Painel de azulejos

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 599
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Quijarro, Fernan Martínez e Herrera, Pedro (-)
  • Datação: 1503
  • Técnica: Aresta
  • Dimensões (cm): Alt. 51 x Larg. 50
  • Descrição: Painel de dezasseis azulejos hispano-mouriscos de padrão com módulo 2.2 azulejos. Pintura a negro, verde, amarelo, azul e branco. A decoração combina motivos fitómorficos de inspiração renascença com esquemas geométricos. O centro é marcado por uma flor delimitada por folhagem radial, encerrada por moldura hexagonal formada por seis orlas lisas, de cor alternada, sendo uma delas mais larga com uma decoração contínua de pequena folhagem.
  • Origem/Historial: Na segunda década do nosso século escreveu Vergílio Correia que, na Sé Velha de Coimbra se encontram azulejos sevilhanos do princípio do século XVI, "em quantidade, encrustados ou guardados" (Correia, 1957). São alguns destes azulejos que o Doutor Vergílio Correia ofereceu ao Museu de Lamego, como refere João Amaral, primeiro diretor do museu (Amaral, 1961). Estes exempalres de azulejos "de lavores" faziam parte de composições destinadas a fazer revestimentos parietais. Foram produzidos segundo a técnica de aresta, que aparece c.1500, substituíndo os azulejos de corda seca. Coimbra foi, depois de Lisboa, o mais importante centro de propagaçaõ de azulejos quinhentistas em Portugal. Isto ficou-se a dever ao patrocínio do grande Bispo-Conde "renascentista" D. Jorge de Almeida, que governou a diocese entre 1483 e 1543. Avultavam, pela quantidade e variedade de padrões, os azulejos que revestiam quase totalmente o interior da Sé velha, pelo menos até finais do século XIX, tendo sido, pouco a pouco arrancados até ficarem reduzidos a um pequeno revestimento junto à pia baptismal e alguns dispersos. O embelezamento da Sé velha com azulejos "de lavores" fazia parte, das obras renascentistas empreendidas no templo pelo referido bispo. Existe um contrato de Escritura de 31 de Outubro de 1503, entre o mestre entalhador flamengo, Olivier de Gand, autor do retábulo do altar-mor da Sé velha e Fernan Martínez Quijarro e Pedro Herrera, referindo a dívida, a favor destes, de 20 mil maravedis relativos a azulejos, que deviam ser pagos em Buarcos, o porto de mar que servia Coimbra. A Olaria de Fernan Martínez Quijarro e de seu filho Pedro Herrera, continuador do ofício de seu pai, foi certamente uma das casas mais famosas de Triana. A fama que alcançou como bom ofiacial está relacionada com a qualidade técnica que procura introduzir na sua olaria, através de contratos com químicos e especialistas em esmaltes, de início do séc. XVI, com vista ao aumento de produção exigido pelas encomendas." (Loureiro, 1992) No Museu Infante Henrique (Faro), guarda-se uma composição de azulejos, de 1987, reproduzindo o revestimento de um dos panos da nave lateral esquerda da Sé Velha, onde forma colocados de forma convencional, utilizada em Sevilha e no convento da Conceição em Beja. Foram aplicados para formar elementos arquitectónicos. Num rectângulo delimitado por azulejos de cercadura, encontra-se um arco trilobado, formado por uma dupla boradura. Toda a superfície é revestida de azulejos fabricados segundo a técnica de aresta, uns com motivos muçulmanos e outros de inspiração renascença, , tendo sido utilizados motivos formados por um só azulejo, ou, como neste exemplar, por módulos de quatro, ou seja, 2x2. Os Museus nacionais do Azulejo e Machado de Castro, conservam a colecção mais importante destes azulejos provenientes da Sé Velha de Coimbra. (Loureiro, 1991)
  • Incorporação: Oferta do Prof. Doutor Vergílio Correia
  • Centro de Fabrico: Sevilha

Bibliografia

  • AMARAL, João - Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego. Lamego: 1961
  • CORREIA, Vergílio - Azulejos. Coimbra: Livraria Gonçalves, Vol. I, 1956
  • Guia de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro. II- Lamego, Bragança e Miranda, vol. 5. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988
  • LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" Azulejos. Lisboa: Europália'91, 1991
  • LOUREIRO, Fátima - "in" No Tempo das Feitorias, A Arte Portuguesa na Época dos Descobrimentos. Lisboa: MNAA, Vol. I, 1992
  • MECO, José - O Azulejo em Portugal, Vol. 15. Lisboa: publicações Alfa, 1989
  • SANTOS, Reynaldo dos - O Azulejo em Portugal. Lisboa: 1957
  • SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal nos Séculos XV e XVI. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian,, 1969

Multimédia

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