Com a Revolução Francesa, ocorrida em 1789, a moda sumptuosa do Antigo Regime desapareceu, dando lugar a um estilo mais simples. Os ideais revolucionários de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” conjugados com o gosto pela Antiguidade Greco-Romana transformaram radicalmente o vestuário feminino e masculino.
A partir da coroação de Napoleão em 1804, o traje de estilo Império impôs-se por toda a Europa, após os excessos cometidos no período pós-revolucionário. Em Portugal as invasões napoleónicas obrigaram D. João VI, em regência, e a sua mãe, a rainha D. Maria I, a partir com a corte para o Brasil, onde ficaram até 1821.
As mulheres abandonaram os espartilhos e as anquinhas, assim como os pesados e ricos tecidos usados no período anterior. Os vestidos realizados em materiais leves e translúcidos como o algodão, apresentavam linhas direitas, cintura subida e curtas mangas de balão, acompanhadas de luvas altas. As saias chegavam aos tornozelos e as caudas eram usadas essencialmente na corte. As cores preferidas eram claras e o branco a cor de eleição.
Os tecidos bordados ou lavrados apresentavam padrões delicados. Apreciavam-se os motivos florais, vegetalistas e geométricos de pequena dimensão, como os círculos. Na extremidade inferior dos vestidos era usual aplicar-se uma barra profusamente ornamentada.
Para o frio, as senhoras protegiam-se com fichús, que eram pequenos lenços triangulares que se colocavam sobre os ombros e tapavam os decotes dos vestidos. Usavam, igualmente, xailes de Caxemira com padrões de cornucópias, casacos compridos com corte redingote e casaquinhos curtos, denominados de spencers
Durante o estilo Império, os vestidos simples e direitos não permitiam o uso de bolsos e para se guardarem os pertences pessoais das senhoras surgiram as bolsas. Verdadeiramente úteis e complementares do guarda-roupa feminino, as “indispensáveis” bolsas rapidamente se tornaram acessórios decorativos repletos de encanto. Os cabelos “à grega” eram apanhados e adornados com caracóis. As capotas, toucas e turbantes protegiam a cabeça. Os sapatos ou botinas sem salto, característicos do período, permitiam um andar natural. Nas vésperas da Revolução Francesa, existia um grande entusiasmo pelas peças masculinas do traje inglês, quer pela qualidade da sua confeção quer pelo seu aspeto funcional. Mas a grande novidade desta época foi a introdução das calças no guarda-roupa masculino. Provenientes do traje dos homens do povo e dos marinheiros, as calças começam a ser usadas como símbolo da revolução, pois os calções eram sinónimo do traje aristocrático. Durante o dia, os homens trajavam casacos de cores sóbrias, calças e botas. No pescoço enrolavam uma longa tira de tecido branco que era presa com um nó decorativo, consoante a elegância do seu portador. Apesar destas inovações, à noite o traje masculino ainda era composto por casaca e colete bordados, calções e meias de seda, à semelhança do período anterior. Sobre os cabelos curtos colocavam cartolas ou bicórnios, que por vezes eram adornados com plumas. O calçado era composto por botas da cano alto ou sapatos rasos. Dina Caetano Dimas TRAJE MASCULINO
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas