Encontro sobre Ordens Militares. Lisboa: Edições Colibri - Câmara Municipal de Palmela, 1997
RINCÓN GARCIA, Wilfredo - Iconografía de la Real y Distinguida Orden de Carlos III, in Fragmentos, nº. 12-13-14. Madrid: 1988
WERLICH, Robert - Orders and Decorations of all Nations. Ancient and Modern, Civil and Military. Washington: Quaker Press, 1973
TWININ (Lord) - A History of the Crown Jewels of Europe. Londres: B.T. Batsford, 1960
ESTRELA, Paulo Jorge; MATOS, Lourenço Correia de - "Ordens Honoríficas: Honra, Mérito e Esplendor". in RIBEIRO, José Alberto (coord.). Catálogo do Museu Tesouro Real do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Imprensa Nacional, 2023