No século XIX, época da industrialização, surgiram rápidos progressos tecnológicos em várias áreas da produção, aos quais a indústria da moda não foi alheia.
Na década de 50, D. Pedro V inaugurou a primeira linha ferroviária que ligava Lisboa ao Carregado, assim como, o primeiro telégrafo elétrico e as viagens regulares por navio entre Portugal e Angola, para além de introduzir o sistema métrico. Na década seguinte D. Luís I deu continuidade ao alargamento da rede de estradas e dos caminhos-de-ferro, num período fértil em acontecimentos políticos e culturais.
Os grandes armazéns deram os seus primeiros passos e os manuais de civilidade transmitiam as regras do “bem-vestir”. Os jornais de moda multiplicaram-se e as revistas divulgavam as últimas novidades vindas de Paris.
O costureiro inglês Charles Frédéric Worth, abriu neste período uma casa em Paris e o seu estilo ditou a moda feminina ao longo do século.
Na década de 50 as saias atingiam a sua expressão máxima com a introdução da crinolina. Esta armação interna dava um grande volume simétrico às saias sem lhes adicionar peso, dado que anteriormente a amplidão das mesmas era alcançada pela sobreposição de vários saiotes. Na década seguinte o volume das saias começou a ser projetado para trás, adaptando-se as crinolinas para esse efeito. Entretanto o busto continuava encerrado num espartilho de barbas de baleia.
Os tecidos preferidos eram as sedas e as musselinas de algodão com padrões de ramagens, flores, axadrezados e riscas. As cores eram simples e discretas, predominando os azuis e os verdes.
Os cabelos apanhados com risca ao meio eram adornados com flores, rendas e fitas. Para proteção da cabeça predominavam as toucas com fitas e os amplos chapéus de palhinha. O calçado era composto principalmente por botinas e sapatos com pequeno salto.
A moda masculina de 1850 manteve as tendências das décadas anteriores. No quotidiano citadino não era bem visto utilizar calças do mesmo tecido que o casaco. Os casacos de cor preta ou de tons sóbrios usavam-se também com calças aos quadrados. Para a noite usava-se a casaca preta com calças e colete do mesmo tecido, camisa com peitilho engomado e laço.
Nesta altura, os acessórios de pescoço transformaram-se em peças mais discretas, se comparadas com as formas criativas das décadas anteriores. Assim, o plastron, uma espécie de gravata com nó largo e pontas curtas, de cores sóbrias, passou a ser muito apreciado.
Dina Caetano Dimas
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas