Retrato de D. Maria I

  • Museu: Palácio Nacional de Queluz
  • Nº de Inventário: PNQ 258A
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1777/1792
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Óleo sobre tela
  • Dimensões (cm): Alt. 92,4 x Larg. 71,3
  • Descrição: Retrato de D. Maria I, a meio corpo, voltado de três quartos à esquerda, com a cabeça ligeiramente voltada no mesmo sentido, dirigindo o olhar para a frente, sobre fundo escuro, faces rosadas e cabelos pretos apanhados ao alto com touca de renda com fiada de pérolas e contas brilhantes descrevendo flores ao centro. Brinco com pérola ao centro e outras três em forma de pingo. Apresenta vestido em tons castanhos com motivos vegetalistas e decote partindo dos ombros, debruado com folho de renda, com a Cruz da Ordem de Cristo no lado esquerdo do peito emoldurada com pérolas, sobre uma flor vermelha ao peito. Desta cruz e do ombro direito partem fiadas de pérolas em direcção à jóia usada ao peito. Esta jóia é decorada com pedras preciosas verdes e vermelhas e pérolas em forma de pingo. As mangas do vestido têm folhos de renda com liga com as mesma pedras preciosas no braço. Sobre os ombros, manto verde escuro com faixa dourada bordada, forrada a arminho. Cabelo apanhado com turbante de renda com plumas, com linha de pérolas e contas brilhantes descrevendo flores. A mão direita de D. Maria apoia-se no mesmo lado da coroa real portuguesa, destacando-se a posição original do mindinho, que segundo cremos, poderá ser revelador da autoria. A coroa real é decorada com pérolas e forrada a veludo encarnado, sendo encimada por uma cruz dourada. Encontra-se sobre uma almofada de veludo da mesma cor, com faixa dourada bordada e franjas da mesma cor. À sua esquerda, ceptro real na horizontal. Moldura lisa pintada de negro com filetes dourados.
  • Origem/Historial: Nº 724 do Palácio Nacional da Ajuda D. Maria I, filha primogénita de D. José e de D. Mariana Vitória, nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734. Como futura rainha recebeu uma esmerada educação, a que não foi alheia uma grande religiosidade que a irá marcar enquanto governante; revelará também uma grande inclinação para a música e pintura. A 6 de Julho de 1760, casa com o tio D. Pedro, por quem nutria uma grande afeição e, em Fevereiro de 1777, sobe ao trono após a morte de seu pai D. José, apesar das tentativas de Pombal que tentará ainda afastá-la da sucessão ao trono que passaria directamente para o Príncipe D. José, que melhor serviria os seus ideais políticos. Durante o seu reinado, D. Maria viveu sempre rodeada pelos confessores (o Arcebispo de Tessalónica e o Bispo do Algarve), tendo fundado instituições de interesse público, como as Academias Reais do Comércio e da Marinha em 1778, a Real Academia das Ciências em 1779, as Aulas Régias de Desenho de Lisboa e Porto. Devem-se-lhe também a fundação da Lotaria, aquando da reforma da Misericórdia, a inauguração da Iluminação Pública de Lisboa em 1780, a Casa Pia de Lisboa em 1782, e a Real Biblioteca Pública de Lisboa em 1785. Afastada do governo, assumido a partir de 1792 pelo Príncipe Regente D. João, e apenas preocupada com a sua orientação moral, D. Maria começa a revelar sinais de uma debilidade mental acentauada pelas sucessivas mortes de seu marido D. Pedro III em 1786, do confessor, de seu filho o Príncipe D. José, e ainda pelo advento da Revolução Francesa e pelos acontecimentos políticos daí decorrentes que levaram ao exílio da Família Real Portuguesa para o Brasil com a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão. D. Maria não voltaria mais a Portugal, morrendo no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816, em estado de completa demência.
  • Incorporação: Transferência do Palácio Nacional da Ajuda, por despacho ministerial de 18-01-1939. N.º de ordem 643/1941. Valor da avaliação à época: 1.000$00.

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