Descrição: O tema central da composição é a coroação de Édipo como rei de Tebas e o casamento com Jocasta.
No centro, o casal régio ocupa o trono sob um alto dossel de tecido brocado e debruado por um galão largo e ornado de pedraria. Jocasta é representada como uma mulher ainda jovem, ostentando a coroa e o ceptro reais. Édipo, a quem uma grossa cadeia de ouro cai sobre o peito, senta-se à direita de Jocasta. No cinto que lhe cinge a veste, mostra a inscrição EDIPVS.
Em primeiro plano e de cada lado da tapeçaria, aproximam-se do trono duas figuras masculinas que, em atitude de reverência, trazem a coroa e o ceptro real. Na retaguarda da figura que segura a coroa, agrupam-se outras duas figuras que presenciam a cena. Uma delas aponta para a cena e para Édipo. Entre duas colunas que integram a estrutura arquitectónica de encontro à qual se ergue o trono, podem ver-se dois arautos fazendo soar instrumentos de sopro. No plano posterior esquerdo, o momento no qual Édipo defronta e decifra o enigma da Esfinge. À direita da tapeçaria e igualmente no plano posterior, duas figuras femininas de expressão enigmática e distante.
Origem/Historial: *Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006; 18/07/2006*
"A série de Édipo pode ter sido uma alegoria encomendada durante a regência de Margarida de Áustria, para reforçar a questão da sucessão por linha materna ao trono de Flandres. Após a morte prematura da mãe de Margarida de Austria, Maria de Borgonha, em 1482, a autonomia da Borgonha foi posta em causa pelo seu marido Habsburgo, Maximiliano I (1459-1519), filho de Frederico III. Depois de anos de guerra e dissidências, a sua filha Margarida restabeleceu a paz após ter sido nomeada regente, em 1507. As razões que levaram os bispos de Lamego a escolher para o seu paço uma série de tapeçarias com tão fortes conotações bélicas, ainda não são bem conhecidas. Talvez as tenham adquirido mais pelas suas qualidades decorativas e ornamentais, que pelas implicações políticas". (Jordan,1988).
A presença do conjunto de tapeçarias flamengas em Lamego, deverá estar relacionada com a acção mecenática de bispos esclarecidos à frente do governo da diocese, empenhados na renovação artística da diocese e na modernização do paço episcopal e respectivo recheio: a D. Fernando Meneses de Vasconcelos, bispo de Lamego, entre 1513-1540, ficará a dever-se a compra, ou mesmo a encomenda, dos primeiros ciclos de panos de história nos quais se inclui a série de Édipo.
Esta e as outras tapeçarias que fazem parte da série de Édipo, encontravam-se a forrar as paredes das salas de recepção e do trono, onde as viram e estudaram José Júlio Rodrigues (1908) e Joaquim de Vasconcelos, que a elas se refere no seu livro Arte Religiosa em Portugal, no qual chama a atenção para a acção do Bispo D. Francisco José Ribeiro Vieira de Brito (1901-1911), que as mandou tirar de arcas escuras onde se encontravam enroladas e dobradas sujeitos à acção dos vermes e as colocou nas referidas salas. "Criado o Museu a 20 de Junho de 1917, o seu Director, João Amaral , retirou-as das paredes onde se encontravam pregadas e armou alguns panos que se encontravam fragmentados.
Em 1940 foi atribuída a verba de vinte e cinco mil escudos para o restauro, verba que ficou à disposição da 6ª secção da Junta Nacional de Educação. Não chegou, porém, a verba a ser utilizada em virtude de não haver em Portugal nenhuma oficina de restauro de têxteis e a guerra não permitir o envio de panos para o estrangeiro. Somente em 1956, com a criação da Oficina de Restauro de Têxteis, que funcionava no antigo Instituto José Figueiredo (actual IPCR), foi possível beneficiar este núcleo de tapeçarias" (Flórido, 1986)
Incorporação: Antigo Paço Episcopal de Lamego
Centro de Fabrico: Flandres
Bibliografia
AMARAL, João - Le Musee de Lamego in L' Art Vivant: 1934
AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
AML Livro de Registo de Correspondência Expedida do Museu, Arq. do Museu de Lamego, 1917-196...
CORREIA, Vergilio - Monumentos e Esculturas. Lisboa: 1924
COSTA, Manuel Gonçalves - História do Bispado e Cidade de Lamego. Renascimento - I, vol. 3. Lamego: 1982
FLÓRIDO, Abel Montenegro - Tapeçarias Flamengas do Museu de Lamego. Lamego: Museu de Lamego /IPPC, 1986
Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
JORDAN, Annemarie - Tapeçaria, Museu de Lamego. Roteiro. Lisboa: Museu de Lamego/IPM, 1998
MENDONÇA, Maria José - Relação dos panos de Rás existentes nas colecções do Estado. Lisboa: Academia Nacional de Belas Art, 1940
MENDONÇA, Maria JosÉ - Tapeçarias do Século XVI. Lisboa: IPPC
PASSOS, Carlos - Lamego na Arte Nacional: 1933
QUINA, Maria Antónia; MOREIRA, Rafael e PESSOA, José - Tapeçarias Flamengas do Museu de Lamego. Lisboa: IPM, 2005
VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Religiosa em Portugal. Lisboa: Vega, 1994
Exposições
Moldagens de escultura gótica
Museu Nacional de Arte Antiga
Exposição Física
Tapeçaria do Século XVI
Lisboa, Galeria de Pintura do Rei D. Luís
Exposição Física
Tapeçarias do Século XVI
Museu de Lamego
Exposição Física
A Matéria Negra da Luz dos Media. Dara Birnbaum
Porto: Fundação de Serralves. Museu de Arte Contemporânea