Bible
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Museu: Palácio Nacional de Queluz
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Nº de Inventário: PNQ 3132
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Escultura
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1757/1763
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Técnica: Esculpida/Entalhada
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Dimensões (cm): Alt. 172 x Larg. 56 x Prof. 62
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Descrição: Escultura em vulto perfeito, em mármore, de corpo inteiro, em pé, representando Bible (?), filha de Mileto. Apoiada numa rocha. Cabeça coberta com panejamentos drapeados, que caem ao longo das costas, enrolando-se à frente à volta da cintura. Segura na mão esquerda um bastão, tocando com o cotovelo no vaso apoiado na rocha; braço direita cruza o corpo à frente e ampara o vaso, que entorna água (?). Ligeira torsão do corpo; perna esquerda flectida. Pés descalços.
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Origem/Historial: L. emq. sehandem Lançar osbens moveis do Palacio de Quelus
Lixª. 26 de Março de 1763
fl 91 v
Continua oornatto dodº. Jardim pello Lado esquerdo,sobre a mesma balaustrada. (Feguras)
1Ditta empê nua encostada ahum ryo, eadireyta hua fonte, que reprezenta a Bible filha de Mileto, de 7 ps. a 1pº. 4/10 ( A Bible)
Relativamente à escultura em pedra existente nos Jardins de Queluz, para além da de produção portuguesa, essencialmente em lioz, mármore de Pêro Pinheiro e pedra de Ançã, é importante mencionar a importação de escultura em mármore, de Itália, nomeadamente de Génova.
O agente da encomenda italiana vinda para Queluz, foi Nicolau Possolo, estabelecido em Lisboa, e as peças vieram entre 1757, 1760 e 1765.
As esculturas não eram adquiridas para um espaço determinado e muitas vezes iam mudando de posição, à medida que o jardim se desenvolvia e a decoração de alterava. Muitas estátuas eram policromadas, para parecerem tão próximas da realidade quanto possível, enquanto outras eram parcialmente douradas.
A presença de estátuas espalhadas nos jardins ajuda à marcação de perspectivas, de entradas e sublinha os diversos planos, regulariza a paisagem. As Esculturas ritmam o espaço, o que faz delas peças fundamentais da arquitectura paisagística.
Na iconografia barroca é grande a importância da Alegoria, pela duplicação de significados e pelo seu carácter didáctico. Existia então uma nova visão da história e da mitologia, que as via como imagens alegóricas, que apresentavam um sentido retórico, celebrativo e moralizante.
Em Queluz, são vários os exemplos desta realidade. O Canal foi ornamentado com estátuas e urnas em mármore e a alameda que ligava à Barraca Rica estava ornada com bustos também em mármore, de heróis e heroínas da Antiguidade, assentes sobre pedestais. Na Fachada das Cerimónias, ao longo da balaustrada, junto ao telhado, a colocação de esculturas, veio acrescentar movimento ao seu traçado. Na balaustrada de pedra que circunda o Jardim de Neptuno/Pênsil observam-se estátuas italianas, em mármore, cuja temática mitológica se relaciona com o jardim ou com a vida bucólica. O Jardim de Malta viu-se completado na sua harmonia com a presença, novamente, de bustos de heróis e heroínas da Antiguidade Clássica, colocadas sobre pilastras adoçadas à fachada. A Cascata Grande, desenhada por Robillion, tinha estátuas na balaustrada que a remata.
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Incorporação: Encomenda da Casa Real
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Bibliografia
- AFONSO, Simonetta Luz; DELAFORCE, Angela - Palácio de Queluz - Jardins. Lisboa: Quetzal Editores, 1989
- LEITE, Ana Cristina; Paulo Pereira (direcção) - Alegoria do Mundo: a arte dos jardins, in: História da Arte Portuguesa, 3º Vol.. Barcelona: Círculo dos Leitores, 1995
- RODRIGUES, Ana Duarte - Exemplos de Decorum: De Decorum natura nos jardins barrocos portugueses, in: revista de História de Arte nº3, 2007. Lisboa: Edições Colibri, 2007
- LUCKHURST, Gerald, RODRIGUES, Ana Duarte, PEREIRA, Denise, Os Jardins do Palácio Nacional de Queluz, Palácio Nacional de Queluz / Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1ª edição, Outubro de 2011, 151 pgs.