Jarrão (par)
-
Museu: Museu de Lamego
-
Nº de Inventário: 2419
-
Super Categoria:
Arte
-
Categoria: Cerâmica
-
Autor:
Autor não identificado (-)
-
Datação: 1850/1900
-
-
Técnica: Moldada e vidrada, com decoração polícroma e dourada.
-
Dimensões (cm): Alt. 187 x Diâm. (boca) c.71
-
Descrição:
Jarrão em forma em balaústre colo elevado em trombeta com secção central bojuda delimitada por anel relevado dourado. Bordo arredondado, recortado e revirado para fora, evidenciado por folheado. Executado numa porcelana branca e pesada, foi revestido por vidrado brilhante e decoração polícroma nos tons azul, vermelho ferro e dourado, predominantemente, combinados com preto, rosa, verde, amarelo e castanho.
Decorado com motivos ornamentais na base, ombro e colo, no bojo do jarrão desenvolvem-se várias cenas de lazer, ao ar livre, seccionadas por dois planos horizontais. No inferior, com maior destaque, um grupo de rapazes, ricamente trajados, em volta de uma gigantesca bola de neve; mulher e criança passeando-se e, numa terceira cena, figura masculina genuflete-se à chegada de um grupo. Sobrepõem-se, a este plano, crianças brincando com cavalos de pau, enquanto outro grupo se debruça sobre um tanque com peixes vermelhos; um homem cobre com uma sombrinha uma criança, junto a uma ponte, e um casal volta os corpos e a atenção para uma mulher, gesticulando os braços.
Da paisagem, pontuada por casario, estende-se frondosa vegetação, distinguindo-se ameixieiras, peónias, crisântemos e pinheiros, entre outros.
Na base, a decoração compreende uma barra formada por painéis, com peónia e enrolamentos rematados em arco polilobado, ligados por ruyi e motivo trifólio; o ombro, dividido em nove reservas preenchidas por círculo onde se inscreve um losango e flor, ladeado por fénices afrontadas, pendendo de um laço dourado, delimitado, superiormente, por duplo motivo trilobado e, inferiormente, por mosca. O motivo é delimitado por ramalhete, em fundo azul-cobalto, com enrolamentos vegetalistas.
No colo, a decoração distribui-se por três secções horizontais. Na primeira, de baixo para cima, dominam dois medalhões ovoides, com fénix esvoaçante sobre nuvens e motivos vegetalistas, delimitados por hexágonos preenchidos por cavalo-marinho e serpente, alternadamente. A separar os medalhões, diversos padrões com motivos geométricos, enrolamentos vegetalistas, flores e fénices; na segunda um anel bojudo, decorado por quatro medalhões com arranjos florais e fénix, em vermelho ferro, sobre a superfície azul, com enrolamentos florais, delimitado por anel dourado, fazendo a transição para a terceira seção, que se desenvolve por toda a trombeta, com um registo paisagístico, na parte inferior, junto ao anel e, na superior, decoração de carácter ornamental, constituída por quatro corações de recorte polilobado, onde se inscrevem leques com animais alados afrontados, motivos geométricos e enrolamentos vegetalistas. Como elementos de ligação entre motivos em forma de coração, quatro medalhões emoldurados, contendo, alternadamente, dragão com língua de fogo envolto em vagas espumosas e fénix entre flores e folhas. Os medalhões são coroados por reserva com flor cruciforme e mosqueta. Bordo da trompeta delineado por filete dourado.
-
-
Origem/Historial: Provenientes do Japão, a primeira ligação que se conhece do para de jarrões a Portugal remete para uma fotografia datada de inícios do século XX, do interior do palacete da família de Alexandre Herculano Rodrigues (n. Lamego, 1882), na avenida da Liberdade, em Lisboa.
Após vários anos emigrado no Brasil, Alexandre Herculano Rodrigues regressa a Lamego, onde constrói o palacete da Quinta da Vista Alegre. Como herança familiar, os jarrões vêm então para a província, para fazer parte da decoração da nova residência.
O palacete e o recheio foram, mais tarde, comprados por António Rodrigues Tavares, um próspero empresário, igualmente, brasileiro de torna-viagem, natural de Baião. Caberia a este último, a doação ao Museu de Lamego, em 1981, como expressão de gratidão à cidade que o recebeu.
De acordo com o processo de doação, os jarrões terão sido produzidos em Quioto.
-
Incorporação: António Rodrigues Tavares (proc. 43.2. /oft.)
-
Centro de Fabrico: Japão, Kioto (?)
Exposições
-
Japão. Torna-viagem
- Museu de Lamego
- 13/4/2025 a 24/5/2025
- Exposição Física