Retrato da rainha D. Mariana Vitória de Bourbon

  • Museu: Palácio Nacional de Queluz
  • Nº de Inventário: PNQ 967/2
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Miguel António do Amaral (1710-1780)
  • Datação: 1776/1780
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Óleo sobre tela
  • Dimensões (cm): Alt. 112 x Larg. 88
  • Descrição: Retrato de D. Mariana Vitória de Bourbon (1718-1781), Rainha de Portugal e mulher do Rei D. José, a meio corpo, de pé, apresenta vestido de seda verde profusamente decorado com flores bordadas a fio dourado. Decote acentuado partindo dos ombros, debruado por folho de renda. Este tecido também é utilizado nas mangas (é visível a da esquerda), ocupando a quase totalidade do antebraço, com folhos. Na parte superior, os folhos são intercalados por pérolas. O peitoral apresenta uma grande jóia ornamentada com pedras preciosas, que se prolonga verticalmente, ostentando dois medalhões com as armas de Portugal e Espanha e encimada por coroa real. A jóia peitoral faz conjunto com outra utilizada no cabelo, com os brincos (apenas é visível o da direita) e a fíbula. Ainda no cabelo, fita decorada com riscas horizontais verdes e amarelas. O manto de veludo azul é forrado com arminho. Sob a mão esquerda, coroa real com flores e folhas douradas, decorada com pérolas e veludo encarnado, sobre almofada de veludo da mesma cor com fita e berloques dourados. Em segundo plano, coluna e cortinado de veludo vermelho debruado a dourado, respectivamente, à direita e à esquerda. Moldura dourada entalhada encimada por coroa ladeada por flores, com enrolamentos e flores nos cantos.
  • Origem/Historial: A Rainha D. Mariana Vitória, filha de Filipe V de Espanha e de sua segunda mulher, D. Isabel de Farnésio, nasceu em Madrid, a 31 de Março de 1718. Dos 4 aos 6 anos viveu na corte francesa, por ter estado noiva de Luís XV. Gorado este projecto de casamento regressou a Madrid em 1724. No ano imediato começaram as negociações entre Portugal e Espanha para efectivação de dois casamentos: o de D. Mariana Vitória com o príncipe do Brasil, D. José, e o do herdeiro do trono espanhol, D. Fernando com a infanta portuguesa D. Maria Bárbara. Estas negociações arrastaram-se até 1727, ficando assente que as duas princesas seriam trocadas nas margens do Caia, o que se efectivou com grande pompa numa galeria de madeira com portas para os lados de Espanha e de Portugal. D. Mariana Vitória e o seu noivo foram solenemente abençoados na Sé de Elvas. Deste consórcio nasceram quatro filhas, sendo a mais velha, D. Maria Francisca (D. Maria II), que veio a suceder ao trono. Em 1750 faleceu D. João V. Concomitantemente, começou o reinado de D. José I e de D. Mariana Vitória, vivendo esta última alheada da política; suas ocupações predilectas eram a música, a leitura e a caça. Até que, em 1776, estando D. José já muito doente, D. Mariana foi nomeada regente do Reino, regência que durou até 24 de Novembro de 1777, data da morte do rei. Depois da assinatura do tratado de limites, em 1 de Outubro de 1777 (acordo de Sto. Ildefonso), D. Mariana partiu para Espanha, de onde regressou mais tarde, vindo a falecer no Palácio da Ajuda, em 15 de Janeiro de 1781. Existe na Sala D. Maria-Residência (R/C) do Palácio Nacional de Queluz uma outra pintura da Rainha D. Mariana Vitória (PNQ 968/3). Miguel António do Amaral, pintor do século XVIII, natural de Castelo Branco, faleceu em 1780 com perto de setenta anos. Foi discípulo de Francisco Pinto Pereira. Retratista apreciável e bem remunerado, vivia com certo fausto. Executou retratos, da Família Real Portuguesa, encomendados por um agente da imperatriz Catarina da Rússia, que lhos pagou com liberalidade. Os seus painéis da vida de S. Francisco, feitos por desenhos de Vieira Lusitano e que estiveram nas capelas da Igreja de Xabregas, apodreceram com a humidade. Obras: «Santo António», feito pela estampa de Carlo Marata, no Carmo; alguns meios-corpos nas sacristias da Trindade e das Comendadeiras da Encarnação. Pedro Alexandrino atribui-lhe quatro painéis do Cruzeiro de Belém, que vêm a ser: «Maná», «Triunfos de Nossa Senhora», «Santíssimo Sacramento» e outro. Entrou para a Irmandade de S. Lucas. Lobo compara-o a Aparício. Existe na Sala D. Maria-Residência (R/C) do Palácio Nacional de Queluz uma outra pintura da Rainha D. Mariana Vitória (PNQ 968/3).
  • Incorporação: Aquisição do Estado, autorizada por proposta da Superintendência Artística dos Palácios Nacionais. Nº de ordem 646/1941.

Bibliografia

  • CAT. - No 2.º Centenário da Morte do Príncipe D. José (1761-1788), Exposição organizada pela Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII em colaboração com o Palácio de Queluz e o Grémio Rebeldia, Palácio de Queluz (Dezembro 1988-Fevereiro 1989). Lisboa: 1988
  • TEIXEIRA, José - O Paço Ducal de Vila Viçosa - sua arquitectura e suas colecções. Lisboa: Fundação da Casa de Bragança, 1983

Exposições

  • No 2.º Centenário da Morte do Príncipe D. José (1761-1788)

    • Palácio de Queluz
    • Exposição Física

Multimédia

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