Descrição: Escultura em vulto perfeito, de corpo inteiro, em mármore, em pé, virada à direita, representando Pomona.
Cabelo apanhado, caindo sobre o lado esquerdo do pescoço. Representada de boca aberta. Corpo descoberto, à excepção de uma manto drapeado sobre o ombro esquerdo, cobrindo as costas e parte do braço direito e da perna esquerda, caindo aos pés. Pomona segura na mão esquerda um cesto com frutos, que encosta à perna. A mão direita segura uma extremidade do manto, junto ao peito esquerdo. A perna deste lado está ligeiramente flectida. Tardoz pouco trabalhado.
Origem/Historial: Esta estátua aparece referida nos Inventários de 1763/1776, fl. 88r e de 1798, fl. 2v: «1,, Ditta coaze nua empê comfrutos namaô esquerda vista Retta ao pê daobra de Ron. de 9ps. a 2ps. Reprezenta aPomon» (...) «Ao longo da magnífica balaustrada de pedra que circunda o Jardim de Neptuno foi colocada uma colecção de estátuas italianas de mármore cuja temática se relaciona com o jardim ou com a vida bucólica. Estão praticamente todas nos seus primitivos lugares, de acordo com o Inventário de 1763. As figuras que circundam o jardim são Pã, a ninfa Egéria, Pomona, Ceres transportando espigas numa cornucópia, Flora com flores, a Abundância, três representações de Baco, o Outono e Agosto. A elas preside Príapo, o antigo deus da fertilidade, que é citado como o legendário protector dos jardins», in Palácio de Queluz. Jardins, Afonso e Delaforce, p. 28 e p.43
Relativamente à escultura em pedra existente nos Jardins de Queluz, para além da de produção portuguesa, essencialmente em lioz, mármore de Pêro Pinheiro e pedra de Ançã, é importante mencionar a importação de escultura em mármore, de Itália, nomeadamente de Génova.
O agente da encomenda italiana vinda para Queluz, foi Nicolau Possolo, estabelecido em Lisboa, e as peças vieram entre 1757, 1760 e 1765.
As esculturas não eram adquiridas para um espaço determinado e muitas vezes iam mudando de posição, à medida que o jardim se desenvolvia e a decoração de alterava. Muitas estátuas eram policromadas, para parecerem tão próximas da realidade quanto possível, enquanto outras eram parcialmente douradas.
A presença de estátuas espalhadas nos jardins ajuda à marcação de perspectivas, de entradas e sublinha os diversos planos, regulariza a paisagem. As Esculturas ritmam o espaço, o que faz delas peças fundamentais da arquitectura paisagística.
Na iconografia barroca é grande a importância da Alegoria, pela duplicação de significados e pelo seu carácter didáctico. Existia então uma nova visão da história e da mitologia, que as via como imagens alegóricas, que apresentavam um sentido retórico, celebrativo e moralizante.
Em Queluz, são vários os exemplos desta realidade. O Canal foi ornamentado com estátuas e urnas em mármore e a alameda que ligava à Barraca Rica estava ornada com bustos também em mármore, de heróis e heroínas da Antiguidade, assentes sobre pedestais. Na Fachada das Cerimónias, ao longo da balaustrada, junto ao telhado, a colocação de esculturas, veio acrescentar movimento ao seu traçado. Na balaustrada de pedra que circunda o Jardim de Neptuno/Pênsil observam-se estátuas italianas, em mármore, cuja temática mitológica se relaciona com o jardim ou com a vida bucólica. O Jardim de Malta viu-se completado na sua harmonia com a presença, novamente, de bustos de heróis e heroínas da Antiguidade Clássica, colocadas sobre pilastras adoçadas à fachada. A Cascata Grande, desenhada por Robillion, tinha estátuas na balaustrada que a remata.
GRIMAL, Pierre - Dictionnaire de la Mythologie Grecque et Romaine. Paris: Presses Universitaires de France, 1988
LEITE, Ana Cristina; Paulo Pereira (direcção) - Alegoria do Mundo: a arte dos jardins, in: História da Arte Portuguesa, 3º Vol.. Barcelona: Círculo dos Leitores, 1995
MARTIN, René - Dicionário Cultural da Mitologia Greco-Romana. Lisboa: Pbl. Dom Quixote, 1995
RODRIGUES, Ana Duarte - Exemplos de Decorum: De Decorum natura nos jardins barrocos portugueses, in: revista de História de Arte nº3, 2007. Lisboa: Edições Colibri, 2007
LUCKHURST, Gerald, RODRIGUES, Ana Duarte, PEREIRA, Denise, Os Jardins do Palácio Nacional de Queluz, Palácio Nacional de Queluz / Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1ª edição, Outubro de 2011, 151 pgs.