Ceres/Deméter
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Museu: Palácio Nacional de Queluz
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Nº de Inventário: PNQ 3154
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Escultura
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1757/1763
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Técnica: Entalhada/Esculpida
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Dimensões (cm): Alt. 124 x Larg. 46 x Prof. 50
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Descrição: Escultura em mármore, em vulto perfeito; de corpo inteiro, em pé, virada à esquerda, representando Ceres /Deméter. Cabelo comprido, apanhado atrás de modo elaborado (flores?) e toucado por fita. Boca aberta. Corpo envolto em manto drapeado preso por fita na cintura deixando o tronco e a perna direita nus. Perna esquerda ligeiramente flectida. Segura molho de espigas nas mãos, junto ao lado esquerdo do tronco. Pés descalços.
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Origem/Historial: A peça é referida no inventário de 1763, fl.91r:
"L. emq. sehandem Lançar osbeñs moveis do Palacio de Quelus
Lix.ª 26 de Março de 1763
(...)
continua oornatto do mesmo Jardim pella balaustrada dehuma eoutra parte prencepiando pello Lado direyto. (Feguras de Pedra)
(...)
1 Dittaempê coaze nua com hum molho deespigas noss brassos, vista Retta de 6p.s e 4/10 a 1pº. 6/10: quereprezenta a Ceres Pacífica."
Relativamente à escultura em pedra existente nos Jardins de Queluz, para além da de produção portuguesa, essencialmente em lioz, mármore de Pêro Pinheiro e pedra de Ançã, é importante mencionar a importação de escultura em mármore, de Itália, nomeadamente de Génova.
O agente da encomenda italiana vinda para Queluz, foi Nicolau Possolo, estabelecido em Lisboa, e as peças vieram entre 1757, 1760 e 1765.
As esculturas não eram adquiridas para um espaço determinado e muitas vezes iam mudando de posição, à medida que o jardim se desenvolvia e a decoração de alterava. Muitas estátuas eram policromadas, para parecerem tão próximas da realidade quanto possível, enquanto outras eram parcialmente douradas.
A presença de estátuas espalhadas nos jardins ajuda à marcação de perspectivas, de entradas e sublinha os diversos planos, regulariza a paisagem. As Esculturas ritmam o espaço, o que faz delas peças fundamentais da arquitectura paisagística.
Na iconografia barroca é grande a importância da Alegoria, pela duplicação de significados e pelo seu carácter didáctico. Existia então uma nova visão da história e da mitologia, que as via como imagens alegóricas, que apresentavam um sentido retórico, celebrativo e moralizante.
Em Queluz, são vários os exemplos desta realidade. O Canal foi ornamentado com estátuas e urnas em mármore e a alameda que ligava à Barraca Rica estava ornada com bustos também em mármore, de heróis e heroínas da Antiguidade, assentes sobre pedestais. Na Fachada das Cerimónias, ao longo da balaustrada, junto ao telhado, a colocação de esculturas, veio acrescentar movimento ao seu traçado. Na balaustrada de pedra que circunda o Jardim de Neptuno/Pênsil observam-se estátuas italianas, em mármore, cuja temática mitológica se relaciona com o jardim ou com a vida bucólica. O Jardim de Malta viu-se completado na sua harmonia com a presença, novamente, de bustos de heróis e heroínas da Antiguidade Clássica, colocadas sobre pilastras adoçadas à fachada. A Cascata Grande, desenhada por Robillion, tinha estátuas na balaustrada que a remata.
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Incorporação: Encomenda da Casa Real
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Bibliografia
- AFONSO, Simonetta Luz; DELAFORCE, Angela - Palácio de Queluz - Jardins. Lisboa: Quetzal Editores, 1989
- GRIMAL, Pierre - Dictionnaire de la Mythologie Grecque et Romaine. Paris: Presses Universitaires de France, 1988
- LEITE, Ana Cristina; Paulo Pereira (direcção) - Alegoria do Mundo: a arte dos jardins, in: História da Arte Portuguesa, 3º Vol.. Barcelona: Círculo dos Leitores, 1995
- MARTIN, René - Dicionário Cultural da Mitologia Greco-Romana. Lisboa: Pbl. Dom Quixote, 1995
- RODRIGUES, Ana Duarte - Exemplos de Decorum: De Decorum natura nos jardins barrocos portugueses, in: revista de História de Arte nº3, 2007. Lisboa: Edições Colibri, 2007