Retrato do Papa Clemente XIV
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 92
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Pintura
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Autor:
Aparício, Abade Francisco José, (170...-1787) (Pintor)
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Datação: 1772
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Suporte: Tela
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Dimensões (cm): Alt. 76 x Larg. 65
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Descrição: Retrato do Papa Clemente XIV, ao nível do busto, de perfil a 3/4, voltado à direita, com murça pontifical de veludo vermelho e arminho, sobre uma alva de punhos rendados. Completa a indumentária um camauro do mesmo e uma estola encarnada, com as insígnias pontificais e motivos vegetalistas bordados a ouro.
Em atitude de benção, soergue a mão direita, na qual usa um anel de pedra verde.
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Origem/Historial: O retrato do papa Clemente XIV pertence a uma coleção de retratos que, para além deste, compreende também cinco retratos reais: D. José I, D. Mariana Victória de Bourbón, do príncipe D. José (filho dos anteriores) e de D. Maria I e D. Pedro III, datados da segunda metade do século XVIII, que para além do mesmo formato e dimensão, partilham vistosas molduras em talha dourada com motivos rococó a guarnecê-los.
Conservam-se atualmente nas coleções nacionais, numerosos exemplares destes retratos, oriundos naturalmente das coleções reais, mas também de palácios e de paços episcopais, nomeadamente, os retratos que pertenceram ao paço patriarcal de São Vicente de Fora e aos paços espicopais de Castelo Branco, Évora, Bragança e ao de Lamego, a que pertenceu a coleção referida.Trata-se de um conjunto significativo, que revela o bom acolhimento que tiveram junto de uma clientela informada os retratos da família real, de algums titulares da nobreza e altos dignitários do clero, produzidos de acordo com um esquema representacional destinado à fixação de uma imagem de afirmação e poder, filiados em modelos de inspiração francesa, da primeira metade do século XVIII.
Apesar da sua origem mal documentada, é de crer que este exemplar, assim como os demais retratos, tenha sido adquirido, ainda no último quartel do século XVIII quando se realizaram as campanhas de renovação do paço episcopal, ao tempo do bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira, fazendo dotar a residência dos bispos de uma linha mais atualizada que satisfizesse as ambições de aparato vigentes. É aí que os vamos encontrar, em 1821, mais precisamente, na sala de visitas, num ambiente de luxo e opulência, para o qual concorriam as peças de mobiliário de gosto francês – um jogo composto de um canapé e vinte e quatro cadeiras, tudo estofado de damasco vermelho, cómodas-papeleiras e os pares de mesas de jogo; os veludos escarlate dos pesados reposteiros pendendo de sanefas com frisos dourados e um impressionante número de pinturas de assuntos diversos, sessenta, ao todo, a ornar as paredes.
Pese embora a incorporação do palácio e respetivo recheio no património do Estado, decorrente da lei da Separação da Igreja e do Estado, após a implantação da República, a coleção de retratos permaneceria no mesmo local, na antiga residência dos bispos, onde se encontra instalado o Museu desde 1917. Apeados da exposição permanente há vários anos, estiveram expostos numa sala forrada de damasco carmezim, coroada por um teto estucado, em estilo "rocaille", com ornatos brancos sobre fundo rosa. Atualmente encerrada ao público, constitui uma remanescência do aparato decorativo de que se revestiam os aposentos do antigo paço.
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Incorporação: Transferência: antigo Paço Episcopal de Lamego
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Centro de Fabrico: Lisboa
Bibliografia
- AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
- IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
- PAMPLONA, Fernando - Dicionario de Pintores e Escultores Portugueses, I. Lisboa: Liv. Civilização, 1987