A dança
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Museu: Palácio Nacional da Ajuda
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Nº de Inventário: 190
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Têxteis
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Autor:
Goya, Francisco; (Pintor)
Autor desconhecido (Tapeceiro)
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Datação: 1784
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Técnica: Tapeçaria de liço
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Dimensões (cm): Alt. 335 x Larg. 355
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Descrição: A composição ilustra os divertimentos dos "majos" madrilenos, tendo como cenário as margens do rio Manzanares nos arredores da cidade de Madrid.
As figuras centrais, dois "majos" e duas "majas", dançam uma seguidillha, dança tradicional popularizada pelos sainetes, pelas estampas e pelo teatro contemporâneos. À esquerda dos dançantes, os músicos. Um deles canta, outro marca o compasso com palmas.
O enquadramento paisagístico assume um papel secundário nesta composição, onde impera o elemento humano.
No cartão para esta tapeçaria, Francisco de Goya (1746-1828) deu ênfase às personagens que encarnam o carácter e os costumes nacionais. De realçar o traje elegante e colorido dos "majos" e das "majas", que o pintor ilustra com detalhe. As "majas" envergam saias curtas e avental preto, sapatos de fivela coloridos, um corpete ajustado com mangas até aos punhos e o cabelo preso numa rede colorida; os "majos", jaquetas curtas, colete e calções justos, meias brancas, sapatos com fivela e redes no cabelo.
O cartão para esta tapeçaria foi entregue pelo pintor na Real Fábrica de Santa Barbara a 3 de Março de 1777.
Idêntica na sua composição e dimensões, esta tapeçaria foi projectada para figurar junto à composição "Merenda", na sala de jantar dos príncipes das Astúrias no palácio do Pardo, em Madrid.
Cercadura e orlas:
Seguindo os modelos em voga na época, quando as composições figurativas e com motivos alegóricos eram já consideradas obsoletas, estas cercaduras apresentam o chamado padrão em "SS e platillos", de motivos vegetais e geométricos e cores vivas (onde predominam os amarelos, azuis e vermelhos).
As orlas são castanhas escuras.
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Origem/Historial: A primeira edição desta série foi concebida para a sala de jantar dos príncipes das Astúrias no palácio do Pardo, em Madrid.
A série actualmente no PNA foi oferecida por Carlos III de Espanha à sua sobrinha D. Maria I de Portugal. As tapeçarias, que chegaram a Portugal em Dezembro de 1784, destinavam-se às duas salas do dossel da Rainha no Paço de Madeira.
Sobre este assunto veja-se "Tapeçarias da Casa Real ..." (campo Bibliografia).
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Incorporação: Casa Real
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Bibliografia
- APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional da Ajuda, vol. 1, 1911
- Illustração Portugueza. Lisboa: 1906
- Illustração Portugueza, No. 117, 18 Maio 1908
- MENDONÇA, Maria José de - Inventário de Tapeçarias existentes em Museus e Palácios Nacionais. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1983
- SANTANA, Maria Manuela - Tapeçarias da Casa Real Portuguesa em Setecentos: a Colecção do Palácio Nacional da Ajuda [Tese de Mestrado, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras]. Lisboa,: 2006
- SANTANA, Maria Manuela - Tapeçarias segundo cartões de Francisco Goya, Guillermo Anglois e José del Castillo nas antigas colecções da Coroa portuguesa, in Revista Olisipo, II série, nº 26. Lisboa,: Janeiro/Junho 2007
- SANTANA, Maria Manuela; MIRA, Filomena; FIGUEIREDO, Mariana - Tapeçarias do Palácio Nacional da Ajuda da Real Fábrica de Santa Bárbara de Madrid: Projecto de Conservação, in Património - Estudos, nº 4. Lisboa: MC - IPPAR, 2003