Descrição: Tampa de sepultura fragmentada e irregular, de xisto, do tipo I ou Alentejano (Gomes e Monteiro, 1977) com representação, em relevo, de armas. Apresenta motivos clássicos da iconografia deste tipo de tampas: espadas e uma figura bi-ancoriforme disposta na vertical. A face decorada foi preparada de modo a criar relevo aos elementos compositivos que se pretendiam definir e regularizar por polimento. Se a espada é facilmente correlacionável com alguns exemplares já identificados, sobretudo, em sepulturas da Idade do Bronze, a compreensão da figura bi-ancoriforme é muito mais problemática. Todos os autores que estudaram monumentos com esta representação, propõem diferentes interpretações. Leite de Vasconcelos (1908) considera-as como machados de gume largo, para Abel Viana (1962) ou Fernando Nunes Ribeiro (1965) seriam armas defensivas sem precisarem o tipo. H. Breuil associa-as a ídolos megalíticos, enquanto que para Martin Almagro (1966) poderiam representar a alma do defunto ou o deus que acolheria o morto. Varela Gomes e Pinho Monteiro (1977) consideram-nas como símbolos de autoridade e poder, enquanto que Caetano Beirão (1973) limita-se a denominá-las de "objectos não identificados". No que à espada diz respeito é possível incluí-la no tipo das de lâmina de bordos rectos da tipologia poposta por Almagro (1966).
Este tipo de estelas teriam servido como tampas de sepulturas do tipo cista, que se colocavam horizontalmente sobre as sepulturas. As tampas de sepultura com representações de armas são típicas da região sul do actual território português, estando documentadas numa ampla região, que se estende desde o concelho de Santiago do Cacém ao Algarve.
Origem/Historial: *Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei nº 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; nº 19/2006; 18/07/2006*
Esta peça foi oferecida ao Museu em 1950 por Manuel Gomez Sosa, seu achador, (Cf. doc. no processo MNA 1438)
Incorporação: Foi entregue por Sr. Manuel Gomez Souza.
Bibliografia
ALMAGRO, M - Las estelas decoradas del sudoeste peninsular, vol. VIII. Madrid: 1966
GOMES, M.V.; MONTEIRO, J.P. - As estelas decoradas da Herdade de Pomar (Ervidel-Beja)- Estudo comparado. In Setúbal Arqueológica, vol. II-III. Setúbal: 1976-1977
HELENO, Manuel - "Um quarto de século de investigação arqueológica".In O Arqueólogo Português, Nova Série, 3,. Lisboa: Imprensa Nacional, 1956
SANTOS, Manuel Farinha dos - A estela decorada de Castro Verde. In Actas das II Jornadas Arqueológicas. Vol. 1. Lisboa: 1973