Dimensões (cm): Comp. 15,5 x Alt. 6,21 x Larg. 9,5 x Esp. 0,087
Descrição: Placa de xisto de contorno sub-trapezoidal, gravada numa face, exibindo dois orifícios para suspensão, podem também, ser considerados "olhos". A decoração organiza-se em duas áreas distintas, separadas porn uma linha horizontal. A parte superior, do lado direito dos orifícos, encontra-se decorada por três triângulos sobrepostos, dois deles preenchidos, e um vazio. O lado esquerdo dos orifícios, apresenta-se também, composto por três triângulos sobrepostos, possuindo dois preenchidos, e um vazio. As duas zonas são divididas por um triângulo vazio, invertido. A parte inferior é constituída por quatro fiadas de triângulos preenchidos, alternados por triângulos vazios. Estas faixas, encontram-se separadas por três linhas horizontais.
Origem/Historial: Aljezur
“A história dos sepulcros colectivos de Aljezur é uma história antiga, do último quartel do séc. XIX. Começa em 1881, quando, em Novembro, José da Costa Serrão comunica a Estácio da Veiga ter recolhido uma grande quantidade de ossos humanos e artefactos diversos, numas covas junto à Igreja matriz da Senhora de Alva (Veiga, 1886, p.21).
(...)
Basicamente, a descrição e os comentários do pioneiro algarvio, incluídos no primeiro volume das Antiguidades Monumentais do Algarve, reconhecem:
1. a extraordinária importância do sítio
2. a natureza e os conteúdos do sítio “uma construção subterrânea (…) com muitos ossos humanos, numerosos instrumentos de pedra e outros objectos”, p.146
3. a inexistência de uma estrutura tumular visível acondicionante das destruições sofridas pela necrópole
4. a típica situação de uma necrópole colectiva, com ritos de inumação primária, com os Corpos sentados
5. pelos novos trabalhos de Estácio da Veiga e Nunes da Glória, identifica-se um número mínimo de 30 indivíduos (p.149)
6. os ritos funerários foram então impossíveis de recuperar, mas resta-nos talvez vestígios de um depósito de artefactos de pedra polida similar ao identificado em STAN-2 e Gorginos 3 (Gonçalves 2001)(...)
3. as necrópoles colectivas de Aljezur devem corresponder a um espaço funerário escavado no solo, mas não necessáriamnete assumindo o aspecto de hipogeus, e muito menos de grutas artificiais, como as que conhecemos nas penínsulas de Lisboa e Setúbal;
4. o estudo dos materiais arqueológicos associados às placas, indica uma utilização muito homogénea - cultural e cronológicamente, localizável algures na primeira metade do 3º milénio a.n.e.” (Gonçalves, OAP, v.22, p.163-318).
GONÇALVES, Victor S. - As placas de xisto gravadas dos sepulcros colectivos de Aljezur (3º milénio a.n.e.), in O Arqueólogo Português, Série IV, vol. 22. Lisboa: MNA, 2004
LEISNER, Georg; Vera Leisner - Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen. Berlin: Walter de Gruyter & Co., 1959
VEIGA, S.P.M.E - Antiguidades monumentaes do Algarve. In O Arqueológo Português, XV. Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia, 1910