Boneca de osso

  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Nº de Inventário: 18530
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Artefactos ideotécnicos
  • Datação: Século 4/5
  • Técnica: Talhe, polimento e incisão
  • Dimensões (cm): Alt. 11,3 x Larg. 1,5 x Esp. 0,7
  • Descrição: Estilização de uma figura feminina de osso. Cabeça rectangular encimada por sulcos horizontais paralelos e alguns verticais a indicar os cabelos. Olhos marcados por pequeno ponto circundado por um círculo. Boca marcada por sulco horizontal, maxilar inferior sublinhado por um sulco angular. Pescoço decorado por dois sulcos paralelos preenchidos por uma faixa de traços oblíquos. Nos ombros apresenta um oríficio transversal para suspensão. O corpo, recto e achatado, apresenta dois seios salientes de vulto quadrangular com ponto cavado no meio; cinta indicada por três sulcos horizontais paralelos, umbigo cavado e hemisférico, abaixo demarcado o triângulo sexual.
  • Origem/Historial: A descoberta da villa romana de Santa Vitória do Ameixial ocorreu na sequência de trabalhos de exploração de uma pedreira na aldeia de Santa Vitória. O proprietário dos terrenos comunicou o facto a José Leite de Vasconcelos, que já suspeitaria da existência de importantes vestígios arqueológicos no local, tendo enviado o conservador do museu Luis Chaves, para proceder a escavações, o que ocorreu 1915 e 1916. A publicação dos resultados só viria a ocorrer bastante mais tarde, no vol. 30 da 1ª série de “OAP”, de 1938. “Villa dos Mosaicos lhe chamei em 1916 num artigo de O Seculo da Noite, de 26 de Março (…). A princípio das escavações de Santa-Vitória, supus-me sôbre as ruínas dum vicus de colonos (…). À medida que as escavações se alargavam, convenci-me de que estava ali, não o que restava de um aldeamento, mas de uma autêntica villa de grande proprietário, senhor das terras, que a circundavam, e formariam ubérrimo latifúndio nas mãos de bom lavrador (…). Luis Chaves escava parte da villa, que se encontrava já muito destruída, pelo saque a que vinha sendo sujeita pela população local, para a recuperação e reaproveitamento dos materiais de construção, nomeadamente a pedra, pondo a descoberto o peristilo da residência senhorial e as termas, ambas com notáveis pavimentos de mosaico. Para além dos mosaicos, o espólio integra ainda importantes vestígios de escultura de vulto e escultura arquitectónica, materiais de construção, moedas, cerâmicas, utensílios e adornos variados.
  • Incorporação: Intervenções arqueológicas.

Bibliografia

  • CHAVES, Luís - " Acerca da «villa» luso-romana de Santa Vitória do Ameixial ", in Revista de Arqueologia, tomo I. Lisboa: 1932
  • CHAVES, Luís - "A «villa» de Santa Vitória do Ameixial (...) Escavações em 1915-1916", in O Arqueólogo Português, vol. XXX. Lisboa: Imprensa Nacional, 1938
  • CHAVES, Luís - "Latifúndios de Romanos no Alentejo. Uma «villa» romana", in Bol. A. C. Agricultura Portuguesa, 24. Lisboa: 1922
  • VASCONCELOS, José Leite de - "Entre Tejo e Odiana", in O Arqueólogo Português, série I, vol. XXI. Lisboa: Imprensa Nacional, 1916
  • RODRÍGUEZ-MARTÍN, F. German (2024) - La Industria Ósea en la Hispania Romana. Archaeopress Roman ARchaeology, 110.

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