Durante o Antigo Regime as cortes europeias viviam num ambiente de grande luxo e ostentação, onde o traje exibia a riqueza e a opulência através de formas exuberantes, de tecidos luxuosos e de cores vivas. Privilegiavam-se as linhas assimétricas e os padrões florais. Os corpos submetiam-se às linhas curvas e aos volumes ditados pela moda.
No princípio do século XVIII o estilo Barroco, mais rígido e solene, foi substituído pelo estilo Rocaille mais elegante, ligeiro e frívolo, ao qual se juntaram os exóticos motivos decorativos dos países distantes.
O prestígio da corte francesa, instalada em Versailles, influenciou as restantes cortes europeias que lhe seguiram os passos. Portugal não foi uma exceção, tendo adotado igualmente os trajes e o cerimonial do absolutismo francês durante os reinados de D. João V e D. José I.
Neste período as modas evoluíram conjuntamente com o aparecimento das primeiras revistas da especialidade e com o desenvolvimento das profissões ligadas à confeção do vestuário e à produção dos tecidos.
As mulheres vestiam-se sumptuosamente, sendo as rendas e os laços constantes no seu vestuário. Os generosos decotes, a maquilhagem e o perfume eram também fatores essenciais da sua sedução.
No período Barroco, o traje feminino era geralmente composto por três peças principais, o corpete ajustado ao busto, a saia e a sobressaia. Em meados do século XVIII, em pleno período Rocaille, o vestido mais ligeiro e volante transformou-se no vestido “à francesa”, composto por corpete justo e saia, acompanhados pelo famoso plis Watteau, uma espécie de capa formada por pregas de tecido que caíam soltas nas costas. As mangas eram ajustadas em cima e abriam com corte em “pagode” e aplicação de folhos e rendas.
O vestido “à inglesa” caracterizava-se por um corpete justo com extremidades inferiores terminando em bico, quer na frente quer nas costas, e mangas estreitas, usado com uma saia de baixo e uma sobressaia.
Os vestidos de corte utilizados nas grandes cerimónias, tinham amplos volumes laterais, um corpete cingido, e uma sobressaia aberta na frente, formando uma abertura triangular que deixava ver a saia de baixo. Estes vestidos eram tanto mais extravagantes quanto a dimensão das suas anquinhas e decorações. As anquinhas (paniers) aplicadas por baixo das saias, eram armações que conferiam volume lateral aos vestidos e definiam a silhueta da época.
Os cabelos femininos que no Barroco tinham sido ocultados pelas cabeleiras artificiais, durante o período seguinte fazem parte integrante dos adornos, sendo contudo moldados de forma artística e, mais tarde, de forma excêntrica.
Nesta época, os sapatos femininos apresentavam salto alto, ponta bicuda ou redonda ligeiramente revirada. Eram forrados de tecido de seda, muitas vezes a condizer com o vestido, nas ocasiões de maior cerimónia. O tacão de madeira era forrado com pelica ou tecido contrastante. As fivelas decorativas de diversos formatos, aplicadas na frente, eram de prata, aço ou strass. Posteriormente, as aberturas dos sapatos passam a ser guarnecidas com fitas plissadas.
A forma básica do traje masculino surgiu em França no final do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, sendo composta por casaca, colete e calção. Este conjunto manteve-se no período Rocaille embora as casacas fossem menos amplas e se apresentassem ricamente bordadas.
As casacas e os coletes eram bordados profusamente, com fios de seda em tons vivos e fios laminados de ouro e prata, formando motivos florais e vegetalistas. Os calções eram ajustados e terminavam abaixo dos joelhos. Estas peças soberbamente ornamentadas davam uma pose elegante aos seus portadores e só podiam ser utilizadas por membros da corte. Cerca de 1780, o homem começou a adotar trajes mais simples e funcionais, de inspiração inglesa.
O século XVIII foi o período áureo dos botões. Nas casacas e nos coletes este pequeno acessório tinha um importante papel decorativo. Estas peças de grande engenho artístico podiam ser de tecidos bordados, pintados, de madrepérola e de pedrarias facetadas, incrustadas em ouro ou prata.
A véstia, um elemento do traje masculino que se usava até então sob a casaca, era confecionada com tecidos luxuosos. Inicialmente comprida, foi ficando mais curta e simplificou-se, transformando-se posteriormente num colete.
Como complementos usavam-se os jabots, as cabeleiras empoadas, os punhos rendados, as meias de seda e os sapatos de salto alto. O jabot era um acessório usado ao pescoço, como uma espécie de gravata, habitualmente de renda ou cambraia bordada, formando plissados e franzidos.
As cabeleiras artificiais e os cabelos empoados marcaram a imagem deste período. Ao longo do século vão-se alterando os estilos e os tamanhos das cabeleiras artificiais, das exageradamente compridas e armadas com caracóis às mais simples compostas por rabo-de-cavalo preso com fita de seda preta. O chapéu masculino mais comum era o tricórnio.
Dina Caetano Dimas
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas