Lisboa Subterrânea

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Lápide funerária
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  • Nº de Inventário: E 6877
  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Epigrafia
  • Dimensões: Comp: , Alt: 33,5, Larg: 51,5,
  • Incorporação: Adquirida pelo então conservador Manuel Heleno
  • Descrição: Lápide funerária de mármore branco. O fragmento conservado, de forma rectangular, constitui a parte superior de um epitáfio, sem menção do nome do defunto, nem da data da sua morte. Domina a lápide um arco ligeiramente apontado, em relevo, formando com a moldura exterior um alfiz, em que se insere o campo epigráfico. As lápides decoradas com o chamado "arco simbólico" são conhecidas na tradição peninsular, sobretudo o admirável conjunto de estelas de Almeria, do século VI da Hégira. Entre as lápides árabes de Portugal, destaca-se um fragmento de Mértola, uma estela de Évora ricamente decorada e três da zona de Lisboa. Esta lápide de Frielas, e uma outra da Rua das Madres (Lisboa), todavia, diferenciam-se do restante conjunto pela extrema simplicidade do arco, uma faixa lisa relevada, que encosta à moldura sem menção de qualquer coluna e capitel. A escrita, num pseudo-cúfico aparentemente arcaizante, ocupa quer o intradorso do arco, quer entre este e a moldura. A forma de certos caracteres, a utilização frequente de diacríticos, e a forte estlização do arco, levam a concliur que esta lápide será mais tardia do que habitualmente se lhe atribui, ou seja, do final do século VII H / XII d. C. ou até mesmo do século seguinte, já então em pleno domínio cristão. Aliás, o arco simbólico continuará a ser utilizado pela comunidade da região como é atestado por uma lápide de Lisboa do século XIV. Tradução: "Eterno é Deus. Tem compaixão conforme a sua mercê, ó tu que tudo dominas, e olha[com misericórdia] para o sítio para onde fui mandado. [...] Artur Goulart de Melo Borges e Abel Sidarus
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Lápide de TILIMACO
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  • Nº de Inventário: E 6322
  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Epigrafia
  • Autor: Autor desconhecido
  • Dimensões: Comp: , Alt: 30, Larg: 35,
  • Incorporação: Transportada para o Museu
  • Descrição: Lápide epigrafada consagrada aos deuses Manes: DMS/TILIMACO/ANN LX/NEMENSIUS/PATRI/PIEN/(TISSI)MO /(F)C Consagrado aos deuses Manes. A Telémaco, de sessenta anos de idade. Nemésio mandou fazer (este monumento) a seu pai, modelo de piedade. (VM)
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Estátua de Sileno
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  • Nº de Inventário: 994.50.1
  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Escultura
  • Dimensões: Comp: 108, Alt: 42,5, Larg: 53,
  • Incorporação: A presente estátua recolheu ao Museu das Janelas Verdes antes de ter dado entrada no MNA.
  • Descrição: Estátua de Sileno ébrio representado sob a forma de velho nu, atarracado, de ventre volumoso, barba espessa, dormindo reclinado sobre uma base rochosa coberta de uma pele de animal, a perna esquerda dobrada sob o joelho direito. Segura com a mão esquerda o bocal de um odre de vinho. Deitado sobre o lado esquerdo, a cabeça e o tronco alteados pelo monte de pedras que os suporta e pelo odre que serve de almofada ao ombro, encosta a face às costas da mão direita pousada sobre ombro esquerdo. Mostra o cabelo e a barba volumosos, as pálpebras descidas, a boca aberta, num rictus de prazer. A estátua apresenta-se mutilada, tendo desaparecido a porção inferior das pernas a partir do joelho e uma parte da base junto ao tronco, está fragmentada na cara, mãos e outros pontos da superfície da pedra. Escultura de razoável qualidade plástica, destinada a ser vista de frente sobre um plinto baixo e junto a uma parede, pelo que as costas do Sileno apresentam uma esculturação fruste. É um Sileno, a figura mítica que educou Baco ou Diónisos, ele próprio identificado com Baco envelhecido, embriagado e adormecido junto do odre de vinho, deitado sobre a pele de lobo ou pantera, animais relacionados com os cultos báquicos ou dionisíacos.Trata-se de uma peça encontrada, juntamente com uma outra, no teatro romano de Olisipo remodelado no reinado de Nero. Esculturas semelhantes e com a mesma função apareceram noutros teatros (Arles, Caere, Falerii, Mérida). A conexão entre a função e a decoração parece ter existido nos teatros. O teatro da época clássica nasce do culto de Dioniso ou Baco e a presença destas esculturas nestes complexos arquitectónicos,não nos deve surpreender, portanto, pois eles fazem parte do séquito de Dioniso. (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos).
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Friso de sarcófago
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  • Nº de Inventário: 994.21.1
  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Escultura
  • Técnica: Médio relevo
  • Dimensões: Comp: 219,3, Alt: 32,5, Larg: ,
  • Incorporação: Foi doado ao Museu pelo Ministério da Marinha, graças à intervenção do Rev. Cónego Boavida, no último quarto do séc. XIX.
  • Descrição: Friso de tampa de um sarcófago apresentando uma cartela central ladeada de ambos os lados por quatro grupos de personagens e por duas máscaras teatrais colocadas nas extremidades da composição a modo de acrotérias, com representação das bocas e dos olhos dos seus portadores. Uma cortina estendida, de tipo teatral, enche o fundo do painel. A cartela moldurada devia levar a inscrição funerária com o nome do defunto, talvez pintada e não esculpida ou gravada, pois não se notam quaisquer vestígios de letras gravadas. Os quatro grupos de personagens representam quatro das sete musas clássicas, de pé junto de quatro filósofos sentados em escabelos. No painel à esquerda do observador estão as musas da Comédia e da Tragédia - Talia e Melpomene - com as máscaras que as identificam e coroadas com plumas. A primeira mostra o corpo moldado por um tecido aderente, que nos é sugerido pelas pequenas perfurações de trépano que cobrem o corpo da figura, sendo recoberta com o "himation", um manto preso no ombro esquerdo e apanhado na cintura pelo braço do mesmo lado. Esta segura uma vara e o direito levanta uma máscara teatral. O cabelo surge, tal como as outras musas, amarrado em "cuculus" ou carrapito onde se prende um feixe de plumas. O filósofo barbudo e com farta cabeleira, envolve-se num manto e segura com as mãos um rolo. Melpomene veste talar cintada ("chiton") própria da figura trágica, segura a máscara teatral com a mão esquerda erguida junto à cabeça do filósofo para que está voltada. Este, sentado, envolve-se num manto que lhe deixa o tronco nu, pousa a mão direita sobre o ombro de Melpomene e a esquerda aponta a caixa dos seus rolos. Tem igualmente barba e farta cabeleira. No painel da direita surgem duas cenas, em muito similares e simétricas com as descritas anteriormente, com Polihimnia e Clio, musas da Música e da História. A primeira veste túnica talar cintada ("chiton"), recoberta com "himation", manto preso no ombro esquerdo e apanhado na cintura pela mão esquerda. Tem o cotovelo direito apoiado na lira e a mão esquerda sobre um longo plectro, instrumentos simbólicos da figura. Descansa sobre o pé esquerdo, a perna direita está traçada sobre a esquerda. Encontra-se voltada para o filósofo, que à excepção dos outros não tem barba e é calvo, podendo iconograficamente tratar-se de uma representação de Sócrates. Sentado, está coberto com o manto que prende ao ombro esquerdo e cai sobre as pernas. Tem na mão esquerda um rolo e a direita levantada à altura do peito com o dedo indicador e o médio abertos tal como acontece nas figuras de "mestres" representados em muitos sarcófagos romanos. Clio envolve-se completamente no "himation" ou manto, a mão direita toca na cara e a esquerda aparece segurando o rolo, e o braço esquerdo apoiado pelo cotovelo numa coluna, elemento que aparece frequentemente na composição desta figura e que justifica a representação desta em perfil. Quanto ao filósofo aparece sentado, coberto com um manto preso pelo ombro esquerdo e que lhe cai sobre as pernas, tem o resto do corpo desnudado. Dirige a palavra à musa com o braço direito levantado, junto dele a caixa dos rolos. Contrastando com a figura jovem das musas, os filósofos são adultos, barbados e, à excepção do que se encontra junto de Polihimnia, de cabeleira forte. A apresentam-se seminus, característica identificadora daqueles que participam da sabedoria divina de Apolo. Musas e filósofos estão muitas vezes associados nos sarcófagos, o que significa que o defunto se preocupou em vida com instruir-se na sabedoria, fundamento da salvação socrática, e que merece por isso entrar na felicidade do além-túmulo. Deste modo, a sabedoria do defunto a quem se destinava o sarcófago, afirma-se através da figuração das musas companheiras de Apolo, patronos das actividades culturais e inspiradoras de filósofos. O culto das musas é por isso penhor da felicidade além-túmulo e fundamento da salvação socrática e órfica. Também o uso das máscaras teatrais relacionadas com cultos báquicos ou dionisíacos se refere à felicidade do além que tais cultos prefiguram e prometem(Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos).
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Sarcófago das vindimas
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  • Nº de Inventário: 994.20.1
  • Museu: Museu Nacional de Arqueologia
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Escultura
  • Dimensões: Comp: 118,6, Alt: 38, Larg: 46,7,
  • Incorporação: Compra pelo director do museu, Dr. Manuel Heleno
  • Descrição: Sarcófago de mármore branco, de pequeno tamanho, com as extremidades arredondadas e a forma geral de uma cuba de vinificação (lenós) mostrando a face principal o retrato de uma jovem no interior de um medalhão assente sobre um vaso biansado, donde saem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas que vão preencher todo o espaço da face principal e principalmente das laterais. A peça foi concebida para ficar encostada a uma parede, razão pela qual a face oposta ao frontal não mostra qualquer escultura. O busto representa uma menina vestida de um "colobium", uma túnica pregueada, sem mangas, presa aos ombros por duas fíbulas, cabelos em bandós e atados na nuca, olhos com marca da pupila, estando o busto e a pequena peanha em que assenta inseridos num medalhão côncavo que lhe serve de moldura. Entre as ramagens que saem do vaso, ornado de parras, aparecem pequenos cupidos, cestas de vindimas, aves e animais campestres como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos. Por cima do medalhão corre uma fieira de pérolas sobrepujado por uma outra de ovas. É evidente o significado báquico ou dionisíaco de toda a composição, relacionado com a felicidade da vida além túmulo. O sarcófago, um trabalho cuidadoso feito talvez em oficinas do oriente mediterrânico, foi certamente importado com o medalhão por acabar tendo-se no termo da viagem esculpido a efígie da menina depositada no túmulo, o que explicaria também que o retrato se apresente esteticamente menos conseguido que o belo conjunto escultórico envolvente. O penteado da menina e os elementos decorativos, permitem, do ponto de vista técnico e temático, datar de meados do século III d.C. o fabrico da peça. (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luis de Matos). "...Tradicionalmente considerado como uma produção escultórica do oriente mediterrânico, tende-se hoje a procurar a sua filiação numa oficina ocidental, provavelmente itálica." (Segundo ficha de Catálogo da Exposição "Religiões da Lusitânia", da autoria de José Cardim Ribeiro).

Apresentação

«Lisboa Subterrânea» foi uma exposição aliciante e multímoda. Não foi sua preocupação a homogeneidade monolítica do discurso, mas antes a constatação da sua diversidade. Discurso construído naturalmente a partir da informação disponível, o que explica a diferente proporção do espólio nela presente, traduzindo diferentes ritmos de pesquisa e diferentes volumetrias de artefactos recuperados. Como exposição, poderia apenas pretender «mostrar». No entanto, vai mais longe, procurando evidenciar áreas sombrias, dúvidas e interrogações, abordar questões novas ou reviver outras, que necessitavam actualização. «Lisboa Subterrânea» foi também um conceito de «geografia variável», jogando com uma área ampla que, para os tempos anteriores à nossa era, se alarga compreensivelmente a toda a Península do mesmo nome. Mas mesmo quando Lisboa é romana como a compreender sem os campos que a rodeiam, os agriolisiponensis, que abastecem a cidade? Esta Exposição é também um apelo veemente aos seus visitantes: lá fora está a Cidade, a sua longa e complexa vida, aqui representada apenas por uma imagens-referência, por símbolos, por pistas. É necessário não esquecer que a Exposição abre a tudo o resto, às grutas de Alapraia e à colina fortificada de Leceia, às termas dos Cássios e ao enigmático edifício da Rua da Prata, à Sé e ao Castelo, à Baixa pré-pombalina...

Ficha Técnica

26 de Abril de 1994 a 29 de Janeiro de 1995 Local no MNA: Galeria Oriental Organização institucional: Museu Nacional de Arqueologia / Lisboa Capital Europeia da Cultura 94 Comissariado científico: Ana Margarida Arruda Tipo de exposição: Síntese local