Medalha Comemorativa da Fundação do Real Colégio de Mafra
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Museu: Palácio Nacional de Mafra
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Nº de Inventário: PNM 7036
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Medalhística
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Autor:
Autor desconhecido (Escultor)
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Datação: 1772
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Suporte: Prata
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Técnica: Prata fundida e gravada. Estojo em cartão, forrado a seda e veludo, e fecho em metal dourado.
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Dimensões (cm): Diâm. 5
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Descrição: Medalha em prata comemorativa da Fundação do Real Colégio de Mafra. No anverso, imagem em relevo de Nossa Senhora da Conceição, de corpo inteiro, de pé, com as mãos unidas em oração, pé direito sobre uma víbora, símbolo do mal, cabeça coroada com auréola de pequenas estrelas e com resplendor em torna; vestes drapeadas. A figura encontra-se pousada sobre meia esfera. Ladeando a imagem 5 querubins em tufos de nuvens, estando 2 a par. No reverso uma cartela em forma de sacra, com moldura decorada com rosas de vários tamanhos e malmequeres e algumas ramagens com botões. No interior da sacra a inscrição, em 4 linhas: "REAL / COLLEGIO / DE / MAFRA". Na base, em 2 linhas: "ANNO DOMINI / MDCCLXXII" (1772). Coroando a sacra, figura do sol com rosto humano. Possui estojo rectangular castanho, forrado com veludo escuro no fundo e seda castanha na tampa. Fecho em metal dourado.
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Origem/Historial: Lopes Fernandes no seu livro "Medalhas e Condecorações Portuguesas" diz: " O Convento de Santo António de Mafra, pertencente aos padres arrabidos desde a sua fundação, foi em 1772 entregue aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, dando-se-lhes os rendimentos dos outros seus extintos conventos, obrigando-os a fazer as obras necessárias para a conservação deste sumptuoso edifício; e a estabelecerem um collegio para a instrução da mocidade secular, aonde estudariam as linguas, portugueza, francesa, italiana, ingleza, latina, grega e hebraica, a rhetorica e poetica, logica e metaphysica racional e experimental, e a ethica."
Segundo Manuel J. Gandra, esta insígnia da colegiatura de Mafra era imposta depois da Missa, quando se confirmavam os novos candidatos, seguindo-se três dias de exercícios espirituais.
O Real Colégio de Mafra foi instituído pelo Cardeal Cunha em conformidade com a Bula Sacrosantum Apostulatus Ministerium de Clemente XIV (4 de Julho de 1770). D. José I aprovou-lhe os estatutos, sob sua protecção, por alvará do dia 18 de Agosto de 1772. Nesses estatutos estabelecia-se que todos os colegiais deveriam usá-la "pendente e uniforme". (Título VI, Dos Collegiaes, nº 6) de uma fita ao pescoço nos actos públicos, da igreja e sempre que houvesse cerimónias especiais, fora do colégio. (Título XI, Das Obrigações dos Collegiaes, nº 5).
D. Maria I renovou-lhe os estatutos em 27 de Outubro de 1780. Muito amplificados, não só passaram a estipular preceitos omissos, como reformaram ou reformularam outros da anterior regra. A imposição da insígnia persistiu, porém, nos mesmos moldes, mantendo-se estes invariáveis até ao encerramento do colégio, em 1820, apesar da reforma do plano de estudos patrocinada por D. João VI em 1805, a qual vigorou a partir de Janeiro do ano seguinte. Era usada "pendente de uma fita preta ao pescoço" nos "actos públicos, funções de Igreja e casos" e sempre que "forem ou estiverem fora do Colégio, sem ser passeio ordinário". Visando desencorajar o respectivo extravio, a reforma de D. Maria consagrou também uma norma cautelar, a saber: "E para que não torne a suceder outra vez, com dano do Colégio, o desencaminharem-se as Medalhas pelos Colegiais, como já tem sucedido, será obrigado o Pai, Tutor ou Administrador de qualquer colegial a deixar na primeira vez que entrarem para o Colégio 4800 réis em reféns pela Medalha, os quais se guardarão no Cofre da Fazenda, até o Colegial se despedir do Colégio e entregar outra vez a Medalha ao Reitor". Ignora-se se chegou a ser cunhado (mas presume-se que não) algum exemplar da variante "de uma parte a Imagem de Nossa Senhora da Conceição e de outra parte a Imagem de Santo Agostinho."
A insígnia desta colegiatura foi cunhada na Casa da Moeda.
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Incorporação: Aquisição da Direcção Geral da Fazenda Pública ao coleccionador Dr. Ary dos Santos, comunicada esta aquisição na nota nº 4/f?/112, 4ª Secção, de 24 de Maio de 1952.
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Bibliografia
- AGUIÃ, Simão Pedro de - Manual do Peregrino de Vila Viçosa. Braga: 2002
- GANDRA, Manuel J. - Medalhística Mafrense (Secs. XVIII - XIX). Lisboa: Motum Continuum, 1989
- GANDRA, Manuel J. - Medalhística, Notafilia, Filatelia e Vinhetas Mafrenses: (...) in Boletim Cultural '97. Mafra: CMM, Abril 1998