Etéoclo
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Museu: Palácio Nacional de Queluz
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Nº de Inventário: PNQ 3202
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Escultura
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1757/1763
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Técnica: Esculpido/Entalhado
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Dimensões (cm): Alt. 178 x Larg. 82 x Prof. 56
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Descrição: Escultura em mármore, em vulto perfeito, de corpo inteiro, em pé, virada à direita, olhanda para baixo, representando Etéoclo.
Exibe toucado elaborado, constituído por coroa de flores, sobre um cabelo bem detalhado e tem o corpo descoberto, à excepção do manto, que num movimento dinâmico lhe envolve os ombros e peito, passa pelas costas até aos pés e lhe envolve a cintura e parte das pernas. Na mão esquerda segura o que parece ser um ramo de flores. Dirige o olhar para um putto, que se encontra à sua direita, por trás da respectiva perna, totalmente despido e tocando com a sua mão direita nas costa de Etéoclo; o menino está em pé e oferece uma flor a Etéoclo, que tem a mão aberta, ao nível da cintura, para a receber.
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Origem/Historial: Esta estátua (?) aparece referida nos Inventários de 1763/1776, fl. 93r: «1,,Fegura demarmore de fora empê coaze nua encostada a hum rochedo, com amaô esquerdapegando nas Roupas, edeste mesmolado hum rapaz com huma enfiada de flores, eaditta fegura com huma touca [capacete] na cabessa; vista Retta de 9 a 2ps. que reprezenta a Etheocleas. [Theocleas], in Palácio de Queluz. Jardins, Afonso e Delaforce, p. 45.
Relativamente à escultura em pedra existente nos Jardins de Queluz, para além da de produção portuguesa, essencialmente em lioz, mármore de Pêro Pinheiro e pedra de Ançã, é importante mencionar a importação de escultura em mármore, de Itália, nomeadamente de Génova.
O agente da encomenda italiana vinda para Queluz, foi Nicolau Possolo, estabelecido em Lisboa, e as peças vieram entre 1757, 1760 e 1765.
As esculturas não eram adquiridas para um espaço determinado e muitas vezes iam mudando de posição, à medida que o jardim se desenvolvia e a decoração de alterava. Muitas estátuas eram policromadas, para parecerem tão próximas da realidade quanto possível, enquanto outras eram parcialmente douradas.
A presença de estátuas espalhadas nos jardins ajuda à marcação de perspectivas, de entradas e sublinha os diversos planos, regulariza a paisagem. As Esculturas ritmam o espaço, o que faz delas peças fundamentais da arquitectura paisagística.
Na iconografia barroca é grande a importância da Alegoria, pela duplicação de significados e pelo seu carácter didáctico. Existia então uma nova visão da história e da mitologia, que as via como imagens alegóricas, que apresentavam um sentido retórico, celebrativo e moralizante.
Em Queluz, são vários os exemplos desta realidade. O Canal foi ornamentado com estátuas e urnas em mármore e a alameda que ligava à Barraca Rica estava ornada com bustos também em mármore, de heróis e heroínas da Antiguidade, assentes sobre pedestais. Na Fachada das Cerimónias, ao longo da balaustrada, junto ao telhado, a colocação de esculturas, veio acrescentar movimento ao seu traçado. Na balaustrada de pedra que circunda o Jardim de Neptuno/Pênsil observam-se estátuas italianas, em mármore, cuja temática mitológica se relaciona com o jardim ou com a vida bucólica. O Jardim de Malta viu-se completado na sua harmonia com a presença, novamente, de bustos de heróis e heroínas da Antiguidade Clássica, colocadas sobre pilastras adoçadas à fachada. A Cascata Grande, desenhada por Robillion, tinha estátuas na balaustrada que a remata.
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Incorporação: Encomenda da Casa Real
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Bibliografia
- AFONSO, Simonetta Luz; DELAFORCE, Angela - Palácio de Queluz - Jardins. Lisboa: Quetzal Editores, 1989
- GRIMAL, Pierre - Dictionnaire de la Mythologie Grecque et Romaine. Paris: Presses Universitaires de France, 1988
- LEITE, Ana Cristina; Paulo Pereira (direcção) - Alegoria do Mundo: a arte dos jardins, in: História da Arte Portuguesa, 3º Vol.. Barcelona: Círculo dos Leitores, 1995
- MARTIN, René - Dicionário Cultural da Mitologia Greco-Romana. Lisboa: Pbl. Dom Quixote, 1995
- RODRIGUES, Ana Duarte - Exemplos de Decorum: De Decorum natura nos jardins barrocos portugueses, in: revista de História de Arte nº3, 2007. Lisboa: Edições Colibri, 2007