Caixa de Costura
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Museu: Palácio Nacional de Queluz
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Nº de Inventário: PNQ 138A
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Mobiliário
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1830/1850
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Suporte: Madeira de magnólia
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Técnica: Madeira lacada
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Dimensões (cm): Alt. 18 x Larg. 56.2 x Prof. 41.
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Descrição: Caixa de Costura, de forma rectangular em madeira de magnólia, criptoméria japónica, bambú e laca, com apetrechos de latão, marfim e seda.
A peça é composta por tampa, tabuleiro e gaveta. Na decoração exterior observam-se cartelas com paisagens pintadas no interior e limitadas por fio dourado e negro com curvas e contracurvas em forma de lóbulos. Estes elementos são envolvidos por ponteados. O tampo tem dez rectângulos concêntricos onde estão inseridas dezassete cartelas. Na frente, reverso e ilhargas existe apenas uma cartela maior central ladeada por duas mais pequenas. Nas ilhargas existem duas gualdras em latão, de forma curvilínea e com espelhos redondos e lisos. No interior da tampa existe uma prancha toda negra inserida numa moldura com decoração dourada alternadamente lisa e ponteada. O tabuleiro amovível, assenta numa divisória do corpo inferior e está divivido em 23 compartimentos separados por 22 divisórias de madeira lacada de negro com topo dourado. Em quatro compartimentos existem caixas com as respectivas tampas. Noutros dois compartimentos existem apenas as tampas que encaixam directamente nas divisórias do tabuleiro. A decoração de ambas as tampas é dourada e preta, abstracta e figurativa, as primeiras, de dimensão menor, têm um filete dourado e são totalmente preenchidas por paisagens. Nas segundas, maiores, só a zona central tem paisagem, seguida de uma zona intermédia com decoração ponteada a ouro sobre fundo negro e que remata com moldura constituída por dois fios, um negro e outro dourado, seguidos por uma faixa de gregas negras. Todas as tampas têm ao centro uma pequena argola em metal dourado. No compartimento central da retaguarda, que não tem tampa existe uma pequena almofada que, provavelmente tinha como função espetar alfinetes. Encontram-se também no tabuleiro quatro caixinhas pequenas, das quais duas são cilíndricas e as outras em forma de prismas octogonais, ambas decoradas lateralmente por finas riscas douradas verticais e no topo por pontos e manchas douradas sempre sobre fundo negro. Quando colocadas no tabuleiro, estas caixas e outros objectos em marfim estão inseridos numas placas de marfim com decoração vasada formada por flores estilizadas. A função destas placas é adquirir maior estabilidade para os objectos que se encontram dentro da caixa. Pelos diversos compartimentos do tabuleiro encontram-se espalhados vários objectos de marfim, tais como agulhas, um carrinho de linhas, seis enroladores de bobines, uma almofada com torno, etc. Existem quatro elementos estreitos em madeira, cujos topos têm uma forma côncava pintada a ouro, que estão colocados entre as caixas que primeiramente foram referidas e que devem ter como função a colocação de agulhas. A gaveta que possivelmente serviria para escritório, ocupa a parte inferior da caixa e é dividida, tal como o tabuleiro superior em oito compartimentos. Um destes compartimentos, o central e maior, tem uma tampa articulada por dobradiças junto à fechadura, uma fita no lado contrário para se poder abrir e um elemento no interior que a mantém inclinada quando aberta, podendo servir de escrivaninha. A decoração exterior desta tampa é idêntica à das tampas maiores do tabuleiro superior. Outro compartimentoà direita, central, está preenchido por um bloco de madeira com forma côncava no topo, pintado a ouro deveria servir para colocar lápis e canetas. Uma divisória com tipo de fuso para prender e enrolar fitas (?). As restantes divisórias encontram-se vazias.
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Origem/Historial: Nº 656 do Palácio Nacional de Sintra
A técnica de construção da caixa é difícil de observar devido à camada de laca que cobre praticamente toda a superfície. Contudo nalgumas lacunas existentes, consegue-se ver as uniões de topo a meia madeira. A seguir à madeira temos como preparo uma espessa camada de argila misturada com laca a qual ajuda a proteger e manter a coesão de todos os elementos. Em seguida tem um fino conjunto de camadas de laca negra sobre a qual foi aplicada toda a decoração com as suas diversas técnicas utilizando igualmente a laca como elemento principal. As placas de marfim que se encontram nos compartimentos do tabuleiro superior assentam sobre pequenos paus de bambú colados nos cantos. As gualdras são fixas no interior através de chapa metálica e espigão de batidona ponta tipo "rebite". A fechadura superior é fixa com pregos finos . As divisórias dos compartimentos dos dois tabuleiros ajustam-se através de sulcos e extremidades em forma de "V". As dobradiças da tampa são interiores, embutidas na madeira em forma de ganzepe e todo o conjunto é fixo à tampa com duas chapinhas e um espigão de metal.
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Incorporação: Nº 656 do Palácio Nacional de Sintra, transferido por despacho de 18-01-1939
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